[09 de dezembro de 2011]

Belo Monte e o Debate na Internet

Vários de vocês devem estar sabendo do debate que corre pela Internet brasileira a respeito da Usina de Belo Monte e sua instalação. Esse debate aconteceu de forma particularmente forte durante a última semana de novembro, por conta do lançamento de um vídeo com atores da TV Globo, criticando a instalação da Usina e o apoio do governo federal. Achei que era algo interessante de mapear e experimentar algumas coisas e passei alguns dias coletando tweets e juntando arquivos a respeito do fato. Coincidentemente, enquanto eu procurava coletar os dados e estudar suas relações, o You Pix fez esse post que resume a coisa toda. E também sintetiza a minha pergunta: o que a Internet acha de Belo Monte?

Para tentar entender como estão acontecendo essas manifestações, coletei cerca de 3 mil tweets (recorte pequeno), mas como me interessavam as relações mais explícitas de conversação, no mapa a seguir constam apenas aqueles que referenciam outros twitters, ou seja, que retuítam, mencionam ou respondem outros twitters. Os nós vermelhos são aqueles que se manifestam de forma clara em relação ao apoio de Belo Monte e os azuis, o que se manifestam no sentido oposto, contra Belo Monte. Os nós pretos são aqueles em que não foi possível inferir o contexto da mensagem e os cinza, aqueles que optaram por construir um contexto "neutro", ou seja, simplesmente postando uma notícia informativa ou fazendo um comentário no sentido de não entender o debate. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)

blomontecolorido2.png

Algumas coisas interessantes:

O nó com maior grau in, ou seja, o mais citado de todos é o @blogplanalto. É o mais citado entre aqueles que apoiam o projeto e seus tweets, os mais retuitados. Curiosamente, é um dos poucos nós que NUNCA (durante a coleta de dados) respondeu ou tomou parte no debate. De longe, entre todos aqueles no dataset que apoiaram explicitamente Belo Monte, o blog do planalto é o nó que mais influenciou tweets e gerou comentários de apoio. Há outros nós que também recebem um grande número de retweets, mas poucos também têm um grau out alto (ou seja, respondem a outros nós). Veja na imagem abaixo o grafo do @blogplanalto e as citações entre aqueles que o citaram. (Importante salientar que cada conexão pode representar muito mais do que apenas um tweet nesse grafo.)

blogplanalto.png

Do outro lado, ou seja, daqueles que são contra a instalação da usina, não há ninguém com um grau de citações tão alto quanto o @blogplanalto. Mesmo entre os que têm um alto grau in, ninguém chega sequer a metade das citações dele. Entretanto, ao contrário da rede de apoio, há muito mais pequenos nós fazendo barulho. Ou seja, mesmo sem ter um nó tão central quanto o outro grupo, os críticos são muito mais eficientes em descentralizar, criar outros nós que são bastante citados. Dentre os mais citados: @xinguvivo, @gotadaguabr, @florestafaz e outros. Os nós desse grupo também são mais conversacionais no sentido que citam outros e respondem a outros (ou seja, possuem um grau out maior). Veja no exemplo abaixo como há mais citações e respostas no grafo, por exemplo, do @xinguvivo, com mais conversações e citações internas à rede. Aqui, as conexões entre os nós são igualmente fortes (cada conexão entre os nós que também citaram o @xinguvivo representa mais de um tweet), e não apenas aquelas de citação direta do nó central.

xinguvivo.png

Achei interessante observar também que há um grupo grande (no centro do grafo) que está debatendo mais abertamente o projeto, lançando mão de retweets contrários e favoráveis, explorando bastante o que os demais dizem. Além disso, note-se que dentro do mesmo grafo temos as duas posições, graças a tweets desse grupo central, que estabelecem uma ponte entre os vermelhos e azuis.

E o que isso quer dizer?

Essa é uma análise superficial que coloco aqui apenas para ilustrar algo que me chama a atenção: A Internet (ou, ao menos, o Twitter) está sim, debatendo Belo Monte. Essa interpelação por parte de outros usuários envolve pessoas que acabam por estabelecer algum posicionamento ou procurar algum tipo de informação sobre o projeto (por exemplo, o número de tweets cresce nos dias que se seguem ao video da globo, claramente criticando-o ou defendendo-o). E isso me interessa particularmente porque é, de uma certa forma, o estabelecimento de uma esfera pública onde pessoas contrárias e favoráveis estão obtendo algum sucesso em manifestar-se na rede. E isso me parece bastante democrático. Claro que esses dados serão mais explicitados no futuro, mas por enquanto, servem para pensar. :)
por raquel as 08:53
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[22 de novembro de 2011]

Facebook, Grau de Separação e Redes Sociais

220px-Six_degrees_of_separation.pngHoje foi divulgado um novo estudo sobre o Facebook (na verdade, novos dados) e o quão conectadas estão as pessoas. Dentre os nomes por trás do trabalho está o do Jon Kleinberg, respeitadíssimo no mundo dos estudos sobre redes. Bem, nenhuma surpresa, o trabalho apontou que o grau de separação médio entre quaisquer duas pessoas no Facebook é de 4,74, ou seja, bastante inferior ao popular 6 (6 graus de separação) do famoso estudo do Milgram em 1967. (Para quem não conhece, o experimento do Milgram pode ser lido aqui. )

A novidade, na verdade, não é bem uma novidade. Afinal de contas, sabemos que os sites de rede social complexificaram os conceitos de "amigos" e "conhecidos", de forma bem diferente daquela do estudo do Milgram. Primeiro porque, como eu já expliquei em alguns artigos, o custo de criação e manutenção de conexões sociais nessas ferramentas é muito baixo. Ou seja, é natural que as pessoas tenham mais conexões no online do que efetivamente são capazes de manter no offline. Assim, você deve ter muito mais "amigos" no Facebook do que realmente tem na vida offline. Isso porque muitos dos seus "amigos" no Facebook são pessoas que você mal conhece, que foram colegas antigos ou mesmo amigos de amigos. Com isso, as redes sociais que são apresentadas na ferramenta são muito maiores do que as redes sociais offline. Por exemplo, os mesmos dados do estudo mostram que a média de amigos no FB é de 190 pessoas. O número, embora relativamente baixo para sites de rede social, é muito alto se compararmos com o offline. Quem é que tem e consegue manter 190 amigos de verdade?

O elemento mais importante, entretanto, é que essa prática social de acrescentar pessoas tem um impacto muito relevante no mundo. Quanto mais amigos você e seus amigos têm, mais interconectada é uma rede. Mais próximas ficam as pessoas dentro dessa rede. E menor é o grau de separação entre todos. Quanto mais próximas as pessoas, mais elas podem interagir entre si e receber informações. Aliás, mais rápido circulam essas informações dentro da rede. Ou seja, é porque as pessoas apropriam as redes como um espaço de coleção de conexões que as informações circulam mais e mais rápido (e não falo só de informações jornalisticas ou memes, mas igualmente de informações sociais - o popular social browsing, prática comum nos SRSs). Assim, ter conexões na rede é um valor, é um tipo de capital social relevante que traz aos membros da rede benefícios. A rede social online, portanto, é sim diferente da offline. Ela é mais fácil de ser mantida e tem um impacto muito grande em vários aspectos da vida das pessoas.

Assim, embora o trabalho do time do Facebook não seja comparável com o do Milgram (que usou redes offline, muito menores e mais limitadas), traz elementos importantes, como a evidência final de que esses sites reduzem sim a distância da rede social. Resta agora, tentar compreender que tipo de efeitos isso tem na circulação de informações na sociedade como um todo. A minha hipótese é que nas redes online as pessoas têm acesso a valores diferentes de capital social do que aqueles das redes offline. Com isso, tipos de informações diferentes circulariam nas duas redes (já defendi isso em outros artigos, como este).
por raquel as 07:14
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[18 de novembro de 2011]

#ABCiber2011 x #Seicom

Durante os últimos dias, dois eventos aconteceram de forma quase paralela, ambos sendo comentados e discutidos via Twitter: o Seminário Internacional de Comunicação na PUC/RS e a ABCiber, na UFSC em Florianópolis. Aproveitando um tempinho e o meu interesse nas conversações online, mapeei rapidamente o dia nos eventos no Twitter e fiz os grafos abaixo. Só foram mapeados os tweets que continham as hashtags (quem não usou as hashtags, portanto, não vai aparecer).

ABCiber 2011

O primeiro grafo mostra quantos nós participaram da conversa, seja tuitando sobre o evento, seja citando e retuitando quem estava falando sobre. No segundo grafo, temos os atores que foram mais citados no twitter (citação= menção e retweet manual apenas, não contei replies e retweets automáticos). Dados gerais: 1421 tweets coletados, 140 atores, geodésica máxima 5, média, 2,55; máximo de menções por ator 82 e máximo de citações recebidas por ator, 19).

abcibergeral.jpg

abcibermaiscitados.jpg

Atores mais citados: @abciber2011, @erickfelinto, @fernandabruno, @marcobonito, @adriaramaral, @silvanadalmaso, @sibonei, @otiagomp. (Contando acima de 10 citações e em ordem, sendo que os dois primeiros atores concentram mais da metade do total de citações.)

Seicom 2011

De novo, no primeiro grafo temos a conversa geral capturada em termos de citações, tweets e menções; no segundo, os atores mais citados. Dados gerais: 1529 tweets, 183 atores participaram. Geodésica máxima, 5, média, 2,81, número máximo de menções por um ator: 82 e a um ator: 20.

seicomtodos.jpg

seicom2011.jpg

Atores mais citados: @seicom2011, @trasel, @alexprimo, @ubimidia, @ubitec2011, @eusoufamecos, @soniamontano2, @gabizago, @mcaquino, @rebecarebs, @gisareginato e @midia8. (Contando acima de 10 citações. Há uma distribuição mais igualitária de citações entre os nós, tirando, novamente, os dois primeiros.)
por raquel as 17:33
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[07 de novembro de 2011]

O Facebook é o novo Reino dos Memes

Contagio.jpgCertamente você já deve ter notado, mas nos últimos tempos, um movimento bastante curioso começou no Facebook: aquele da criação de centenas de memes, com uma pequena variação, que são rapidamente espalhados pelas redes e invadem e dominam o stream social da ferramenta (também conhecido como "news feed"). É um fenômeno que tem chamado bastante a minha atenção. Primeiro porque desde os tempos do boom dos blogs eu não via tanto meme e segundo porque o seu espalhamento é bastante grande. Pensando um pouco sobre as causas e efeitos desses memes elaborei algumas reflexões.

Os tipos de memes e sua função no Facebook

Os memes nas redes sociais online têm aparecido com duas funções recorrentes: identificação e sociabilização (já falei disso em artigos antigos, vejam na sessão papers). Há uma terceira função, menos relevante mas existente, que é a de difusão ou informação da rede social. A função de identificação está relacionada a somar características interessantes (e vistas como positivas) a um determinado ator, somando traços a sua narrativa identitária no Facebook. Mais do que fazer um protestou ou comentar sobre algo, o meme parece ter uma ação afirmativa sobre a face (face no sentido construído por Goffman, semelhante àquele de "personalidade" que queremos que os outros atribuam a nós baseados nas interações que construímos em um determinado espaço). Ou seja, eu não coloco um meme "esta pessoa" apenas para comentar algo ou fazer uma afirmativa, mas para construir "quem eu sou" para a minha rede social. Essa função já foi observada em outras redes sociais anteriores, como aquelas estabelecidas nos fotologs, por exemplo (quem lembra das "maldições"?). Há diversos memes nessa categoria, como aqueles dos álbuns de fotos, os "todo mundo tem um amigo que". Interessante é observar que esses memes têm um valor específico, que é aquele de dizer quem vc é e convidar seus amigos a legitimarem a "face"ou a "curtirem" ou comentarem sobre a sua afirmação, além de narrar um "eu". Por isso, são memes que falam muito aos laços fortes (colocamos para que nossos amigos mais próximos comentem e legitimem), embora também tenham um efeito nos laços fracos (mostrar aos conhecidos quem nós somos pela legitimação dos amigos).

estapessoa.jpg

Uma segunda função é aquela da sociabilidade. Ou seja, é construir um convite a interação. O objetivo aqui não é apenas dizer quem você é, mas convidar outras pessoas a interagirem com você. Embora implicitamente essa função também esteja presente em todos os memes do Facebook, em alguns ela é muito mais forte. É o caso de memes mais engraçadinhos, como vídeos, montagens de fotos e etc. Esses memes de humor convidam a interação, aos comentários. Têm, assim, uma função específica de manter e construir laços sociais. Ou seja, seu foco, em última análise é mais social. De novo, o foco aqui são os laços mais fortes (a legitimação dos amigos para a genialidade do meme), embora também existam efeitos nos mais fracos (conhecidos repassando o meme ou comentando).

memeriso.jpg

Também existem, em dimensão menor, os memes mais informativos, ou seja, aqueles cuja função é popularizar um produto, evento ou idéia. Esses memes buscam a reprodução, mais do que a legitimação. O que se quer é que os laços fracos vejam a informação e a repassem. O valor aqui está na quantidade de pessoas que fica sabendo da informação e não necessariamente na interação (embora ela também tenha valor e exista função social e identificadora). No caso, o apelo é principalmente aos laços fracos, aqueles que são capazes de dar essa dimensão do espalhamento ao meme.

memeinformativo.jpg

Embora essas funções não sejam mutuamente excludentes, elas falam a laços diferentes e constróem diferentes tipos de valores nas redes sociais. E são esses valores ( que chamo de capital social) que motivam a difusão e a decisão de publicar ou não essas informações. Sites de rede social como o Facebook são territórios muito promissores aos memes justamente porque o "news feed" possibilita o rápido espalhamento e visualização, além da publicação imediata para a rede das mudanças do "eu" e das novas atribuições à "face". Esses memes são relevantes na medida em que encontram uma valorização pelas redes que, no Facebook, acontece através da difusão e legitimação (quantas vezes foi "shared", "curtido" e comentado), que também oferecem aos atores um rápido feedback a respeito de seus memes e uma percepção de capital social (valor) construído.

E quais são os problemas do espalhamento desses memes no Facebook?

Um dos problemas parece estar relacionado a maior valorização de memes que são novos. Quanto mais novo o meme, mais deconhecido para a rede, maior o seu valor (daí a profusão de memes diferentes). Com isso, há uma verdadeira profusão de memes, o que reduz seu valor individual pela competição. E também dificulta a visualização do news feed, reduzindo o valor do próprio Facebook como um todo (informação demais e pouca atenção para os memes que deixam de receber a legitimação buscada). Um segundo valor está na rápida difusão, o que gera muita gente publicando coisas parecidas ao mesmo tempo, o que também prejudica o valor do Facebook enquanto streaming "social", pois dificulta a atenção como um todo. Ou seja, embora o Facebook apresente um ambiente extremamente propício para a rápida difusão e crescimento dos memes, seu crescimento desenfreado prejudica o sistema como um todo, pois reduz os recursos (atenção e visibilidade) disponíveis aos memes e, por conseqüência, os valores disponíveis aos atores. Assim, a mim parece que vai acontecer uma auto-regulação desses memes, na medida em que virão a crescer e a descrescer de modo a manter algum valor no ambiente (Facebook). Mas isso só porque o Facebook não tem concorrência em termos de site que proporcione valores semelhantes (ainda). Quando tiver (sim, é quando), esse aumento desenfreado de memes pode reduzir o valor do site como ferramenta para as redes sociais.
por raquel as 07:45
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[01 de novembro de 2011]

Google+ e Reader: Eu não gostei

url23.jpgDesde ontem, eu sou mais uma das centenas (talvez milhares) de amantes do GReader que estão de luto pelo fim do sistema de feeds do Google. O GReader agora foi incorporado, forçadamente, ao Google Plus. A estratégia do Google é forçar a base de usuários do Reader, que acredito seja bem engajada, a alimentar o G+. O que não é necessariamente uma coisa boa. E que, eu, pelo menos, não curti. :P

Misturando Redes Sociais

Há muitos posts atrás, quando falei do Buzz eu já tinha dito isso. Misturar apropriações diferentes de redes sociais diferentes pode ser um grande tiro no pé. Explico: as pessoas apropriam os diferentes sites de rede social com propósitos diferentes. E isso gera valorações diferentes para cada uma dessas ferramentas. Assim, por exemplo, o que você faz no Orkut não é o mesmo Linkedin, do mesmo modo que o que você faz no Facebook nem sempre é o mesmo que você faz no Twitter. E o que acontece é que, muitas vezes, as pessoas também têm redes sociais diferentes usando essas ferramentas (por exemplo, rede do pessoal do trabalho, rede da família, rede dos amigos e etc.). E isso é absolutamente natural. Suas redes sociais offline também não são todas iguais e não compartilham dos mesmos espaços sociais. (Por exemplo, você não leva seus pais pra balada.) As apropriações dos espaços online, assim, seguem uma lógica parecida. O que não quer dizer que alguns elementos (nós da rede) não participem de vários espaços. O caso é que nem todo mundo está em todos os espaços das redes de seus amigos.

O Google, entretanto, tem sistematicamente "furar" essa apropriação forçando a adoção de ferramentas. O Buzz e o Wave foram exemplos. A proposa do Google é sempre a mesma: criar um gigantesco espaço social onde todos compartilham tudo com todos. Só que as ferramentas Google têm apropriações diferentes. Isso significa que as ferramentas têm valores diferentes. E como o Reader é usado? Primeiro, com uma rede social mais selecionada e muito mais focada. Segundo, como espaço para "guardar" textos interessantes. Terceiro, como "jornal diário". Por exemplo, o Reader pra mim é (era) uma fonte de informações. Assino (ava) ali os feeds das coisas que me interessavam, a partir de uma rede social pequena de alimentadores, quase como um jornal diário. Bem diferente do Twitter, que pra mim é filtro social. Ali me interessa saber o que minha rede social está falando, quais tópicos estão mais relevantes no momento. Tem coisas no Reader que eu dividia com a minha pequena rede e coisas que eu guardava só pra mim. De todas essas coisas, só um pequeno percentual era divulgado para rede do Twitter, por exemplo, só coisas que realmente me pareciam interessantes.

Já o Google+ ainda não pegou direito. Tem algumas apropriações acontecendo, no caso da minha rede, principalmente para divulgação de informações, mas também tem um foco social mais parecido com o Facebook. As pessoas ainda não sabem ainda pra que o G+ "serve". E um dos culpados disso é misturança do Twitter (a idéia de que as pessoas podem te "seguir" sem que vc autorize) junto com uma proposta muito mais social (os círculos). E essa falta de foco gerou uma série de questões ainda não resolvidas. (Por exemplo: Spam social.)

A Face nos Sites de Rede Social

Ferramentas sociais e informacionais não necessariamente se dão bem juntas. O Goffman tem um conceito fantástico que nos ajuda a entender isso: a idéia de "face". A face é um conjunto de impressões construídas de forma a dar uma linearidade para as nossas atuações no dia a dia (grosso modo). O que isso significa? Que dependendo do contexto interacional (ou do espaço social e do grupo ali presente) procuramos manter uma face, que é uma linha de interação que buscamos que seja legitimada pelos demais atores e que eles nos reconheçam por essas características. Só que é por isso que mantemos redes sociais diferentes: nem sempre desejamos manter a mesma face. Como você age num ambiente informal com seus amigos (face 1) não é igual ao modo como você age em um ambiente formal, numa reunião de trabalho (face 2). E é esse o meu ponto: O que você faz no GReader não necessariamente você quer fazer no G+. As coisas que você lê e quer dividir com alguns amigos não necessariamente você quer publicar no G+ e mais: você nem sempre quer que os comentários colocados numa coisa que você publicou por um círculo chegue a outro círculo de amigos. (O que, aliás, é outra coisa interessante que eu tenho observado nas conversações: mesmo que vc não participe, a rede social atribui uma certa dose de responsabilidade pelos comentários a quem originalmente publicou um texto.)

E dai?

Meu ponto é: você não pode obrigar as pessoas a agir do modo X ou Y num ambiente social. Esses modos de agir são construídos socialmente e sempre superam e alargam as limitações técnicas. "Empurrar" os usuários de uma ferramenta para outra criando modos de compartilhamento relevantes pode mudar uma apropriação. Retirar modos de compartilhamento que já foram apropriados e limitar as opções não necessariamente resultam num uso da ferramenta que vc quer. Além disso, tentar criar ferramentas únicas que gerenciem todas as redes sociais não parece ser a solução. Você não necessariamente quer que todo mundo saiba seu email ou que as pessoas que estão na sua lista de emails tenham acesso imediato a seu Reader ou a seu G+ ou que seus grupos diferentes passem a ter acesso às mesmas informações.

Misturar redes e obrigar todos a usar uma mesma ferramenta pode ter resultados mais desastrosos que o esperado.E, finalmente, limitações e focos exagerados podem fazer uma ferramenta perder o valor e, com isso, suas populações tendem a migrar para novas apropriações. Vai ser esse o caso do Reader? Não sei. Tenho a impressão de que a ferramenta perdeu com a mudança. E o G+? Vai ganhar? Não sei tb. Não acho que vá ser o Twitter. O mais provável é que o G+ vai sofra uma inundação de informações (úteis e inúteis), aumente a quantidade de spam e que os usuários sejam obrigados a filtrar mais os círculos para poder filtrar também a informação recebida e emitida. Veremos. De qualquer modo, entender a apropriação é a idéia chave para criar ferramentas úteis e integrá-las de forma natural. Idéia que a maioria das companhias não parece dividir comigo. :P
por raquel as 07:27
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[24 de outubro de 2011]

Sites de Rede Social na Educação (parte II)

social-platform.pngFaz alguns dias que comecei o texto, mas não consegui terminá-lo até hoje. Hoje consegui dar uma finalizada. :) Desculpem a demora. (E acho q acabou um texto mais evangelizador do que eu previa, mas vale o debate.)

Um dos desafios com os quais frequentemente me deparo em conferências e debates acadêmicos no Brasil com relação ao uso dos sites de rede social na educação é a dificuldade no acesso. Muitos argumentam que nem todo mundo tem acesso, que jovens e adolescentes de classes mais baixas não têm Internet e, finalmente, que as escolas não têm acesso. Os argumentos são válidos, mas gostaria de salientar alguns pontos.

A inclusão digital

No Brasil, um dos grandes responsáveis pela inclusão digital foi o Orkut. E não sou eu quem diz isso apenas. Há um trabalho do Jeremiah Spence (2007) a respeito do Orkut no Brasil também trouxe dados parecidos. O Orkut foi uma ferramenta importante na história da Internet no Brasil porque motivou pessoas que não tinham acesso a procurar acesso, justamente, para utilizá-lo. Os sites de rede social, portanto, foram uma das portas de entrada da Internet no Brasil para muitos usuários, de idades e classes sociais diferentes. Isso significa que parte da experiência de uso da Internet para muitos de nós foi, exatamente, a experiência social. Esse acesso, que não se conseguia em localidades públicas, porque o Orkut era proibido, cresceu rapidamente em cibercafés e lan houses (o que também impactou no crescimento desses locais, especialmente dentro de comunidades mais pobres). Apenas para que se tenha uma idéia, numa rápida consulta aosindicadores do CGI, temos que entre 2005 e 2007 (anos da explosão do Orkut no Brasil), o uso da Internet cresceu cerca de 10% na população que nunca tinha acessado, e a grande atividade que concentrava o uso, o e-mail (70% em 2005) foi substituído pelo acesso aos sites de rede social (69% em 2008). Embora não seja possível apontar uma relação direta, outras pesquisas têm demonstrado que o Orkut atuou como grande motivador para essa busca pelo acesso, mesmo sem as condições físicas, nessa mesma época. O impacto do Orkut na sociedade brasileira foi tão grande que sua citação em programas de TV e notícias tornou-se tão lugar comum que nem necessidade de explicá-lo se via mais na mídia.

Em 2010, segundo os mesmos indicadores, a penetração do uso da Internet aumentou: Chegou a 80% entre os brasileiros de 10 a 24 anos, entre 79 e 83% dos mesmos usando sites de rede social. O que isso nos mostra? Que os jovens estão sim, utilizando essas ferramentas. Que para uma grande maioria deles, essas ferramentas estão inseridas no cotidiano, como parte de suas atividades.

É isso que eu quero apontar quando digo que as redes já estão na sociedade e que as escolas precisam também inserir-se nelas. Embora muitas vezes as escolas não tenham equipamentos e os professores não tenham como utilizar essas ferramentas em aula, os alunos continuam utilizando-as. E há muito que precisa ser discutido e debatido a respeito delas também no ambiente escolar. É preciso trazer as redes para as escolas.

Como trazer as redes para as escolas?

Sabemos que existem problemas de todos os tipos, principalmente falta de equipamento e acesso e também a questão do preconceito. Mesmo com esses problemas, acho que há iniciativas que podem ser levadas adiante.

Minha primeira sugestão é um trabalho de conscientização e crítica das potencialidades e dos problemas . Fazer palestras, discutir, trazer pais, alunos e funcionários para o debate. É preciso superar o preconceito, que muitas vezes impera, que essas ferramentas não são necessárias e não importam. Assuntos como fronteiras entre o público e o privado, impactos dos rastros deixados nessas mídias no futuro, uso dessas ferramentas podem ser abordados através de palestras e cursos, além de rudimentos da pesquisa e discussão da veracidade do que se encontra online.

Minha segunda sugestão é que a escola entre na rede. É preciso estar nessas ferramentas, construir uma presença institucional, representar a escola, proporcionar meios de contato e mesmo, meios de informação. Mesmo sem laboratórios e equipamentos, um pouco de presença se pode atingir e um mínimo de informações para a comunidade a respeito do que está sendo desenvolvido nas escolas.

Apenas essas duas estratégias já ajudam muito. Primeiro porque marcam uma consciência da Escola para com o cotidiano dos alunos e da comunidade. E em nenhuma delas é preciso que todos tenham laboratórios, mas é preciso que se aborde a questão. Segundo, porque aumentam também a consciência de uso para essas ferramentas, tanto em termos de sala de aula, quanto de trabalhos escolares. Quanto mais pessoas estiverem conscientes da importância dessas práticas nesses sites, mais facilmente se conseguirá apoio para outras iniciativas. Para aquelas escolas que já dispõem de laboratórios e ferramentas, muito mais pode ser feito. Oficias com os alunos, de modo a mostrar o que pode ser feito na rede em termos de criatividade, discussões a respeito da privacidade e dos riscos da exposição e, sobretudo, criar um canal permanente de informações com a comunidade são o mínimo.

Citação: Jeremiah Spence, “Orkut: catalysis for the Brazilian Internaut”
por raquel as 09:57
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[17 de outubro de 2011]

#15o e Redes que mobilizam

tumblr_lt62ge6GBT1qznmxwo1_500.jpgDesculpem a falta de posts. Ando muito ocupada com coisas profissionais e o blog, que é hobby, vai ficando para depois. Entretanto, há duas boas notícias (ao menos pra mim). Primeiro, deve sair a segunda edição do Redes Sociais na Internet com um capítulo extra sobre perspectivas de estudo das redes sociais. Segundo, estou nos finalmentes do meu novo livro, que deve sair ano que vem (e que, portanto, tem que andar de uma vez). Em breve, mais novidades sobre isso.

Enquanto isso, andei mapeando algumas outras coisas. Essa semana, brinquei com o NodeXL para mapear o #15o. Para quem não sabe, a hashtag representa uma movimentação em torno de protestos em todo o mundo, que ocorreram em mais de mil capitais e cidades menores, em diferentes países, congregando marchas pela mudança (algumas outras hashtags como #globalchange também acompanharam) e em vários países, foram anexadas a movimentos que já estavam ocorrendo, como os protestos contra a corrupção no Brasil, os "indignados" na Espanha e em Portugal, os movimentos dos 99% nos Estados Unidos e etc.

Tentando entender essas movimentações um pouco melhor, mapeei o movimento através da hashtag #15o no Twitter (peguei outras também, pedindo sugestões a outros twitters, mas não achei nada específico do Brasil, por exemplo). E deu pra ver algumas coisas interessantes:

Uma das coisas que tenho observado nesses mapeamentos de hashtags diversas é a questão do engajamento. Ao que parece, a clusterização está diretamente associada com o engajamento dos atores em propagar a hashtag, o que faz com que vários deles retuítem e repassem tweets com a hashtag enviados por outros atores na sua timeline. A estratégia faz com que a hashtag seja popularizada sem constituir-se em spam e me parece ser a principal responsável pela "forma" do grafo. Tenho observado isso em várias hashtags que se tornaram trending topics, mas que entraram nos TTs de forma menos orgânica (ou seja, foram resultado de organizações coletivas que tentaram popularizar a hashtag) e não de um assunto que era popular entre os participantes da conversação em determinado momento. Vejam o grafo abaixo:

rede15o.png

(Clique para ver a imagem em tamanho maior.)

No grafo, aumentei o tamanho dos nós mais influentes (acima de 5 nós da mesma rede repassaram/tuitaram sobre a hashtag) e podemos ver que há uma centralização intrínseca dos nós que tuitaram sobre a hashtag (esqueçam as cores, é outra coisa que eu estava analisando e esqueci de trocar). A centralização também é esperada porque redes que focam causas tendem a congregar mais nós com idéias/focos semelhantes, que portanto, podem ser ativados mais facilmente nesse tipo de causa. Outras coisas que são interessantes: Ao que parece, os atores são muito mais capazes de influenciar a rede nessas causas do que em outras hashtags. Por exemplo, o número de influenciadores nesse grafo é bem maior do que o da maioria dos outras redes que tenho mapeado. Além disso, o número de pessoas que falou sobre a hashtag e influenciou ao menos um seguidor também é grande.

Esses elementos que comentei também têm aparecido nas redes de fãs (comentei recentemente sobre as fan wars) e de forma muito semelhante. Isso pode indicar que há estratégias específicas desses grupos mais engajados em "aparecer" e fazer com que sua mensagem chegue ao "mainstream" do Twitter (TTs). Essas estratégias não orgânicas acabam influenciando muito o modo através do qual esses tópicos ressoam e aparecem para os demais no Twitter. Sem ser promovidos pela ferramenta. :-)

Créditos: Foto Eneas de Troya.
por raquel as 07:50
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[10 de outubro de 2011]

SBPJor - Mesa Jornalismo em Redes Sociais na Internet

9sbpjo.jpgEm novembro estarei no Rio. Dia 05/11, sábado, às 14h, vou participar da mesa "Jornalismo em Redes Sociais na Internet" na 9a SBPJor. A mesa foi uma iniciativa minha e de alguns colegas (cujos nomes talvez já sejam conhecidos de vocês) que também vão debater o assunto, com trabalhos que a meu ver, apresentam elementos atualíssimos na discussão dos impactos das redes sociais no Jornalismo. Para quem quiser participar, o evento será na UFRJ. Abaixo, o resumo da proposta:

O advento das redes sociais na Internet, impulsionadas pelos chamados sites de rede social, trouxe novas práticas de produção e circulação de informações, gerando desafios novos para o Jornalismo. Esta proposta visa debater essa intersecção, através de reflexões sobre o Jornalismo e as práticas jornalísticas diante das redes sociais online. Neste contexto, Fabio Malini debate os modos de compartilhamento e narração dos acontecimentos nessas redes sociais, como forma de quebrar a hegemonia da mídia em destacá-los. Malini dialoga diretamente com o trabalho de Gabriela Zago que busca caracterizar a experiência do acontecimento jornalístico no Twitter, focando a recirculação como etapa atual ao processo jornalístico. O artigo de Raquel Recuero faz um contraponto, explicitando a ação legitimadora dos acontecimentos pelos veículos jornalísticos no Twitter. Estabelece, assim, conexões com o artigo de Alex Primo, que foca de forma mais ampla as redes como transformadoras do jornalismo, através da participação de pessoas comuns na mídia digital. Finalmente, Rogério Christofoletti traz essas transformações como tensões que clamam pela emergência de outra ética jornalística, influenciada pela chamada ética hacker.

Os participantes e seus trabalhos:

Alex Primo (UFRGS): "Transformações no jornalismo em rede: sobre pessoas comuns, jornalistas e organizações; blogs, Twitter, Facebook e Flipboard"

Gabriela Zago (UFRGS): "A Experiência do Acontecimento Jornalístico no Twitter a partir de sua Recirculação"

Raquel Recuero (UCPEL): "Deu no Twitter, alguém confirma?" Funções do Jornalismo na Era das Redes Sociais"

Fabio Malini (UFES): "Cobertura colaborativa nas redes sociais: entre a emergência e a programação"

Rogério Christofoletti (UFSC): "Ética hacker e deontologia jornalística em redes sociais"

É a minha primeira participação na SBPJor e estou com grandes expectativas. O evento vai contar com várias palestras muito interessantes e várias outras mesas e trabalhos sobre redes sociais. Apareçam por lá! :)
por raquel as 08:01
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[26 de setembro de 2011]

Sites de Rede Social na Educação (parte I)

saladeaula.jpgUm assunto sobre o qual eu tenho conversado muito, nos últimos tempos, é a respeito do uso dos sites de rede social (SRSs) como Twitter, Facebook, Orkut e etc. em ambientes e instituições escolares. Vejam, sou uma ferrenha defensora do uso dessas plataformas. Acho que elas já estão nas escolas, as escolas é que não estão nelas. E com alguma freqüência, converso sobre isso com colegas professores e educadores. Em cima desses debates, pensei em traçar aqui algumas linhas e sugerir algumas formas de uso desses sites em sala de aula.

Por que os Sites de Rede Social representam um novo paradigma?

Antes de mais nada, não gosto de falar de "redes sociais na educação". Porque pra mim, redes sociais são ambientes de educação desde que o mundo é mundo. Oras, a primeira e mais básica forma de aprendizado é a imitação. E só se imitam os outros, ou seja, a rede social. Todos aprendemos em conjunto, em grupo, em relação a outras pessoas. A questão é que a mediação do computador potencializou isso a um nível muito, muito grande. As redes sociais na Internet sim, representam um patamar diferenciado, pois são redes constituídas de elementos que não existiam antes, como aqueles explicitados pelo conceito de públicos em rede, debatido pela danah boyd (2007). Dentro dessa idéia há quatro elementos que são diferenciais no debate a respeito dos sites de rede social:
  • Persistência - As conversações e as interações que são publicadas permanecem, ficam armazenadas nos sistema, ao contrário das interações em grupo cotidianas (por exemplo, a fala), que desaparecem. Essa é uma mudança do paradigma da conversação.
  • Buscabilidade - As informações publicadas podem ser buscadas. Com isso, há informações mais facilmente acessíveis a qualquer pessoa na rede social. Aliada a persistência, essa característica também mostra que o conteúdo pode ser replicado.
  • Audiências Invisíveis - Aquilo que é publicado para um grau de amigos próximos pode ter um alcance imenso, pois redes sociais na Internet são interconectadas. Cada amigo tem seus próprios amigos que também podem ver essa informação e assim por diante. E isso faz com que o alcance das informações seja escalável.
Essas características mostram que o espaço dos SRSs não é apenas novo em termos de sociabilidade, mas ele também modifica formas fundamentais em cima das quais a interação social acontece. E por isso, modificam também os modos através dos quais aprendemos. Aprender em rede, portanto, é ter acesso a uma quantidade muito, muito maior de informações, disposta por audiências que nem sempre estão visíveis, com impactos muito mais globais e permanentes. Mas o que isso quer dizer para as práticas de aprendizado?

Aprender em Rede

Estar em rede, hoje, é estar permanentemente conectado a uma camada de informações que está perpetuamente mudando, o ciberespaço. As redes sociais, nesse ambiente, modulam essas informações, dando foco a coisas que parecem relevantes, filtrando coisas irrelevantes e compartilhando todo o tipo de coisa. Entretanto, boa parte desse foco está em informações que não são consideradas tão relevantes por escolas e educadores (como por exemplo, informações de humor). A questão é: Como podemos fazer essas redes circularem informações que sejam mais relevantes para ambientes escolares?Pensando nisso, proponho alguns passos estratégicos:

  • Entender a apropriação - Compreender o que os alunos fazem online. Entender seus usos e valores dos sites de rede social. Entender o que significa esse espaço é essencial para trazer outras formas de apropriação. Para isso, é preciso estar online também.
  • Criar novas formas de apropriação - Uma vez que consigamos entender quais são os valores, podemos reapropriar alguns elementos. Os alunos escrevem fanfictions e distribuem na rede? Então vamos convidá-los a escrever uma fiction colaborativa num blog ou mesmo no Twitter. Os alunos gostam de blogs de humor? Por que não trazer uma proposta de apropriação humorística de fatos históricos? O Orkut é um site de uso comum? Quem sabe usá-lo como espaço de discussão de sala de aula? Ou propor uma gincana ali para buscar uma determinada informação? Ou mesmo sugerir a criação de Tumblrs para dividir as coisas que foram encontradas pelos alunos nos exercícios. Criar mashups, propor a reinterpretação de coisas tradicionais e usá-las de forma criativa. Com o conhecimento do que é interessante e um pouco de criatividade, podemos mover montanhas.
  • Trazer os SRSs para a Escola - Nem tudo são flores na Internet. Mas é fundamental, na minha opinião, que as escolas não apenas tragam essas ferramentas para uso dentro do espaço institucional, mas que também proponham um debate a respeito. É preciso discutir, por exemplo, as novas fronteiras entre o que é público e o que é privado. É preciso conscientizar a respeito do que significa "publicar" na Internet. É preciso discutir os impactos dos sites de rede social no dia a dia. Assim, propor estratégias para debater, conscientizar e discutir essas ferramentas.
  • Usar os SRSs como aliados - Estar "oficialmente" nessas ferramentas e usá-las como espaços educativos e institucionais são escolhas fundamentais. A escola também precisa estar em rede. E isso significa conectar não apenas a comunidade dentro da escola, mas fora também. Criar grupos para discutir as estratégias em SRSs, conectar professores para troca de experiências, debater casos de sucesso e problemas. Podemos também aprender em grupo.Além disso, usar esses espaços como espaços institucionais, para fazer tarefas, temas, comunicar e etc, também é importante.
Não vou me alongar demais nesse post e vou continuar o assunto em outro. Mas apenas para dar algumas idéias que eu, particularmente, acho que são muito úteis e passíveis de ser "reinventadas" em sala de aula:

  • The Jane Austen Twitter Projetc - A proposta do projeto foi a de escrever uma ficção "estilo Jane Austen" no Twitter. Com um cenário pré-determinado e o auxílio do Google Docs, cada participante agendou sua entrada e cada um escreveu um pedacinho (ou vários) do conto. Com isso, demandou-se não apenas o conhecimento da obra da autora mas, igualmente, daquilo que outros já tinham escrito.
  • Criar um "perfil" no Facebook para o personagem favorito foi a estratégia que esse professor usou. Além de ter lido o livro, era necessário criatividade e interpretação para acrescentar "gostos" e informações de perfil.
  • Usar o Google Maps (ou o Google Earth) e o Twitter para estudar geografia? Foi o que esse professor fez. Convocou sua rede social a propor desafios de localização para que os alunos procurassem nessas ferramentas.
  • Nesse projeto, o professor desafiou os alunos a reescrever o diálogo entre Dante e Beatrice (no Inferno de Dante) no Twitter, repensando o contexto e o que seria dito pelos personagens.
E além dessas, há milhões de propostas, envolvendo não apenas o ensino fundamental, como todos os grupos e todas as disciplinas (até física e matemática!). Vejam fontes de idéias (em inglês):

100 maneiras inspiradoras de usar mídia social em sala de aula
Grupo Edudemic no Facebook
Blog Web 2.0 Teaching Tools
Edsocialmedia
Meu slideshare com algumas palestras sobre o assunto

por raquel as 09:01
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[24 de setembro de 2011]

Chamada de Trabalhos p/ o ICWSM 2012 (em Português)

icwsm2012.pngEste ano, sou uma das Regional Chairs do ICWSM 2012, sendo responsável pela divulgação da chamada de trabalhos por aqui (aliás, conto com a colaboração de vocês). :-) Uma das ações foi a tradução da chamada p/ o Português, justamente para encorajar uma maior participação de pesquisadores de mídia social de várias áreas (por exemplo, Computação, Lingüística, Comunicação e etc. Para a chamada em inglês, clique aqui.

Chamada de Trabalhos

The Sixth International AAAI Conference on Weblogs and Social Media (ICWSM-12)

Patrocinada pela Association for the Advancement of Artificial Intelligence

Site para a submissão de Artigos Técnicos: Será disponibilizado em 1 de Novembro de 2011

Resumos: até 13 de janeiro de 2012
Artigos completos: até 18 de Janeiro de 2012 (meia-noite, horário do Pacífico)

A Conferência Internacional da AAAI sobre Weblogs e Mídia Social (ICWSM) é um fórum único que conecta pesquisadores das disciplinas de Ciência da Computação, Língüística, Comunicação e Ciências Sociais. O objetivo geral da ICWSM é aprofundar a compreensão da mídia social em todas as suas formas. A submissão de trabalhos focando pesquisas que conectem ciências sociais e computacionais é especialmente encorajada.

Apesar deste ser apenas o sexto ano da conferência, ela tornou-se um dos eventos principais para o encontro de cientistas sociais e cientistas focados em tecnologia e a discussão de pesquisa de ponta em mídia social. Isso acontece principalmente por conta do percentual típico de aceitação de 20% dos artigos completos e pelo suporte da Association for the Advancement of Artificial Intelligence - AAAI (Associação para o Avanço da Inteligência Artificial). Para a ICWSM de 2012, além do programa usual de contribuições de sessões técnicas, posters e palestrantes convidados, a conferência principal vai incluir uma seleção de palestras de pesquisadores proeminentes na área (academia e indústria). Além disso, por conta do sucesso dos workshops de 2011 e do dia de tutoriais, a ICWSM 2012 também vai sediar workshops e um dia de tutoriais antes da conferência principal.

Disciplinas

  • Lingüística Computacional e Processamento de Linguagem Natural
  • Mineração de texto/dados
  • Psicologia
  • Sociologia (incluindo análise de redes sociais)
  • Comunicação
  • Antropologia
  • Estudos de Mídia
  • Visualização
  • Ciência Política
  • Ciência Social Computacional
  • Interação Humano-Computador (HCI)
  • Economia
  • Teoria dos Grafos, análise concreta e simulação de modelos gráficos


  • Mídias
  • Weblogs, incluindo comentários
  • Sites de Rede Social
  • Microblogs
  • Wikis (Wikipedia)
  • Fóruns, listas de emails, newsgroups
  • Sites comunitários de mídia (YouTube, Flickr)

Tópicos de Interesse

  • Estudos de mídia social de foco psicológico, baseados em personalidade e etnográficos;
  • Análise das relações entre a mídia social e a mídia tradicional (ou mainstream);
  • Estudos quantitativos e qualitativos de mídia social;
  • Centralidade/influência de publicações em mídia social e autores;
  • Ranqueamento/relevância de blogs e microblogs; ranqueamento de páginas web baseado em blogs e microblogs;
  • Análise de redes sociais; identificação de comunidades; descoberta de especialistas e autoridade;
  • Confiança; reputação; sistemas de recomendação;
  • Interação humano-computador; ferramentas de mídia social; navegação e visualização;
  • Subjetividade em dados textuais; análise de sentimento; polaridade/identificação e extração de opiniões;
  • Categorização textual; reconhecimento de tópicos; identificação de demografia/gênero/idade;
  • Identificação e acompanhamento de tendências; predição de séries temporais; medidas de previsibilidade de fenômenos baseados em mídia social;
  • Novas aplicações sociais; interfaces; técnicas de interação;
  • Inovação social e mudança efetiva através da mídia social.
Palestrantes
  • Andrew Tomkins (Google+)
  • Outros a ser anunciados

Conta de Submissão para Autores

Os autores precisam criar uma conta para submeter trabalhos (aqueles que já têm conta podem adicionar o ICWSM-12 a sua lista de conferências ) no site de submissões da ICWSM-12, que estará disponível a partir de 1 de Novembro de 2011. É importante que a senha seja guardada, pois ela permitirá que o autor acesse o sistema para submeter o resumo e o artigo final. Para evitar problemas de última hora, os autores são encorajados a fazer suas contas assim que possível, preferencialmente antes do prazo final para a submissão dos resumos (13 de janeiro de 2012).

Submissão de Resumos e Artigo

A submissão eletrônica do resumo através do site de submissões da ICWSM -12 é necessária até o dia 13 de Janeiro de 2012, 23:59 PST (Horário do Pacífico). Os artigos completos devem ser enviados também através do site até a segunda-feira, dia 18 de Janeiro de 2012, meia-noite PST (Horário do Pacífico). Submissões por e-mail ou fax não serão aceitas. Os autores receberão a confirmação de submissão de seus resumos e artigos, incluindo o número da submissão, logo após a mesma. A AAAI entrará em contato com os autores novamente APENAS se o artigo apresentar problemas.

Guias de Conteúdo

Submissões a outras conferências ou revistas: A ICWSM-12 não aceitará nenhum artigo que, no momento da submissão, esteja sendo avaliado ou tenha sido publicado ou aceito para publicação em revistas ou outras conferências. Essa restrição, entretanto, não se aplica para submissões para workshops e outros eventos de audiência limitada. Para dúvidas, contate os PC Chairs.

Se submissões duplicadas forem identificadas durante o processo de avaliação:
  • Todas as submissões daquele autor serão desclassificadas da conferência;
  • Os autores não poderão enviar artigos para o ICWSM no ano seguinte
.
Formato: Os artigos devem ser submetidos sem problemas, em PDF de alta resolução, no tamanho de página US Letter (8.5″ × 11″) , utilizando fontes Type 1 ou TrueType. Artigos completos não devem ter mais do que 8 páginas, incluindo referências; artigos de poster não devem ter mais do que quatro páginas; descrição de demos, não mais do que 2 páginas. Todos devem ser submetidos até o prazo dado acima, e no formato da AAAI de duas colunas, em estilo camera-ready (veja a página de instruções para o autor). Por favor, note que as intruções para formatação e submissão são para os artigos finais, aceitos; páginas adicionais não podem ser incluídas durante a avaliação. Além disso, o texto a respeito do copyright pode ser omitido na fase de submissão inicial e nenhum envio de formulário de copyright é exigido até o aceite do artigo para a publicação.

Anonimato: A avaliação da ICWSM-12 é realizada através de pareceres duplamente cegos (os pareceristas não sabem quem são os autores do trabalho que, por sua vez, também não sabem quem são os pareceristas). Por conta disso, os artigos devem ser anonimizados para a submissão. Ou seja, não devem estar incluídos no artigo o nome do(s) autor(es) e sua filiação(oes). Também não devem ser incluídos agradecimentos e instituições que suportam a pesquisa na submissão para avaliação. Citações a trabalhos anteriores do autor podem ser incluídas, desde que não seja especificado que se trata de um trabalho anterior do mesmo autor. Caso isso não seja possível, a inclusão deve anonimizar também a citação. O autor deve julgar o quanto mais deva ser modificado no artigo para preservar o anonimato. O requerimento de anonimato, entretanto, não se extende fora do processo de avaliação; por exemplo, os autores podem decidir o quanto querem distribuir seus artigos pela Internet antes do encontro do comitê de programa. Mesmo em casos onde a identidade do autor torna-se conhecida ao avaliador, os pareceres cegos servem como uma lembrança simbólica da importância de avaliar o trabalho submetido pelos seus próprios méritos, sem levar em conta a reputação do autor.

Linguagem: Todas as submissões devem ser feitas em inglês.

Inscrição na Conferência

Todos os artigos e resumos extendidos aceitos serão publicados nos anais da conferência. Entretanto, pelo menos um dos autores deve fazer sua inscrição para a conferência até o último dia da submissão do artigo para a publicação (há um prazo que é dado após o aceite para que as últimas correções sejam feitas). Além disso, o autor inscrito deve participar da conferência e apresentar pessoalmente o artigo.

Publicação: Todos os artigos e resumos aceitos receberão oito (8) páginas nos anais da conferência. Os autores precisarão transferir os direitos sobre o paper para a AAAI.


Conjuntos de Dados

A ICWSM-12 irá incluir uma competição de conjuntos de dados (datasets). O vencedor será escolhido baseado no melhor uso de conjuntos de dados fornecidos pelos Data Chairs da ICWSM-12, ou baseado na melhor provisão de um conjunto de dados sobre o qual um artigo aceito foi baseado. Iremos fornecer um servidor para onde os dados poderão ser enviados. Mais informação sobre a competição estarão disponíveis na página de Datasets no nosso website.

Site da Conferência
http://icwsm.org/

Para informações gerais a respeito da ICWSM-12, por favor, escreve para icwsm12@aaai.org.

Comitê

General Chairs John Breslin,NUI Galway

Programme Chairs
Nicole Ellison, Michigan State University
James G. Shanahan, Church and Duncan Group Inc.
Zeynep Tufekci, University of North Carolina at Chapel Hill


Local Chairs
Derek Greene, University College Dublin
Conor Hayes, Digital Enterprise Research Institute

Sponsorship Chair
Meenakshi Nagarajan, IBM

Data Chairs
Derek Ruths, McGill University
Ian Soboroff, NIST

Demos Chair
Alejandro Jaimes, Yahoo!

Social Media / Publicity Chair
Max L. Wilson, Swansea University

Tutorials Chair
Bernie Hogan, Oxford Internet Institute

Workshops Chair
Sofus Macskassy, USC and Fetch Labs

Regional Chairs
Americas: Raquel Recuero, Universidade Católica de Pelotas
Asia Pacific: Hideaki Takeda, National Institute for Informatics
Europe: Jan-Hinrik Schmidt, Hans-Bredow-Institut
Middle East and Africa: Sihem Amer-Yahia, Qatar Computing Research Institute

Webmaster
Ritesh Agrawal, AT&T Labs Research

Local:
Trinity College Dublin, Ireland

Auxílios Estudantis
A ICWSM-12 vai trazer um conjunto maior de auxílios estudantis para ajudar a cobrir os custos de viagem, subsistência e inscrição para a conferência. Mais detalhes serão publicados no site da conferência.

Datas Importantes
Artigos / Posters / Demos
Submissão do resumo: 13 de Janeiro de 2012
Submissão de Artigos completos, posters e demos: 18 de Janeiro de 2012 (meia noite, Horário do Pacífico)
Notificação de Aceite: 27 de Fevereiro de 2012
Artigos prontos para Publicação até: 12 de Março de 2012
Data da Conferência: ICWSM-12, Dublin: 4-8 de Junho de 2012

Tutoriais

Submissão de Propostas de Tutorial: 9 de Janeiro de 2012
Aceites dos Tutoriais: 23 de Janeiro de 2012 2

Workshops

Propostas de Workshop: Submissão até 14 de Dezembro de 2011
Aceites dos Workshops: 6 de Janeiro de 2012
Submissão de artigos para Workshops: 2 Março de 2012
Aceites dos artigos submetidos para Workshops: 16 de Março de 2012
Artigos finais prontos para publicação dos Workshops: até 12 de Abril de 2012


por raquel as 14:19
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[05 de setembro de 2011]

Sobre Memes e Redes Sociais

meme1.jpgHoje decidi mudar um pouquinho o andamento das aulas de Comunicação e Cibercultura e incluir um tópico sobre um assunto que me é muito caro: o tópico dos memes na cultura digital. Acho que é uma aula especialmente legal para os alunos da Publicidade, embora também seja particularmente interessante para quem estuda Jornalismo. Estudando o tema de novo, para poder discutir um pouco (escrevi alguns artigos no passado), lembrei de postar algumas coisas aqui, para quem também se interessa.

A idéia de meme não é nova. A palavra meme, por exemplo, foi usada pela primeira vez no livro "O Gene Egoísta" de Richard Dawkins. A proposta é que as idéias funcionam de modo análogo aos genes. Elas nos utilizam enquanto modo de evoluir e sobreviver. Assim, os memes são pedacinhos de informações, idéias, que são passadas adiante (e aqui está um dos pontos polêmicos da memética: somos meros hospedeiros dessas idéias, que "pulam" de cérebro a cérebro), recombinam-se e transformam-se tentanto sobreviver. E o resultado é que a cultura evoluiu de acordo com a evolução dos memes. E aqui, dois pontos são importantes. O primeiro é que nem todo o meme se espalha por contágio viral e contamina uma expressiva quantidade de pessoas e o segundo é que e nem todo o meme consegue se propagar.

Memes na Internet

Pois bem, com o advento da digital, há uma espécie de registro da evolução dessas idéias. É possível observar talvez de uma forma mais clara quais memes persistem, quais encontram um terreno frutuoso para sobreviver e quais não conseguem se propagar. Isso porque o digital e o ciberespaço em especial têm características importantes. Primeiro, são capazes de armazenar as informações, que persistem circulando (persistência). Depois, esses arquivos são capazes de oferecer a informação de forma idêntica àquela de sua publicação (fidelidade).

Memes e Redes Sociais na Internet

Há um ambiente mais complexo de propagação e recuperação desses memes, gerado pelas redes sociais que estão na Internet. Essas redes, por suas características associativas ou de filiação (ou seja, por estarem constituídas por ferramentas, mais do que por relações sociais) são muito mais amplas. Além disso, suas conexões associativas permanecem ativas mesmo quando os sujeitos não estão online, capacitando-os a recuperar as informações que foram propagadas durante sua ausência. Com isso, há ao mesmo tempo um terreno ainda mais fértil para a propagação e mais competitivo. Há uma simplificação dos modos de colocar idéias na rede e circulá-las, o que aumenta (e muito) a quantidade de memes nas redes e, consequentemente, cria um espaço mais competitivo para que esses consigam replicar-se (a chamada "economia da atenção", de Lahan, que advoga que o recurso em escassez na sociedade contemporânea não é a informação e sim a atenção).

As redes sociais na Internet ofereceram um modo mais próximo de estudo da propagação das idéias, suas recombinações e suas partes. É possível perceber de forma mais nítida como determinados pedaços de uma informação são repassados, recombinados, re-significados e reconstruídos nesses ambientes. Assim, quando se observa a propagação de uma hashtag, observa-se também a propagação de um meme, suas apropriações e suas recombinações. E podemos ver claramente como diferentes memes propagam-se também de forma diferente. Ou seja, através da rede, temos a possibilidade de compreender de forma mais clara como os memes se propagam, ao menos, no espaço digital, bem como de medir essa propagação (embora parcialmente). Esses memes podem ser expressos em brincadeiras, videos, emoticons, hashtags e etc. Quanto mais eficiente o meme, maior a quantidade de referências, apontamentos e reinterpretações que são feitas a ele. (Já discuti um pouco disso aqui.)

Como os memes se propagam?

Para entender a propagação dos memes nas redes sociais, eu defendo que é preciso entender as percepções das pessoas. Por que alguém propaga uma determinada informação? Minha proposta é que as informações nas redes sociais online são propagadas com base na percepção de valor que elas contém. Ou seja, o que motiva as pessoas é a percepção do ganho social que obterão com a divulgação ou replicação ou publicação de uma informação. Para mim, esse valor chama-se capital social. Assim, um meme pode ser passado adiante porque é engraçado (meus amigos vão gostar, logo receberei alguma valorização da rede por tê-lo repassado), porque é relevante p/ a sociedade, porque é interessante a um determinado grupo etc. Eu, enquanto propagadora do meme, busco reputação, visibilidade, popularidade, influência e etc. Compreender os valores que um meme inspira num grupo social é, para mim, o modo de compreender e até mesmo, prever como irá se propagar. Importante perceber também que esses valores podem ser diferentes de cultura a cultura, de grupo social a grupo social. E que a complexidade das redes (e sua consequente exposição a um número maior de memes) também influencia essa propagação.
por raquel as 07:55
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[22 de agosto de 2011]

Para que se presta estudo de redes sociais na Internet?

Thumbnail image for pelanzainvejafollows1.jpgContinuando o post sobre mapeamento, acho relevante também chamar a atenção para quando estudar redes sociais e que tipo de resultados esperar deste estudo. Esses dois elementos são relevantes para uma decisão metodológica de como abordar um determinado problema. Mas antes de mais nada, eu queria apontar que nem todo o estudo de mídia social necessariamente precisa de um estudo de redes sociais. É possível fazer uma netnografia da mídia social, por exemplo, quando alguém quer entender como se dá a apropriação dessas ferramentas por determinados grupos. O problema dessa confusão está no fato das pessoas chamarem de "redes sociais" aquilo que é simplesmente uma ferramenta: os sites de rede social. Esses sites publicizam as redes sociais mas, em si,não necessariamente representam essas redes. O termo "mídia social", já defendi, refere-se às potencialidades comunicativas proporcionadas por essas ferramentas, que apresentam conexões mais permanentes entre as pessoas e, portanto, canais que estão também sempre abertos para o envio de informações. As redes sociais na Internet, assim, são representações, presentes nessas ferramentas desses grupos sociais e dessas relações. Entretanto, estudar essas redes nem sempre traz a solução para um problema de mídia social. Neste post, vou discutir um pouco do que dá para fazer com esses estudos e quais seriam os focos principais (na minha opinião).

O estudo das redes sociais é um estudo cujo foco está na estrutura das relações sociais. Assim, presta-se para trabalhos onde se quer estudar essa estrutura e se quer analisar elementos que saiam daí. Assim, necessariamente, é preciso um foco que traga os atores (nós) e suas conexões (laços sociais). Se o foco do trabalho, por exemplo, for simplesmente discutir como as pessoas constróem seus perfis ou por que fazem parte de determinadas comunidades, o estudo da rede social pode não ser interessante. Então a que se prestam esses estudos?

  • Estudos de difusão de informações - Aqui busca-se estudar como os laços sociais funcionam como canais informativos, e como as informações que circulam nessas conexões afetam a rede. Assim, são exemplos: Mapeamento de como uma determinada informação circula por determinados grupos sociais (por exemplo, como um grupo organizou um movimento no Twitter; como uma determinada hashtag espalhou por um determinado grupo;etc.); Mapeamento da influência de elementos do grupo nessa difusão de informações (por exemplo, influenciadores, modismos, como determinados atores bloqueiam ou possibilitam a circulação da informação e etc.).
  • Estudos de conversação - Busca-se entender como acontece a conversação na rede e como as conversações acontecem entre os atores (o foco pode estar, por exemplo, na formação dos laços sociais). Quem fala com quem, como se organiza a conversação em rede, de quem e para quem se fala, quem fala mais e quem fala menos, como se constrói o contexto dessa conversação e etc. são exemplos desse tipo de foco.
  • Estudos de sociabilidade - Busca-se entender como se formam e quais os impactos dessas redes em determinados fenômenos sociais e nas interações e relações sociais entre os indivíduos. Aqui, o mapeamento da rede é importante para se entender como as pessoas formam grupos sociais online e como esses grupos influenciam, em retorno, os indivíduos . Exemplos: estudos do surgimento de comunidades (clusters) nessas redes, estudos de como as pessoas percebem as conexões sociais, estudos focados no impacto desses laços na interação do grupo e etc.


É importante salientar que esses não são os únicos focos mas, na minha opinião, são alguns dos principais. Para cada um deles é possível criar abordagens qualitativas e quantitativas e que podem abarcar uma quantidade de outros métodos em conjunto com o foco nas redes sociais. O método mais usado (mas não o único) para esses estudos é a ARS (análise de redes sociais). Mas também é possível realizar um mapeamento com análise de conversação, com netnografia e mesmo com outra perspectiva metodológica.
por raquel as 08:32
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[18 de agosto de 2011]

"Desculpe senhora, mas não posso lhe ajudar"

Hoje não tem texto sobre Mídia Social. Desculpem, leitores. Hoje tem um protesto e uma história. Ontem, como alguns sabem, eu tinha que palestrar sobre "Jornalismo e Redes Sociais" (que preparei com todo o carinho, com alguns resultados bem legais que já pincelei aqui no blog) no 3o Seminário de Ciberjornalismo da UFMS, a convite do professor Gerson Martins. Digo "tinha" porque, mais uma vez, acabei impedida de viajar pelo caos e incompetência das cias aéreas e, em especial, da TAM. Sim, porque não é o primeiro evento que eu perco porque deu problema com o vôo mas é aquele onde o nível da coisa foi longe demais.

Depois de quase 4h de viagem de Pelotas a Porto Alegre, cheguei no aeroporto para descobrir que a TAM tinha cancelado o meu vôo, JJ 3288 que era para sair as 11:42 da manhã. (Diz a TAM que avisou a agência que comprou a passagem. A agência diz que jamais recebeu qualquer comunicado da companhia e que caberia multa e processo.) Bem, eu tinha que ir a SP, onde pegaria uma conexão p/ Campo Grande, onde a palestra estava marcada p/ as 19h. Descobri que tinha erro no vôo quando fui fazer o check in no terminal. O funcionário dali, então, me mandou p/ a fila do balcão, alegando que só as pessoas dali poderiam resolver o meu problema. Sim, fiquei na fila. A atendente do balcão foi educada, mas me disse que, via TAM, eu só conseguiria chegar em Campo Grande hoje as 23:30. Eu fiz um escândalo falando do meu evento e ela foi procurar lugar via outras companhias. Depois de um tempo, informou que não havia nenhum jeito. Só teria lugar em um vôo GOL que chegaria apenas as 21:30 em Campo Grande. Eu argumentei, reclamei, falei que era um abuso. E não adiantou. Não pude ir, deixei um evento inteiro me esperando, arruinei a perfeita organização do pessoal do Ciberjornalismo e ainda frustrei as pessoas que tinham ido assistir minha palestra (algumas, espero).

O que me deixou mais brava, entretanto, foi que a agência que comprou a passagem me ligou algumas horas depois, para dizer que tinha sim lugar em um vôo da Azul que saia de POA as 13 e pouco e que eu teria chegado em Campo Grande a tempo. E que teria ainda outro vôo da GOL com vagas que também me levaria a Campo Grande antes daquele que tinham me dito no balcão da TAM. Daí vocês podem imaginar o tamanho da minha frustração. E é por isso que escrevo esse post. Eu, que dependo com freqüência do transporte aéreo para trabalhar, não aguento mais a emblemática frase que pra mim, hoje, é sinônimo da TAM: "Desculpe senhora, mas não posso lhe ajudar". Sim, porque é um favor ajudar o consumidor na TAM. E quando não há tempo, treinamento ou interesse, as coisas ficam por isso mesmo. Cancelam o vôo e te mandam embora dizendo para pedir reembolso. E o meu tempo, TAM? E o evento? E as pessoas? Ah, isso não é importante.

Esse não é o meu primeiro problema com a TAM. Mas foi só eu reclamar no Twitter para aparecer outros vários consumidores indignados com problemas muito parecidos com a TAM. Aparentemente, isso tem acontecido com muita gente. E, aparentemente, ninguém na companha se importa. Eu posso ser uma só, mas digo pra vocês, não mais voarei, se puder evitar, de TAM. Obviamente que a TAM está andando pra mim, já que eu sou só uma. Mas chega. Não aguento mais chegar no aeroporto sem saber se vou conseguir voar (apesar da passagem comprada), perder eventos e compromissos e frutrar outras pessoas. Imprevistos acontecem. Mas quando viram a norma, algo está errado. E sim, um imprevisto pode ter seu impacto reduzido ao máximo com um bom atendimento ao consumidor que, no final das contas, está pagando.

Era só esse o #mimimi. Voltamos com a nossa programação normal no próximo post.
por raquel as 08:26
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[15 de agosto de 2011]

Mapeando Redes Sociais na Internet: Softwares

Thumbnail image for gtciberfotinhos.jpgTenho recebido vários emails de pessoas que querem mapear redes para seus trabalhos. Ao invés de responder todo mundo um a um, vou tentar fazer um post referenciando a maior parte das dúvidas. Claro, dúvidas gerais porque não vou conseguir responder detalhe a detalhe aqui. Já fiz um post sobre o que é preciso pensar quanto ao mapeamento vou revisar alguns softwares aqui.

Primeiro, é preciso delimitar pra que se quer um mapeamento. Esse tipo de dado serve para algumas coisas, mas não para todas.Por exemplo, mapear como uma determinada informação é repassada na rede faz sentido. Mapear uma rede para dizer que a informação se difunde, não. Então, é preciso primeiro verificar se o método serve para o problema que se deseja investigar. Depois, é importante que se tenha em mente que tipo de estudo você vai precisar fazer (qualitativo ou quantitativo). A partir disso é que você vai poder escolher que software vai usar. Além disso, esses softwares, em geral, funcionam mais para pesquisas quantitativas do que qualitativas. Mas, como eu disse, tudo depende do foco.

Softwares de Coleta de Dados

Cada site de rede social tem um formato próprio, uma quantidade de dados disponíveis próprias e tenha em mente que, na maioria, é proibido usar softwares para coletar dados (conhecidos como crawlers). Por exemplo, o Orkut e o Facebook banem contas que tenham sistemas assim associados. É preciso ler os termos de serviço (TOS). Alguns sites permitem, desde que você use dados públicos e respeite os limites de requests (acessos) por hora. De um modo geral, como cada site tem um formato, não existem crawlers universais para todos, mas sistemas que funcionam em um ou outro site.

Twitter: É o mais fácil de usar softwares prontos e há vários disponíveis online: o NodeXL (crawleia redes de menções, seguidores e tweets e tem junto um software de ARS) e o 140kit (que tem algumas ferramentas de visualização legais, mas que atualmente está sem o acesso ao crawler). Além disso, tem uma porção de outras ferramentas que ajudam a coletar dados, geradas em cima da API aberta, como o WhoReTweetedme do Hubspot, que faz ranking de RTs ou o Trendistic que mostra um gráfico da evolução de uma determinada informação no tempo.

Entretanto, tenham em mente as limitações do TOS (Terms of Service) do Twitter. Essas limitações impedem que você tenha acesso a tweets do passado, ou que tenha acesso a datasets da ferramenta (ou que os publique). Assim, a menos que você esteja coletando informações relativas a um evento enquanto ele acontece, vai acabar perdendo coisas. Mesmo coletando informações enquanto o evento acontece, tweets são perdidos por outras limitações: por exemplo, o limite de requests por hora; o limite de tweets que podem ser buscados e etc. Esses limites todos ficaram bastante draconianos depois do início de 2011 e há várias pesquisas que não são mais possíveis de ser realizadas ali. Então, é preciso coletar dados hoje para usar no futuro. Aliás, uma das vantagens do Twitter é que há várias ferramentas que auxiliam na coleta de dados por conta da API aberta. Assim, por exemplo, tem o Twapper Keeper que pode "guardar" tweets para você. E há ferramentas como o 140kit que permitem (ou estão tentando permitir) que pesquisadores tenham acesso a tweets do passado, principalmente através de coleções que outros pesquisadores fizeram (ao menos, por enquanto).

Flickr e YouTube: O NodeXL também faz algumas buscas no Twitter e no Youtube. É mais limitado, mas dá para obter alguns resultados legais.

Orkut, Google+ e Facebook: A melhor estratégia é fazer um aplicativo para a pesquisa. São muito fechados para crawlers, proibidos pelo TOS porque ferem o anonimato dos usuários e têm poucas informações públicas.


Também é possível coletar dados de forma qualitativa. Quando você quer coletar uma rede pequena, dá pra coletar manualmente. Dá trabalho, mas é mais exato também que o uso de softwares que sofrem com as limitações dos SRSs. Escrevi sobre isso aqui, focando a coleta de dados para a conversação.

Analisando os dados

Se você quer focar a análise de redes sociais e fez uma coleta quantitativa, vai precisar de um software que ajude a construir sua análise. Há vários softwares que fazem esse tipo de análise de redes: o Pajek (entre os mais populares), o NetDraw, o NodeXL que já falei acima, e outros. O objetivo aqui é extrair informações que ajudem você a estudar os dados. Se seu foco for outro, como análise de conversação, por exemplo, você precisa de um crawler que pegue os tweets e precisa analisar cada um deles. Ou seja, o seu problema de pesquisa é que vai determinar o que você vai fazer e como vai desenvolver a análise e, em cima disso, quais softwares você vai precisar.

Visualização

Para montar as redes, há softwares de visualização, que fazem os mapeamentos a partir dos dados que você coletou e vão ajudar na análise. A maior parte dos softwares que faz análise tem alguma ferramenta de visualização, mas tem algumas que são específicas para isso, como é o caso do Gephi e o GraphStream. No caso, essas ferramentas permitem que se explore as redes, visualizando elementos que são considerados mais essenciais. Esse artigo da Wikipedia faz uma ótima lista de softwares de análise e visualização de redes sociais.

Em um próximo post, vou tentar falar um pouco mais de análise de redes sociais e de suas potencialidades. Por enquanto, ficamos só nos softwares e nos procedimentos onde eles podem auxiliar. :)
por raquel as 08:58
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[09 de agosto de 2011]

Pôneis e outros memes, TTs e Contexto

ponei.jpgUltimamente tenho visto, cada vez mais, as pessoas comentando que uma ou outra marca "tem sucesso" nas redes sociais quando tem um grande número de menções ou quando algo a seu respeito é "viralizada". E eu sempre fico pensando se há um acompanhamento mais crítico do que significa isso. Do meu ponto de vista, esta é uma maneira muito simplista de ver as coisas. A comunicação humana é complexa. O fato de alguém estar falando da sua marca ou ter um determinado meme a seu respeito circulando não é automaticamente algo bom.

Sobre memes

Memes são idéias, padrões de informação, que circulam "mente a mente". A ciência que estuda isso é a Memética (vide Richard Dakins, Susan Blackmore e outros) e o objetivo é entender as formas culturais como análogas aos sistemas biológicos, passíveis de evolução, onde os memes são análogos aos genes. Isso significa que nem todo o meme é necessariamente viral. Vários memes são perdidos na "corrida evolutiva". Um meme viral é um fragmento de informação que conseguiu se reproduzir no caldo cultural de forma mais eficiente. O meme também raramente permanece o mesmo. Enquanto é absorvido pela cultura, ele muta, transforma, adquire novos sentidos, é associado com outras idéias, descarta pedaços. O meme pode existir sobre os conceitos mais diversos e mais diferentes e gerar sentidos que não foram imaginados na sua origem. Bem, essa é a idéia acadêmica em cima da coisa. Na prática, o que isso quer dizer?

É preciso entender o contexto

Os memes nem sempre significam o que queremos que signifiquem. São orgânicos, criam novos contextos e juntam-se com novas idéias. Por isso, entender o contexto em que esse meme circula é fundamental. Imaginemos que sua marca é uma das mais citadas no Twitter. Isso é bom? Nem sempre. É preciso analisar o contexto dessas citações. Memes são mutantes, e as pessoas que os reproduzem, capazes de gerar novos sentidos a seu respeito. Contextos sobre os quais você às vezes não tem controle, perpassam as comunicações nessas ferramentas. No domingo a noite, por exemplo, enquanto o Lollapalooza transmitia o show do Foo Fighters via YouTube ao vivo, uma quantidade imensa de pessoas comentava, "cantava" e falava da banda. Enquanto isso muitos outros usuários logavam e "pegaram o bonde andando" e perguntavam por que todos comentavam sobre a banda. Ou seja, faltava-lhes contexto para entender o que acontecia.

O contexto é algo extremamente complexo de ser recuperado na mediação do computador, porque é dinâmico, e existe em macro e micro escala. Na micro escala é construído durante a interação, pelos atores, que vão dando "pistas" do sentido que estão construindo. Na macro, o contexto é também sistêmico, dependente das interações anteriores, do universo de sentidos que cada ator domina, da história e da cultura de cada um. No caso do Foo Fighters, faltava o "histórico" do assunto, faltava o conhecimento de parte do macrocontexto. Ou seja, o fato de todo mundo estar falando da banda não necessariamente refletia no festival e na sua organização. Para muitos, aconteceu apenas a coincidência de algumas pessoas falarem do Foo Fighters.

No meme viral, partes são descartas e re-significadas

Contexto também é elemento de sentido para os memes que é alterado nos processos de difusão de informações. E marcas também podem ser memes, associando-se a fragmentos de informação e tentando criar contextos e sentidos novos (que é parte do trabalho da Publicidade e do Marketing). Só que o domínio do contexto é muito difícil. Assim, quando uma informação como "Não é assim, uma Brastemp" viraliza*, você tem um contexto que precisa ser universalmente percebido para que sua campanha atinja o resultado que se espera. As pessoas precisam apropriar esse meme e seu contexto nas suas interações cotidianas até que "Brastemp" vire sinônimo de "coisa boa". No caso, toda a fala foi viralizada. Quando isso acontece, temos um meme viral que tem resultados positivos para outro meme - a marca. A apropriação foi legal para a marca, construindo um sentido discursivo positivo que virou contexto para outras falas. Agora vamos pensar em outro exemplo, bem mais atual: os pôneis. Interessantemente, temos dois fragmentos aqui: os bichinhos e o produto. Os pôneis viralizaram. Viraram sinônimo de "não conseguir tirar da cabeça". Viraram trending topic. Geraram contextos novos, novos filmes, paródias, charges, têm vida própria. Mas... e o produto? Quantas pessoas lembram do nome do carro que foi anunciado?

A estratégia pode ser tornar o pônei um viral e depois usar para conectar na marca. Não sei. Mas o fato do pônei ter viralizado não significa que a marca também tenha e muito menos, que o resultado isso vai ser bom para a construção do contexto da marca. E é esse sentido que influencia a decisão de compra final. Se eu for comprar um produto hoje e ficar em dúvida entre duas marcas, o que vai pesar nessa decisão? Primeiro e sempre, recomendação. Segundo, minhas "impressões" sobre a marca, ou seja, os "ecos" dos sentidos construídos a respeito dela que sou capaz de acessar. Os fragmentos dos memes que ficam na minha cabeça e que constróem contextos positivos a respeito da marca. A viralização da Brastemp tem um claro efeito sobre isso ("brastemp é melhor"). Os pôneis, nem tanto.

Na apropriação, os contextos são modificados. Ou seja, para viralizar uma informação, é preciso ter em mente que ela passa por um processo "evolutivo" e que partes da informação são modificadas, partes são descartadas. Especialmente se você pegar partes muito fortes e muito fracas, a tendência é que só uma parte viralize. Por exemplo, dê uma busca pelas imagens dos "pôneis malditos". Certamente você vai encontrar centenas de reinterpretações da idéia da "maldição". Mas nenhuma (ou quase nenhuma) do produto, que acabou sendo a parte "descartada" da informação, o meme que não sobreviveu.

Tudo isso para dizer que conseguir um meme viral nem sempre é o que se precisa e nem um sinônimo de sucesso numa campanha. Tudo depende do resultado desejado. Por isso que chamo a atenção para pensar criticamente esses processos e entender como os memes funcionam e como o sentido pode ser construído (e alterado!) atraves deles.



* Cito deliberadamente a Brastemp para mostrar também que viral não é sinônimo de Internet. Idéias já tornavam-se virais (ou memes) muito antes do advento do digital. O digital potencializa o fenômeno.
por raquel as 09:08
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[08 de agosto de 2011]

III WAIHCWS – Workshop sobre Aspectos da Interação Humano-Computador para a Web Social

O III WAIHCWS acontece durante o IHC+CLIHC’2011 Simpósio Brasileiro de Fatores Humanos em Sistemas Computacionais (IHC) e Congresso Latino-americano de Interação Humano-Computador (CLIHC), em Porto de Galinhas - PE, de 25 a 28 de Outubro de 2011. A proposta é bem interdisciplinar e foca trabalhos de várias áreas que se enquadrem nos tópicos de interesse relacionados abaixo. Segue a ementa da proposta:

"A Web Social faz parte das transformações que têm redefinido a forma como as pessoas se relacionam, utilizam e são afetadas pela tecnologia. Nos softwares sociais, os usuários interagem, se comunicam, criam, organizam e compartilham conteúdos demonstrando as oportunidades e o conhecimento que podem ser gerados pelo trabalho conjunto e pela interação em massa. Tais sistemas apresentam desafios relacionados à organização, recuperação e apresentação da informação, bem como aqueles relacionados à infraestrutura e mídias.

A terceira edição do WAIHCWS se propõe a oferecer um espaço de discussão sobre o tema “do social ao técnico e do técnico ao social: fatores organizacionais e culturais na Websocial”. O tema remete a reflexão sobre as influências que os sistemas sociais sofrem a partir das questões culturais e das demandas de cada domínio específico (entretenimento, educacional, governamental etc) e como os sistemas são re-significados pelos sujeitos e seus sentidos são construídos e negociados socialmente (do social ao técnico). Também remete a via inversa que contempla o impacto que esses sistemas provocam nos grupos que os utilizam (do técnico ao social).

Os tópicos de interesse incluem, mas não estão restritos a:

  • * Métodos de design e de avaliação de softwares sociais;
  • * Fatores, características e medidas de sucesso de softwares sociais;
  • * Fatores organizacionais em softwares sociais;
  • * Teorias e mecanismos de incentivo à participação e colaboração dos usuários;
  • * Aspectos culturais e de apropriação, emocionais e afetivos em softwares sociais;
  • * Comunicação, colaboração, compartilhamento e confiança em softwares sociais;
  • * Identidade, privacidade, segurança e reputação em softwares sociais;
  • * Usabilidade e acessibilidade em softwares sociais;
  • * Memória e Propriedade em softwares sociais;
  • * Emergência e aproveitamento do Conhecimento Social".


A submissão é até quinta (11/08), mas talvez aconteça uma extensão de prazo. Mais informações no site do workshop.
por raquel as 11:05
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Jornalismo e Redes Sociais: Legitimação, Filtragem e Aprofundamento

21165559_Twitter-Journalism.jpg A intersecção entre Jornalismo e Redes Sociais está cada vez mais complexa. Recentemente, o Facebook começou a olhar com mais carinho para os jornalistas. Fez um grupo (o Facebook+ Journalists) e, inclusive, lançou uma cartilha chamada "Facebook Journalism 101" (focado principalmente na questão técnica de como dividir histórias, construir perfis e etc.). Um dos focos da companhia parece ser aquele de reconhecer a importância dos processos de difusão de informações, tentando gerar um espaço semelhante ao Twitter nessa apropriação. Essa e outras ações me motivaram a pesquisar um pouco como o jornalismo está acontecendo nas redes sociais, fundamentalmente do ponto de vista da difusão de informações. Será que as informações jornalísticas são difundidas de modos diferentes? O que faz uma notícia nas redes sociais? Será que o jornalismo realmente morreu?

Para tentar entender esses processos, iniciei um mapamento via NodeXL+ Migre.me no Twitter no início do ano e depois passei a explorar algumas hashtags noticiosas. Várias coisas interessantes surgiram. Uma parte desses apontamentos está em um artigo que enviei pra um congresso recentemente. Pensei, assim, em discutir um pouco aqui algumas coisas que estão aparecendo, de um modo especial, algumas funções que parecem ser atribuídas ao jornalismo nesse espaço, de forma, é claro, simplificada.

Uma das primeiras funções que apareceu nos dados foi a função de legitimação. Por exemplo, mapeando tweets relacionados com eventos noticiosos (vou exemplificar aqui dois, a morte da cantora Amy Winehouse e os atentados em Oslo), vê-se claramente que há dois tipos de tweets: aqueles que dizem que algo ocorreu e pedem mais informações e aqueles que difundem informações supostamente relacionadas com o fato. Dentro dessa segunda categoria, os tweets de veículos jornalísticos parecem ser aqueles que são mais retuitados e comentados. Ou seja, o furo não é dado pelo veículo (todo mundo está sabendo que algo ocorreu), mas a legitimação da notícia, sim (mas ficam esperando um veículo jornalístico "confirmar" o evento).

oslo2.png

Essa primeira imagem mostra alguns dos primeiros tweets a respeito dos atentados em Oslo que usaram a hashtag ou a palavra "Oslo". No centro, em vermelho, está um dos primeiros veículos a noticiar o fato, o @SkyBreakingNews. Note-se a quantidade de tweets buscando informações, sem referência a ninguém (conexões).

oslo3.png

Essa segunda imagem já mostra as informações relacionadas a hashtag #Oslo ou usando a palavra Oslo algum tempo depois. Note-se que o veículo jornalístico (mesmo nó vermelho central) torna-se ainda mais central no grafo, com mais referências e mais citações a ele. Há outros veículos no grafo já sendo citados também (notadamente, outros nós com bastante conexões). O principal valor, aqui, do jornalismo, é aquele da credibilidade, de legitimar o evento como fato.

A segunda função é aquela de aprofundamento. Ok, todo mundo sabe que alguma coisa aconteceu, milhares de informações foram repassadas sobre isso. Mas as pessoas querem saber os detalhes: o impacto, a ação da polícia, o número de mortos e etc. Esses detalhes também são procurados nos veículos jornalísticos e são repassados a partir deles. Aqui, outro exemplo relacionado com as notícias da morte da Amy. Ainda já várias horas depois da morte da artista, retweets e informações relacionadas com o evento, dadas por veículos eram aquelas mais repassadas.

amy3.png

O nó vermelho central aqui é a @RollingStoneBR falando da autópsia da cantora. Entre outros veículos que apareceram no mapeamento no final do dia, estão veículos relacionados com a música (por exemplo a @MTVnews entre outros).Relacionada com essa função está aquela de filtragem, ou seja, do jornalismo filtrar as informações que têm fundamento daquelas que não têm. Quando os dois fatos apareceram no Twitter, imediatamente diversos boatos passaram a circular, bem como informações falsas e links maliciosos. Talvez daí o reforço do valor credibilidade para os veículos jornalísticos e para o jornalismo de tabela.

Há mais o que discutir, mas fica para outro post. O que se observa, com esses primeiros apontamentos, é que o jornalismo retém para si a função principal de filtrar, dar crédito e legitimar os eventos noticiosos, declarando o que é e o que não é. Ou seja, observa-se uma manutenção do lugar de fala do jornalismo enquanto reprodutor daqueles discursos que "precisam" ser ouvidos. Em um mundo de liberação do pólo emissor e de horizontalização das informações, isso é curioso, porque mostra que continuamos dando ouvidos (ou lendo, como queiram) as velhas fontes de sempre. De uma certa forma, também aponta para relfexões com relação ao informational overload e à atenção como recurso escasso por conta dessa imensa quantidade de informações circulando.

Apesar das possibilidades de participação dessas ferramentas, as notícias que vêm por outras vias necessitam de alternativas para alcançar níveis de difusão semelhantes àquelas dos jornais. Ou um grande hub com muita crediblidade, por exemplo, ou uma grande quantidade de pessoas reforçando a informação. Da grande maioria das notícias mais repassadas e links que atingem nós mais distantes da rede que eu consegui coletar estão apenas notícias dadas por veículos. Curioso, não? Mas é assunto para outro post que este já está imenso. :) E claro, o próximo passo é investigar como essa legitimação acontece no Facebook. A julgar pela "cartilha" deles, o processo é bem semelhante. E outro post também é merecido com o foco no que as redes fazem pelo jornalismo (e não o que o jornalismo faz pelas redes), sobre o que já escrevi há alguns anos.
por raquel as 07:59
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[07 de agosto de 2011]

Palestras de Agosto

folheto_a2.jpgEssa semana, estarei em Chapecó, na UnoChapecó, a convite do amigo Érico Assis, palestrando com o Ricardo Araújo sobre as intersecções entre as Ciências Sociais e a Computação no estudo das Redes Sociais na Internet. O evento vai ser na sexta, dia 12, as 19h. A idéia é falar um pouco dos conceitos básicos e das perspectivas de estudo, mostrando como o estudo das chamadas "mídias sociais" é um estudo interdisciplinar, que precisa de focos de ciências diferentes e do uso de métodos diferentes. Pretendemos também mostrar um pouco do que pode ser feito nessa área. Aqueles que vivem perguntando como se mapeia uma rede vão gostar. :) Quem estiver por lá, dê um alô.

No dia 17, as 19h, estarei em Campo Grande, participando do 3o Seminário de Ciberjornalismo, na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, a convite do amigo Gerson Martins. No seminário, vou falar um pouco sobre o jornalismo e redes sociais na Internet. O foco vai ser mais com relação ao que tenho feito com relação aos papéis do jornalismo nos processos informativos nas redes sociais na Internet. Especificamente, quero discutir dados que tenho coletado a respeito da difusão de notícias na Internet e o processo de legitimação dessas notícias por parte dos veículos jornalísticos. Pessoal da região centro-oeste, venha dar um alô!
por raquel as 20:43
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[21 de julho de 2011]

As Redes são as Mensagens: Centenário de Marshall McLuhan

mcluhan-5301.jpgUm dos teóricos que mais impactou a minha formação, quando ainda estudante de graduação, foi o Marshall McLuhan. Na época, considerado por muitos um "guru" (que academicamente pode ser um termo bem pejorativo) e por ainda outros um pensador "ultrapassado", McLuhan era pouco estudado. Ao contrário, a maior parte dos trabalhos/estudos era focada na chamada Escola de Frankfurt e nos pensadores denominados mais "críticos" da mídia (que têm seus méritos). Mas eu sempre gostei do McLuhan e lembro de ter ficado muito impressionada na primeira vez que li "Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem", a primeira obra com a qual tive contato. Pois bem, embora muita coisa do pensamento mcluhaniano hoje seja considerado "lugar comum" na pesquisa, McLuhan foi capaz de traçar caminhos e perceber coisas que ainda hoje estamos tentando delimitar e compreender melhor. Escrevi há alguns meses um texto discutindo algumas das idéias dele no contexto das redes sociais na Internet e hoje, na data do centenário do nascimento, decidi comentar brevemente essas idéias aqui.

As Redes são as Mensagens Um dos aportes que eu considero particularmente relevante do McLuhan é a sua idéia de que "o meio é a mensagem". Ou seja, o meio é tão relevante que é capaz de influenciar sim a percepção do conteúdo da mensagem. Essa idéia, voltada, na época aos meios de comunicação de massa, parece-me muito mais relevante hoje. Por isso, a rede é a mensagem.

As redes sociais na Internet são redes de pessoas que estão interconectadas por sistemas que permitem que essas conexões sejam vias permanentes de informação. Assim, mesmo quando não estamos "conectados" (embora o evento da desconexão seja cada vez mais raro) estamos recebendo informações que serão acessadas depois. Só que as topologias dessas redes, emergentes das ações individuais dos atores, são extremamente relevantes não apenas para os tipos de informação que circulam, mas igualmente, para a visibilidade e a percepção dessas informações. Assim, as diferentes topologias das redes sociais na Internet às quais você está ligado influenciam a sua percepção das mensagens recebidas e, igualmente, as próprias mensagens. Por exemplo, imagine que você recebe, via Twitter, a informação de que Barack Obama sofreu um atentado e morreu. O que influencia sua percepção dessa mensagem? Várias coisas. Por exemplo: Quem disse isso? Há confirmação de algum jornal? Há mais gente falando nisso? E, dependendo de como você percebe esse conteúdo (é uma piada? é uma notícia? é uma brincadeira? é uma promoção? é spam?), há efeitos. Por exemplo, você pode decidir repassar essa informação para seus seguidores. Você pode decidir comentar isso no seu blog. Você pode reportar a mensagem como spam. Assim, mais importante do que a própria mensagem (conteúdo) é o meio através do qual você a recebe e sua percepção desse meio.

Efeitos do Meio na Mensagem (e vice-versa)

Assim, o modo através do qual as redes sociais online difundem informações tem efeitos variados. E em um artigo que escrevi sobre isso, que espero que seja publicado logo, discuti alguns desses efeitos do "meio" redes sociais. Alguns desses efeitos:
  • Cascatas - São fenômenos onde uma determinada informação vai sendo repassada e crescendo na rede, em um efeito "cascata". Ocorrem quando os atores na rede vão se influenciando e repassando uma informação porque os outros também estão comentando a mesma informação. Quanto mais gente publica a informação, maior a tendência de que você também o faça. As cascatas podem ter efeitos positivos e negativos, fazendo tanto com que informações relevantes cheguem a pontos mais distantes da rede quanto fazendo com que boatos se espalhem mais rapidamente. (Algumas hashtags são exemplos dessas cascatas.)

  • Descentralização e Filtragem - As redes sociais online descentralizam a produção de informações e atuam também como filtros, permitindo que informações diferentes cheguem aos demais atores. Assim, as redes podem não apenas apropriar mensagens e deturpar seu conteúdo (por exemplo, a #MarchaAnticanhotismo), mas igualmente mobilizar, espalhar e filtrar. Essas dinâmicas de rede também influenciam o sentido daquilo que é transmitido, dando visibilidade para determinadas informações em detrimento de outras. É a rede que faz o conteúdo visível, portanto (TTs no Twitter são um exemplo dessa filtragem).

  • "Públicos em rede" - Outro efeito é com relação à mídia de massa. Os públicos em rede são públicos que discutem, debatem e que vão propagar informações de acordo com suas percepções e idéias. Eles influenciam também a compreensão de uma mensagem, na medida em que vão colocando posicionamentos, idéias e comentários ao repassá-las. (Por exemplo, um retuíte que é comentado pelo ator que o repassa tem efeitos diferentes no sentido da mensagem original, gerados pelo meio "redes sociais".)

  • O conteúdo é outro meio - Essa é outra máxima mcluhaniana. Quantas mensagens você recebe que são constituídas de outro meio? Milhões. Por exemplo, uma grande parte dos tweets é composta de uma informação+ um link. O link é outro meio. O site onde a informação está publicada é outro meio. O conteúdo é influenciado pelas redes, que, por sua vez, são influenciadas pela percepção do conteúdo. Memes são outro exemplo dessa máxima.


Assim, as redes sociais influenciam muito mais do que o modo através do qual as informações são difundidas na contemporaneidade. Influenciam também o conteúdo dessas informações, sua semiose e sua percepção. E os atores, individualmente, são influenciados e influenciam esses processos, que de forma sistêmica, são constituídos como maiores que a soma dessas ações. :)
por raquel as 08:40
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[20 de julho de 2011]

Adição Unilateral e Google+: Meus dois centavos

Então começa a se desenhar aquele que eu acredito que vai vir a ser o principal problema do G+: a adição unilateral. Explicando: no G+, o princípio é o mesmo do Twitter, ou seja, as pessoas podem "seguir" você sem que isso, necessariamente, seja recíproco. Você pode bloquear o seguidor, mas não tem a opção - como no Twitter - de tornar seu perfil privado. No Twitter, essa adição faz sentido porque o principal valor ali é o acesso à informações novas, que é provido, justamente, pelos nós que não fazem parte dos clusters (os chamados laços fracos, no trabalho do Granovetter). Em outras palavras, são as pessoas que não estão próximas de você que são capazes de prover mais informações novas para a sua rede social, porque as informações dos seus amigos tendem a ser rapidamente espalhadas no cluster e tornar-se conhecimento comum.

Pois bem, em outros sites, cujo valor é mais focado na manutenção das conexões sociais (p/ citar o trabalho já conhecido de Ellison, Steinfield e Lampe), como o Facebook (e eu incluiria o Orkut), o tipo de informação que você quer receber é outro. Você não quer saber de promoções, de notícias ou de novos produtos. Você quer saber o que seus amigos estão fazendo, o que estão lendo e o que estão achando engraçado. Aí, é importante que você filtre quem adiciona na sua rede e quem te adiciona, para poder manter a privacidade de determinadas informações e mesmo, do seu perfil.

O G+, pela sua estrutura (círculos), parece direcionar a apropriação nesse sentido, mas apresenta o princípio da adição unilateral do Twitter. Ou seja, as pessoas podem adicionar o seu perfil a seus círculos e você, se não quiser, precisa ir bloquear. Ou seja, a adição acontece a menos que exista uma ação da sua parte. Com isso, enquanto você não bloqueia um por um desses usuários, fica recebendo notificações a respeito de informações que eles estão dividindo com você. (E não estou falando em notificações por email apenas, mas notificações no sistema mesmo, aquelas do sinalzinho vermelho.)

OK, isso não é uma coisa que complica o uso no princípio, você até se dispõe a bloquear e tal. Mas o que acontece quando mais gente entrar? Quando mais perfis de empresas, produtos e serviços entrarem? Você vai ter paciência de ir bloqueando um por um em dezenas e centenas de adições diárias? E enquanto isso, as informações relevantes p/ você vão ficando "escondidas" nesse mar de spam (por exemplo, amigos que você quer saber que entraram no G+ ou que te mandaram algo legal). Qual é o risco? O risco é perder espaço para o spam e perder valor para o usuário por conta da dificuldade de encontrar o que é relevante pra ele. A mim, parece um risco bem complicado, que poderia ser facilmente reduzido com a opção de permitir que os usuários ACEITEM os seguidores ou possam fazer um perfil privado. E digo isso porque não sei como anda agora, mas na época do Orkut, o time do Google tinha grandes dificuldades em mapear contas fakes e spammers qdo o Orkut passou a crescer exponencialmente. E é um desafio grande ainda hoje, para a maioria dos sites de rede social. Mas vá lá que tenham um plano, né? :)
por raquel as 11:17
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