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    <title>Raquel Recuero</title>
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    <title>Conversações sobre a &quot;baleia azul&quot; no Twitter</title>
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    <published>2017-05-01T23:29:34Z</published>
    <updated>2017-05-02T00:09:04Z</updated>

    <summary>É bastante interessante verificar como a população do Twitter, atualmente constituída em larga escala por gente muito jovem comentou o caso da &quot;baleia azul&quot; nos últimos 15 dias de abril. Embora os primeiros tweets que fazem menção ao &quot;jogo&quot; começam ainda em no início do mês e se propagam por todo o mês, aumentando a frequência. O total gira em torno de quase 300 mil tweets de 280 mil contas diferentes. No primeiro grafo, a seguir, vemos o conjunto de dados. As cores representam módulos (grupos), provavelmente em torno de usuários que retuitaram as mesmas pessoas. Entretanto, não há nós centrais que receberam ou propagaram uma grande quantidade de tweets, ainda há poucos tweets por usuário. De modo geral, os grupos giram em torno de piadas que foram repassadas por grupos específicos. Há um grande cluster ao centro do grafo, que também mostra a viralidade e a amplificação do assunto junto ao público.(Figura 1: Tweets e contas e suas relações.)Quando observamos os conceitos mais usados e suas relações, é possível ver a forte associação entre a série &quot;13 reasons why&quot;, do Netflix (em rosa forte, abaixo a direita). Também vemos um tema muito frequente, que é associado ao grupo rosa. Nesse grupo, vemos tweets comentando que as mães acreditavam que estavam &quot;jogando&quot; o perguntavam sobre isso. Nos grupos marrom e verde claro, vemos as associações entre o tratamento recebido pelos jovens com relação aos seus problemas (&quot;ironia&quot; e &quot;preocupação&quot;, &quot;fase&quot; e &quot;dificuldades&quot;). Os grupos azul escuro, laranja e bege fazem menção à piadas feitas com a &quot;baleia azul&quot; (Reforma de previdência, vaca amarela e etc.) Também h. É interessante observar, entretanto, que o conceito &quot;depressão&quot; e de outras doenças não aparece entre os conceitos mais utilizados. Ou seja, há piadas, mas há comentários críticos e há muito muitas críticas dos jovens ao modo como os adultos abordam seus problemas.(Figura 2: Principais conceitos associados)...</summary>
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        <![CDATA[É bastante interessante verificar como a população do Twitter, atualmente constituída em larga escala por gente muito jovem comentou o caso da "baleia azul" nos últimos 15 dias de abril. Embora os primeiros tweets que fazem menção ao "jogo" começam ainda em no início do mês e se propagam por todo o mês, aumentando a frequência. O total gira em torno de quase 300 mil tweets de 280 mil contas diferentes. No primeiro grafo, a seguir, vemos o conjunto de dados. As cores representam módulos (grupos), provavelmente em torno de usuários que retuitaram as mesmas pessoas. Entretanto, não há nós centrais que receberam ou propagaram uma grande quantidade de tweets, ainda há poucos tweets por usuário. De modo geral, os grupos giram em torno de piadas que foram repassadas por grupos específicos. Há um grande cluster ao centro do grafo, que também mostra a viralidade e a amplificação do assunto junto ao público.<div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul4-1208.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul4-1208.html','popup','width=1014,height=836,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul4-thumb-600x494-1208.png" width="600" height="494" alt="baleiaazul4.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div style="text-align: center;">(Figura 1: Tweets e contas e suas relações.)</div><div style="text-align: center;"><br /></div><div>Quando observamos os conceitos mais usados e suas relações, é possível ver a forte associação entre a série "13 reasons why", do Netflix (em rosa forte, abaixo a direita). Também vemos um tema muito frequente, que é associado ao grupo rosa. Nesse grupo, vemos tweets comentando que as mães acreditavam que estavam "jogando" o perguntavam sobre isso. Nos grupos marrom e verde claro, vemos as associações entre o tratamento recebido pelos jovens com relação aos seus problemas ("ironia" e "preocupação", "fase" e "dificuldades"). Os grupos azul escuro, laranja e bege fazem menção à piadas feitas com a "baleia azul" (Reforma de previdência, vaca amarela e etc.) Também h. É interessante observar, entretanto, que o conceito "depressão" e de outras doenças não aparece entre os conceitos mais utilizados. Ou seja, há piadas, mas há comentários críticos e há muito muitas críticas dos jovens ao modo como os adultos abordam seus problemas.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul2-1211.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul2-1211.html','popup','width=989,height=719,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/05/baleiaazul2-thumb-600x436-1211.png" width="600" height="436" alt="baleiaazul2.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div style="text-align: center;">(Figura 2: Principais conceitos associados)</div><div><br /></div>]]>
        
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    <title>A Nova Vinheta da Globeleza e o Discurso no Twitter</title>
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    <published>2017-01-11T09:26:54Z</published>
    <updated>2017-01-11T10:55:33Z</updated>

    <summary><![CDATA[Eu não sou uma pessoa muito carnavalesca, mas um dos assuntos da semana na internet foi a nova vinheta da Rede Globo para o Carnaval. Tradicionalmente, essa vinheta apresenta uma mulher negra nua (ou semi nua) sambando, chamada popularmente de "globeleza", às vezes acompanhada, às vezes sozinha. Entretanto, este ano, a vinheta apareceu diferente. Não apenas a globeleza aparece vestida, como ainda em seu figurino apresenta representação do Carnaval das várias regiões do Brasil (veja o vídeo). A vinheta gerou polêmica na mídia social. Capturei uma parte das várias mensagens sobre o assunto através da palavra-chave "globeleza". Foram cerca de 25 mil tweets e 20 mil contas que atuaram na rede. Meu objetivo aqui era analisar, através de um combo de análise de contingência e análise de redes, quais argumentos foram mais centrais na discussão.Vou discutir neste post apenas os grafos. Os dados brutos vão ficar para um possível artigo. No grafo a seguir (clique para ver em tamanho maior), vemos os principais conceitos associados (co-ocorrência) na discussão (tomando como unidade o tweet). As cores indicam tendência a co-ocorrer (ou seja, dos conceitos a pertencerem a um mesmo grupo) e o tamanho dos conceitos indica sua frequencia de associação no conjunto de dados.Há quatro conceitos centrais: "globeleza", "roupa", "nudez" e "globo". Esses quatro conceitos representam o cerne da discussão, ou seja, a maior parte da conversação girou em torno do fato da globeleza estar vestida. As co-ocorrências mais comuns neste cluster rosa aparecem acima, a direita. Ali vemos os conceitos "mulher", "Brasil", "vinheta"e "cultura". Em meio a este cluster, vemos também o conceito "corpo"e "exposição". O debate, assim, esteve centrado também na questão do corpo da mulher, associado à uma questão cultural no Brasil. À esquerda, outro conceito importante é "carnaval". Nesse grupo rosa, vemos também principalmente conceitos associados à "gostei", "amei" e "adorei". É interessante notar, entretanto, que embora a maioria dos conceitos associados seja positivo, há também conceitos negativos associados a "politicamente" e "correto", "conservadorismo", "direita" e etc. Também é interessante observar que o termo "mulata" é o único associado neste grupo. Poderíamos dizer que este cluster sumariza os argumentos favoráveis à mudança da maioria dos tweets (gostaram da mudança da mulher de roupa, sem "exposição" do "corpo"; ou reclamaram da vinheta como um exemplo de "conservadorismo" argumentando que a mulher sem roupa é "cultura" do "carnaval"). No grupo azul, temos a questão ativista. Ali, por exemplo, vemos a palavra "negra" &nbsp;como central, ou seja, associando a vinheta à "objetificação", "sexualização" da mulher negra (inclusive com um "temer" ali no meio que não vi como entrou na discussão). O grupo verde, do outro lado, associou a nova vinheta à representação e ao folclore do Brasil. Esses dois grupos representam posicionamentos positivos em torno da vinheta. Os posicionamentos negativos são representados pelo grupo laranja (associando a nova vinheta ao "bela", "recatada" como um discurso conservador, exigindo outros tipos de mulheres na vinheta) e o grupo vermelho ("símbolo" e "chatice", associando a nova vinheta também ao conservadorismo).No grafo anterior (clique na imagem para ver em tamanho maior), observamos os dados normalizados, para apresentar de modo mais claro as diversas associações que mais circularam. Há argumentos negativos grupos amarelo, rosa claro, laranja, verde musgo e rosa) e positivos (azul, verde escuro, verde bandeira, vermelho, azul claro, azul escuro e rosa escuro). De modo geral, entretanto, como vimos no primeiro grafo, embora tenhamos uma pluralidade de argumentos (indicando a polêmica e o debate), há uma predominância de um discurso positivo com relação à vinheta em si. É interessante acompanhar esta polêmica para ver se esta predominância se mantém, mas achei bastante interessante a presença do discurso ativista contra a objetificação da mulher negra que, no grafo geral, praticamente desaparece, em detrimento de elogios associados à presença da roupa (portanto, mais conservadores)....]]></summary>
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        <![CDATA[Eu não sou uma pessoa muito carnavalesca, mas um dos assuntos da semana na internet foi a nova vinheta da Rede Globo para o Carnaval. Tradicionalmente, essa vinheta apresenta uma mulher negra nua (ou semi nua) sambando, chamada popularmente de "globeleza", às vezes acompanhada, às vezes sozinha. Entretanto, este ano, a vinheta apareceu diferente. Não apenas a globeleza aparece vestida, como ainda em seu figurino apresenta representação do Carnaval das várias regiões do Brasil (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=VFFzVgbyUJs">veja o vídeo)</a>. A vinheta gerou polêmica na mídia social. Capturei uma parte das várias mensagens sobre o assunto através da palavra-chave "globeleza". Foram cerca de 25 mil tweets e 20 mil contas que atuaram na rede. Meu objetivo aqui era analisar, através de um combo de análise de contingência e análise de redes, quais argumentos foram mais centrais na discussão.<div><br /></div><div>Vou discutir neste post apenas os grafos. Os dados brutos vão ficar para um possível artigo. No grafo a seguir (clique para ver em tamanho maior), vemos os principais conceitos associados (co-ocorrência) na discussão (tomando como unidade o tweet). As cores indicam tendência a co-ocorrer (ou seja, dos conceitos a pertencerem a um mesmo grupo) e o tamanho dos conceitos indica sua frequencia de associação no conjunto de dados.<br /><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globeleza2-1202.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globeleza2-1202.html','popup','width=1030,height=842,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globeleza2-thumb-600x490-1202.png" width="600" height="490" alt="globeleza2.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div></div><div>Há quatro conceitos centrais: "globeleza", "roupa", "nudez" e "globo". Esses quatro conceitos representam o cerne da discussão, ou seja, a maior parte da conversação girou em torno do fato da globeleza estar vestida. As co-ocorrências mais comuns neste cluster rosa aparecem acima, a direita. Ali vemos os conceitos "mulher", "Brasil", "vinheta"e "cultura". Em meio a este cluster, vemos também o conceito "corpo"e "exposição". O debate, assim, esteve centrado também na questão do corpo da mulher, associado à uma questão cultural no Brasil. À esquerda, outro conceito importante é "carnaval". Nesse grupo rosa, vemos também principalmente conceitos associados à "gostei", "amei" e "adorei". É interessante notar, entretanto, que embora a maioria dos conceitos associados seja positivo, há também conceitos negativos associados a "politicamente" e "correto", "conservadorismo", "direita" e etc. Também é interessante observar que o termo "mulata" é o único associado neste grupo. Poderíamos dizer que este cluster sumariza os argumentos favoráveis à mudança da maioria dos tweets (gostaram da mudança da mulher de roupa, sem "exposição" do "corpo"; ou reclamaram da vinheta como um exemplo de "conservadorismo" argumentando que a mulher sem roupa é "cultura" do "carnaval"). No grupo azul, temos a questão ativista. Ali, por exemplo, vemos a palavra "negra" &nbsp;como central, ou seja, associando a vinheta à "objetificação", "sexualização" da mulher negra (inclusive com um "temer" ali no meio que não vi como entrou na discussão). O grupo verde, do outro lado, associou a nova vinheta à representação e ao folclore do Brasil. Esses dois grupos representam posicionamentos positivos em torno da vinheta. Os posicionamentos negativos são representados pelo grupo laranja (associando a nova vinheta ao "bela", "recatada" como um discurso conservador, exigindo outros tipos de mulheres na vinheta) e o grupo vermelho ("símbolo" e "chatice", associando a nova vinheta também ao conservadorismo).</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globelezamod2-1205.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globelezamod2-1205.html','popup','width=1261,height=863,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2017/01/globelezamod2-thumb-600x410-1205.png" width="600" height="410" alt="globelezamod2.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>No grafo anterior (clique na imagem para ver em tamanho maior), observamos os dados normalizados, para apresentar de modo mais claro as diversas associações que mais circularam. Há argumentos negativos grupos amarelo, rosa claro, laranja, verde musgo e rosa) e positivos (azul, verde escuro, verde bandeira, vermelho, azul claro, azul escuro e rosa escuro). De modo geral, entretanto, como vimos no primeiro grafo, embora tenhamos uma pluralidade de argumentos (indicando a polêmica e o debate), há <b>uma predominância de um discurso positivo com relação à vinheta em si. </b>É interessante acompanhar esta polêmica para ver se esta predominância se mantém, mas achei bastante interessante<b> a presença do discurso ativista contra a objetificação da mulher negra que, no grafo geral, praticamente desaparece</b>, <b>em detrimento de elogios associados à presença da roupa (portanto, mais conservadores).</b></div>]]>
        
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    <title>2017 - Projetos</title>
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    <published>2017-01-11T09:10:04Z</published>
    <updated>2017-01-11T09:19:17Z</updated>

    <summary><![CDATA[2016 foi um ano intenso pra mim. Muitas coisas aconteceram e eu acabei tendo outras prioridades e não consegui manter o blog atualizado com coisas que estivesse pesquisando no momento. Vou tentar levar mais adiante o blog este ano e também recolocar no ar o blog do MIDIARS, que por conta de algumas (outras) mudanças, perdeu seu servidor. Dentre os projetos que estou trabalhando este ano:&nbsp;Projeto "O Discurso de Gênero na Mídia Social: Mapeamento da Violência contra as Mulheres no Twitter"- Faz algum tempo que o pessoal do MIDIARS vem estudando a questão do discurso de gênero e a violência simbólica. Ao "apagar das luzes" de 2016, recebemos a notícia de que tínhamos (finalmente) sido contemplados no Edital Universal do CNPq e que receberíamos uma verba importante para prosseguir com este trabalho. Essa verba não tem data para chegar, pois o CNPq ainda não entrou em contato, mas espero que chegue um dia e que nos permita fazer esse mapeamento. A questão do discurso de gênero será uma das mais centrais.Projeto Discurso Político e Mídia Social - Este é o segundo projeto que também quero tocar este ano, dando continuidade ao que vínhamos trabalhando no MIDIARS no último ano. O foco aqui é observar como o discurso político reverbera e como pode moldar o voto através da mídia social.Livro introdutório sobre análise de redes sociais - Este é outro projeto que deve sair este ano. O livro&nbsp;será especificamente um estilo de "manual", sintético, para ser usado em sala de aula e para o pessoal da UFBA. Vamos ver se vai sair conforme o planejado.Disciplina de Métodos de Pesquisa para Internet na UFRGS - Este ano também vou dar a disciplina de métodos de pesquisa, mas com métodos específicos e adaptados para objetos online no PPGCOM/UFRGS. Será uma disciplina em caráter concentrado, ou seja, em poucos, mas intensos, dias.Grupo de Pesquisa MIDIARS - Devo começar as atividades do grupo em Porto Alegre e possivelmente vamos mudar de "casa" aqui em Pelotas. Depois falarei mais sobre isso....]]></summary>
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        <![CDATA[2016 foi um ano intenso pra mim. Muitas coisas aconteceram e eu acabei tendo outras prioridades e não consegui manter o blog atualizado com coisas que estivesse pesquisando no momento. Vou tentar levar mais adiante o blog este ano e também recolocar no ar o blog do MIDIARS, que por conta de algumas (outras) mudanças, perdeu seu servidor. Dentre os projetos que estou trabalhando este ano:&nbsp;<div><br /></div><div><ul><li><b>Projeto "O Discurso de Gênero na Mídia Social: Mapeamento da Violência contra as Mulheres no Twitter"</b>- Faz algum tempo que o pessoal do MIDIARS vem estudando a questão do discurso de gênero e a violência simbólica. Ao "apagar das luzes" de 2016, recebemos a notícia de que tínhamos (finalmente) sido contemplados no Edital Universal do CNPq e que receberíamos uma verba importante para prosseguir com este trabalho. Essa verba não tem data para chegar, pois o CNPq ainda não entrou em contato, mas espero que chegue um dia e que nos permita fazer esse mapeamento. A questão do discurso de gênero será uma das mais centrais.</li><li><b>Projeto Discurso Político e Mídia Socia</b>l - Este é o segundo projeto que também quero tocar este ano, dando continuidade ao que vínhamos trabalhando no MIDIARS no último ano. O foco aqui é observar como o discurso político reverbera e como pode moldar o voto através da mídia social.</li><li><b>Livro introdutório sobre análise de redes sociais - </b>Este é outro projeto que deve sair este ano. O livro&nbsp;será especificamente um estilo de "manual", sintético, para ser usado em sala de aula e para o pessoal da UFBA. Vamos ver se vai sair conforme o planejado.</li><li><b>Disciplina de Métodos de Pesquisa para Internet na UFRGS </b>- Este ano também vou dar a disciplina de métodos de pesquisa, mas com métodos específicos e adaptados para objetos online no PPGCOM/UFRGS. Será uma disciplina em caráter concentrado, ou seja, em poucos, mas intensos, dias.</li><li><b>Grupo de Pesquisa MIDIARS</b> - Devo começar as atividades do grupo em Porto Alegre e possivelmente vamos mudar de "casa" aqui em Pelotas. Depois falarei mais sobre isso.</li></ul></div>]]>
        
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    <title>#PokemonGoVemProBR: Uma rede ativista</title>
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    <published>2016-07-21T15:13:49Z</published>
    <updated>2016-07-21T15:49:50Z</updated>

    <summary><![CDATA[Hoje de manhã estava crawleando algumas coisas e peguei a rede da hashtag #PokemonGoVemProBR, que estava em primeiro lugar nos TTs do Twitter. Na hora, cerca de 34 mil tweets (em torno de 10:30 da manhã). Capturei em torno de 25 mil. O que é interessante, nesta rede, é que ela tem todas as características das redes de ativismo que vimos online em vários momentos (incluindo eleições): Redes densas, com graus de entrada e saída bastante elevados (indicando usuários que repetem várias vezes a hashtag ao longo do dia - média de 4,98 no grau de entrada e 3 no de saída). Além disso, é uma rede com poucos grupos e bastante clusterizada (vide o cluster central, bastante interconectado).&nbsp;Rede delimitada por módulos (cores) e grau de entrada (tamanho dos nós). Clique para ver a imagem em tamanho maior.Esses dados indicam que há uma nuvem de nós retuitando e citando outros nós (notadamente @nianticlabs e @pokemongoapp, vide grafo a seguir), tentando fazer a mensagem chegar ao destino. Esse cluster central de pessoas que se citam entre si e referenciam os tweets umas das outras é bastante semelhante ao que temos (o Midiars) observando com redes ativistas. E é relevante observar que as estratégias para ganhar visibilidade são muito semelhantes, o que vai mostrando como o Twitter é um espaço de "voz" por excelência, onde os usuários utilizam a rede como forma de mobilização, seja em torno de um game, seja em torno de um protesto....]]></summary>
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    <title>NODEXL para estudos de Mídia Social: Vantagens e Desvantagens</title>
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    <published>2016-07-14T15:57:40Z</published>
    <updated>2016-07-14T16:51:03Z</updated>

    <summary><![CDATA[Como quem acompanha o blog aqui deve saber, eu sou fã do NodeXL para trabalhar com análise de redes e mídia social, especialmente para quem está começando. Como todo mundo me pergunta isso toda hora, aqui vai um inventário rápido das vantagens e desvantagens da ferramenta do meu ponto de vista. O NodeXL costumava ter uma única versão, gratuita. Entretanto, por uma série de questões de suporte, o time acabou tendo que criar uma versão simples gratuita e quase todas as ferramentas legais ficaram disponíveis apenas na versão PRO. Ainda assim, considero que é uma ferramenta com várias vantagens.&nbsp;Vantagens:Como o Node tem uma interface criada em cima do Excel, é bem mais familiar ao usuário de Windows e muitas das coisas que você precisa ficam claramente demarcadas. Basicamente, o Node cria uma aba a mais em cima do Excel, que onde ficam os seus comandos e permite a interação com os comandos do Excel, o que facilita bastante a vida e reduz muito a curva de aprendizado da ferramenta.Outra boa vantagem do Node é a possibilidade de análise semântica conjunta com a análise de redes, ou seja, o programa permite que você analise também o conteúdo do material que coletou, e tem vários filtros que podem ajudar a ter uma visão mais contextual dos dados. Essa vantagem, entretanto, só está disponível na versão PRO.A principal vantagem do NodeXL, na minha opinião, é que ele tem um crawler (parte do programa que faz a busca) embutido, que serve para Facebook, Youtube, Twitter e etc. A coleta de dados é uma das maiores dificuldades de quem trabalha com dados de mídia social e o fato do Node fazer essa coleta é uma grande mão na roda. Entretanto, é preciso atentar para alguns fatos:No Twitter, o Node não acessa o streaming, mas a outra API (REST), o que faz com que sua busca só funcione para trás (para o passado). Ou seja, quando você está crawleando alguma coisa que está acontecendo agora, o Node vai coletando conforme o Twitter arquiva o material (do momento onde se iniciou a busca para trás) e não daquele momento em diante. Isso faz com que ele seja útil para coletar coisas durante ou após o acontecido e não coisas no futuro. É importante lembrar que o Twitter limita o acesso aos dados desta API(se não me engano, são 30 dias ou 20 mil tweets, o que vier primeiro) e limita em geral o acesso a mais ou menos 1% do volume de dados global . Portanto, se você quer coletar algo que aconteceu há muito tempo, não vai conseguir com o NodeXL. A possibilidade de coletar o passado é bem complicada e, em geral, a melhor opção neste caso é comprar os dados de alguma empresa (há várias que vendem dados, como a DataSift).No Facebook, a possibilidade de coleta é limitadíssima pela própria ferramenta. Atualmente se consegue coletar automaticamente pouquíssima coisa, notadamente apenas dados de páginas e grupos abertos ou alguns dados de sua própria conta. Ainda assim, também há limites para volume de dados (embora não explicitamente, eu sempre encontro o limite quando crawleio grandes volumes).Outra coisa bem útil é o modo como o NodeXL permite visualizar grupos (separados no grafo), que é muito bom para quem quer focar esse tipo de coisa na sua análise. Diria que essa é uma das features mais legais da ferramenta. Outros modos de visualização, com imagens e etc. também são bem legais.Finalmente, o NodeXL também tem uma boa ferramenta de visualização dos grafos (não é um Gephi, mas ajuda bastante quem está iniciando e é bem simples de usar) e o fato da visualização e dos dados ficarem lado a lado na interface ajuda muito a compreender o que se está vendo, mesmo conhecendo pouco de análise de redes. Gosto muito do fato de poder ver os dados no grafo (você pode selecionar na imagem e ver no material dos dados o que está sendo representado ali).A grande vantagem da ferramenta é ter coleta e análise no mesmo lugar, concentrando uma série de coisas que, de outra sorte, você teria que usar vários softwares para conseguir resolver.Desvantagens:Como o Node roda em cima do Excel, ele é adequado para uma quantidade limitada de dados. Se você vai trabalhar com 80, 100 mil tweets, por exemplo, já vai ter problemas com o Node. O ideal para trabalhar com ele é ficar abaixo deste limite. Há estratégias para aumentar um pouquinho a memória do Excel, mas crashs serão frequentes.O Node é capaz de auxiliar em análises bem complexas, mas a ferramenta de visualização roda com poucos algoritmos, não sendo comparável a outras ferramentas de visualização, como o Gephi. Mas considerando que você pode exportar os dados e utilizar outra ferramenta de visualização quando desejar, acho que é uma desvantagem bem pequena.A ferramenta de análise semântica, embora sendo melhorada, também é limitada. Ela permite vários insights, mas não permite que você faça, por exemplo, uma análise de conteúdo automatizada com base em parâmetros escolhidos.Limitações do crawler: Para ter acesso completo, sóna versão PRO.Não funciona no OS X.Portanto, o NodeXL é adequado para estudos de caso pontuais e focados, com questões com foco estrutural (por exemplo, relacionadas aos formatos da rede) na mídia social. É bastante fácil de usar se você já tem algumas noções básicas de análise de redes e compreender o que está visualizando e a análise que está criando....]]></summary>
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        <![CDATA[<a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/iie2011-1193.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/iie2011-1193.html','popup','width=1602,height=941,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/iie2011-thumb-300x176-1193.png" width="300" height="176" alt="iie2011.png" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a>Como quem acompanha o blog aqui deve saber, eu sou fã do <a href="http://nodexl.codeplex.com/">NodeXL</a> para trabalhar com análise de redes e mídia social, especialmente para quem está começando. Como todo mundo me pergunta isso toda hora, aqui vai um inventário rápido das vantagens e desvantagens da ferramenta do meu ponto de vista. O NodeXL costumava ter uma única versão, gratuita. Entretanto, por uma série de questões de suporte, o time acabou tendo que criar uma versão simples gratuita e quase todas as ferramentas legais ficaram disponíveis apenas na versão PRO. Ainda assim, considero que é uma ferramenta com várias vantagens.&nbsp;<div><br /></div><div><div><br /></div><div><b><u>Vantagens:<br /></u></b><div><br /></div><div><ul><li>Como o Node tem uma interface criada em cima do Excel, é bem mais familiar ao usuário de Windows e muitas das coisas que você precisa ficam claramente demarcadas. Basicamente, o Node cria uma aba a mais em cima do Excel, que onde ficam os seus comandos e permite a interação com os comandos do Excel, o que facilita bastante a vida e reduz muito a curva de aprendizado da ferramenta.</li><li>Outra boa vantagem do Node é a possibilidade de <b>análise semântica conjunta </b>com a análise de redes, ou seja, o programa permite que você analise também o conteúdo do material que coletou, e tem vários filtros que podem ajudar a ter uma visão mais contextual dos dados. Essa vantagem, entretanto, só está disponível na versão PRO.</li><li>A principal vantagem do NodeXL, na minha opinião, é que ele <b>tem um crawler (parte do programa que faz a busca) embutido</b>, que serve para Facebook, Youtube, Twitter e etc. A coleta de dados é uma das maiores dificuldades de quem trabalha com dados de mídia social e o fato do Node fazer essa coleta é uma grande mão na roda. Entretanto, é preciso atentar para alguns fatos:</li><ul><ul><ul><ul><li><b>No Twitter</b>, o Node não acessa o streaming, mas a outra API (<a href="https://docs.fabric.io/apple/twitter/access-rest-api.html">REST</a>), o que faz com que <b>sua busca só funcione para trás</b> (para o passado). Ou seja, quando você está crawleando alguma coisa que está acontecendo agora, o Node vai coletando conforme o Twitter arquiva o material (do momento onde se iniciou a busca para trás) e não daquele momento em diante. Isso faz com que ele seja útil para coletar coisas<b> durante ou após</b> o acontecido e não coisas no futuro. É importante lembrar que o Twitter limita o acesso aos dados desta API(se não me engano, são 30 dias ou 20 mil tweets, o que vier primeiro) e limita em geral o acesso a mais ou menos 1% do volume de dados global . Portanto, se você quer coletar algo que aconteceu há muito tempo, não vai conseguir com o NodeXL. A possibilidade de coletar o passado é bem complicada e, em geral, a melhor opção neste caso é comprar os dados de alguma empresa (há várias que vendem dados, como a <a href="http://datasift.com/">DataSift</a>).</li><li><b>No Facebook</b>, a <b>possibilidade de coleta é limitadíssima pela própria ferramenta</b>. Atualmente se consegue coletar automaticamente pouquíssima coisa, notadamente apenas dados de páginas e grupos abertos ou alguns dados de sua própria conta. Ainda assim, também há limites para volume de dados (embora não explicitamente, eu sempre encontro o limite quando crawleio grandes volumes).</li></ul></ul></ul></ul><li><span style="font-size: 1em;">Outra coisa bem útil é o modo como o NodeXL permite <b>visualizar grupos </b>(separados no grafo), que é muito bom para quem quer focar esse tipo de coisa na sua análise. Diria que essa é uma das features mais legais da ferramenta. Outros modos de visualização, com imagens e etc. também são bem legais.</span></li><li>Finalmente, o NodeXL também tem uma <b>boa ferramenta de visualização dos grafos</b> (não é um Gephi, mas ajuda bastante quem está iniciando e é bem simples de usar) e o fato da visualização e dos<b> dados ficarem lado a lado na interface </b>ajuda muito a compreender o que se está vendo, mesmo conhecendo pouco de análise de redes. Gosto muito do fato de poder ver os dados no grafo (você pode selecionar na imagem e ver no material dos dados o que está sendo representado ali).</li></ul><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/export-nodexl-1190.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/export-nodexl-1190.html','popup','width=601,height=385,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/export-nodexl-thumb-300x192-1190.png" width="300" height="192" alt="export-nodexl.png" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a></div><ul><li>A grande vantagem da ferramenta é ter coleta e análise no mesmo lugar, concentrando uma série de coisas que, de outra sorte, você teria que usar vários softwares para conseguir resolver.</li></ul></div><div><b><u><br /></u></b></div><div><b><u>Desvantagens:</u></b></div><div><br /></div><div><ul><li>Como o Node <b>roda em cima do Excel,</b> ele é adequado para uma <b>quantidade limitada de dados</b>. Se você vai trabalhar com 80, 100 mil tweets, por exemplo, já vai ter problemas com o Node. O ideal para trabalhar com ele é ficar abaixo deste limite. Há estratégias para aumentar um pouquinho a memória do Excel, mas crashs serão frequentes.</li><li>O Node é capaz de auxiliar em análises bem complexas, mas a <b>ferramenta de visualização roda com poucos algoritmos</b>, não sendo comparável a outras ferramentas de visualização, como o Gephi. Mas considerando que você pode exportar os dados e utilizar outra ferramenta de visualização quando desejar, acho que é uma desvantagem bem pequena.</li><li>A ferramenta de <b>análise semântica, embora sendo melhorada, também é limitada</b>. Ela permite vários insights, mas não permite que você faça, por exemplo, uma análise de conteúdo automatizada com base em parâmetros escolhidos.</li><li>Limitações do crawler: <b>Para ter acesso completo, sóna versão PRO.</b></li><li><b>Não funciona no OS X.</b></li></ul></div></div><div><br /></div><div>Portanto, o NodeXL é adequado para estudos de caso pontuais e focados, com questões com foco estrutural (por exemplo, relacionadas aos formatos da rede) na mídia social. É bastante fácil de usar se você já tem algumas noções básicas de análise de redes e compreender o que está visualizando e a análise que está criando.</div></div>]]>
        
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    <title>Hello: O orkut 2.0</title>
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    <published>2016-07-01T12:38:19Z</published>
    <updated>2016-07-01T13:34:22Z</updated>

    <summary><![CDATA[Semana passada conversei com a reportagem da BBC Brasil sobre o Hello, novo site de rede social que está sendo lançado pelo Orkut, o mesmo cara que fez a popular ferramenta do Google (orkut). Com base na discussão com o repórter, pensei bastante sobre a ferramenta e decidi escrever algumas considerações aqui, levando em conta a minha experiência com o orkut (ferramenta). (Trabalhei pesquisando o orkut para o Google por vários anos e tive oportunidade de conversar bastante com o próprio criador sobre a criatura -Para fins de discussão, vou usar sempre Orkut - com maiúscula- como a pessoa; e orkut, com minúscula, como a ferramenta.)&nbsp;Um orkut melhoradoFiquei com a impressão de que o Hello é, em parte, uma atualização da idéia central do orkut. A ferramenta, que nasceu como "Six Degrees" enquando ele trabalhava no Google, tinha como estrutura central a reunião de pessoas por interesses e hobbies. A idéia central das comunidades era servir como um espaço para pessoas com interesses semelhantes se encontrarem. Claro, essa idéia foi rapidamente modificada quando a ferramenta foi apropriada pelos usuários (algo que o próprio Orkut se ressentia um pouco) e virou um espaço de manifestação identitária (quem eu sou, do que eu gosto), de jogos/brincadeiras (quem, dentre os early users do orkut, não lembra da "Como ou não como" ou outras comunidades semelhantes?) e etc. Com o crescimento do site, a idéia de reunir pessoas com interesses semelhantes passou a ser secundária, existindo não mais como plano principal. Ao mesmo tempo, outras apropriações foram modificando mais o uso imaginado da ferramenta, como a gamificação das avaliações (no início do orkut, as pessoas eram avaliadas pelos amigos como "cool" (legal, que era representado por cubinhos de gelo), "sexy" (corações), e tinha "fãs" e etc. A brincadeira foi rapidamente apropriada pelos usuários e "bombada", servindo como fator motivador para convidar todo mundo que conheciam, com a promessa e a troca de que fossem bem avaliados por esses usuários. Originalmente, tinha até um top 10 de usuários em cada categoria. Claro,isso fez também com que as pessoas passassem a adicionar todo mundo (inclusive quem não conheciam) aos seus perfis, na tentativa de entrar na famigerada lista dos 10 mais e de se destacarem entre os amigos. Isso também contrariava a ideia original do Orkut, que era muito mais próxima de que as&nbsp;pessoas se apresentassem "verdadeiramente" e mostrassem realmente seus amigos.Todo o projeto do orkut era muito interessante e revolucionário para a época, no universo dos sites de rede social. Além de um design infinitamente superior que seus concorrentes (na época, o Friendster principalmente) e fácil de ser compreendido pelos newbies, o orkut inovava permitindo que se navegasse pela rede social dos amigos, vendo quem era amigo de quem. As idéias centrais da ferramenta eram ótimas e, justamente por isso, ela explodiu rapidamente (o crescimento mais rápido no Brasil, entretanto, inibiu o crescimento em outros países, mas isso é assunto para outro post). Mas o crescimento do orkut também significou usos novos, apropriações inesperadas e para funções que não eram necessariamente aquelas pensadas pelo criador. E é fácil ver vários desses elementos na descrição do Hello (a questão do "amor", dos interesses, dos "ementos de gamificação" descritos pelo Orkut na reportagem da BBC e etc.). É interessante que quase todas essas idéias iniciais parecem estar presentes (talvez numa versão 2.0) no Hello.&nbsp;DesafiosPor conta disso, fico com a impressão de que o Hello é um novo orkut (o Orkut sempre detestou que o Google lançou a ferramenta com o seu nome), mas com um foco mais direcionado para a questão de encontrar outras pessoas e conhecer aqueles que têm interesses semelhantes aos seus. Embora quase todos os sites de rede social tenham flertado com essa proposta, nenhum conseguiu efetivamente concretizá-la direito equilibrando interação (que é a base do uso da ferramenta), conteúdo e interesses, formando "comunidades" e não apenas redes. Os valores constituídos foram sendo modificados: O Twitter, por exemplo, virou uma rede de conversação e informação(interação); o Facebook virou um espaço social (mas para socializar com quem você conhece, principalmente)(interação); o Instagram é conteúdo e interação etc. Mas aquelas ferramentas que conseguiram focar nos interesses comuns (Pinterest, por exemplo) acabaram perdendo no quesito interação (ou seja, são pouco "sociais"). Fico com a impressão, pela descrição do Hello, que ele terá como foco ser um espaço de comunidade virtual, mais do que de outras redes de pessoas pouco conhecidas.&nbsp;A comunidade é baseada na confiança, na interação e no interesse coletivo, além do compartilhamento. E construir esses valores em escala, hoje, é um grande desafio.&nbsp;Primeiro porque hoje há muito mais medo da&nbsp;exposição online (principalmente por culpa do Facebook) e as pessoas são mais cuidadosas nisso, reduzindo a interação a nichos mais privados (por exemplo, Whatsapp). Há uma preocupação para com a privacidade que não existia antes, que tende a fazer com que as pessoas se escondam mais para interagir. No tempo do orkut, a privacidade foi uma preocupação secundária, que só apareceu com força no seu declínio. Ou seja, será que o Hello vai conseguir inspirar as pessoas a compartilharem mais? Para isso, é preciso confiança no ambiente e confiança no grupo (ou seja, conseguir tornar a experiência no site positiva, retirando trolls e com uma política para o comportamento desviante, o que não é fácil - vejam que o Facebook até hoje não consegue aplicar essas políticas de modo global).Outro desafio é a questão da confiança e da "verdade". A expectativa no Hello, nas palavras do Orkut é &nbsp;"On Hello, I just want you to be you!" Necessariamente, as pessoas criam e utilizam máscaras nos sites de rede social. Essa é uma expectativa meio contraditória, porque há uma tendência a criar versões de si mesmo que não necessariamente são "reais". A questão da confiança só advém com a emergência de uma comunidade de suporte, o que é um estágio, digamos, avançado de capital social e de interação, que não pré-existe à ferramenta.&nbsp;Há espaço para outro site de rede social?Depende do valor que essa ferramenta vai acrescentar para as pessoas em termos de capital social e como vai lidar com interação e interesse como motor principal. Se esses elementos forem interessantes e a apropriação representar valores que outras ferramentas não oferecem, é bem possível que roube usuários e tempo de outras ferramentas. A migração de usuários entre ferramentas diferentes já foi vista várias vezes na história dos sites de rede social. E com a migração de parte da rede, a rede inteira acaba também migrando. Veremos o que acontecerá quando o Hello for liberado para cá. Mas tenho a impressão de que, se a ferramenta conseguir focar efetivamente em "comunidades", há possibilidade....]]></summary>
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        <![CDATA[<a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/hello-1187.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/hello-1187.html','popup','width=593,height=320,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/07/hello-thumb-250x134-1187.png" width="250" height="134" alt="hello.png" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a>Semana passada conversei com a <a href="http://www.bbc.com/portuguese/geral-36647517">reportagem da BBC Brasi</a>l sobre o <a href="https://www.hello.com/inspiration/">Hello</a>, novo site de rede social que está sendo lançado pelo Orkut, o mesmo cara que fez a popular ferramenta do Google (orkut). Com base na discussão com o repórter, pensei bastante sobre a ferramenta e decidi escrever algumas considerações aqui, levando em conta a minha experiência com o orkut (ferramenta). (Trabalhei pesquisando o orkut para o Google por vários anos e tive oportunidade de conversar bastante com o próprio criador sobre a criatura -Para fins de discussão, vou usar sempre Orkut - com maiúscula- como a pessoa; e orkut, com minúscula, como a ferramenta.)&nbsp;<div><div><br /></div><div><b>Um orkut melhorado</b><br /><div>Fiquei com a impressão de que o Hello é, em parte, uma<b> atualização da idéia central do orkut</b>. A ferramenta, que nasceu como "Six Degrees" enquando ele trabalhava no Google, tinha como estrutura central a reunião de pessoas por interesses e hobbies. A idéia central das comunidades era servir como <b>um espaço para pessoas com interesses semelhantes se encontrarem</b>. Claro, essa idéia foi rapidamente modificada quando a ferramenta foi apropriada pelos usuários (algo que o próprio Orkut se ressentia um pouco) e virou um espaço de manifestação identitária (quem eu sou, do que eu gosto), de jogos/brincadeiras (quem, dentre os <i>early users</i> do orkut, não lembra da "Como ou não como" ou outras comunidades semelhantes?) e etc. Com o crescimento do site, a idéia de reunir pessoas com interesses semelhantes passou a ser secundária, existindo não mais como plano principal. Ao mesmo tempo, outras apropriações foram modificando mais o uso imaginado da ferramenta, como a <b>gamificação das avaliações</b> (no início do orkut, as pessoas eram avaliadas pelos amigos como "cool" (legal, que era representado por cubinhos de gelo), "sexy" (corações), e tinha "fãs" e etc. A brincadeira foi rapidamente apropriada pelos usuários e "bombada", servindo como fator motivador para convidar todo mundo que conheciam, com a promessa e a troca de que fossem bem avaliados por esses usuários. Originalmente, tinha até um top 10 de usuários em cada categoria. Claro,isso fez também com que as pessoas passassem a adicionar todo mundo (inclusive quem não conheciam) aos seus perfis, na tentativa de entrar na famigerada lista dos 10 mais e de se destacarem entre os amigos. Isso também contrariava a ideia original do Orkut, que era muito mais próxima de que as&nbsp;<b>pessoas se apresentassem "verdadeiramente"</b> <b>e mostrassem realmente seus amigos</b>.</div><div><br /></div><div>Todo o projeto do orkut era muito interessante e revolucionário para a época, no universo dos sites de rede social. Além de um design infinitamente superior que seus concorrentes (na época, o Friendster principalmente) e fácil de ser compreendido pelos <i>newbies</i>, o orkut inovava permitindo que se navegasse pela rede social dos amigos, vendo quem era amigo de quem. As idéias centrais da ferramenta eram ótimas e, justamente por isso, ela explodiu rapidamente (o crescimento mais rápido no Brasil, entretanto, inibiu o crescimento em outros países, mas isso é assunto para outro post). Mas o crescimento do orkut também significou usos novos, apropriações inesperadas e para funções que não eram necessariamente aquelas pensadas pelo criador. E é fácil ver vários desses elementos na descrição do Hello (a questão do "amor", dos interesses, dos "ementos de gamificação" descritos pelo Orkut na reportagem da BBC e etc.). <b>É interessante que quase todas essas idéias iniciais parecem estar presentes (talvez numa versão 2.0) no Hello.&nbsp;</b></div><div><br /></div><div><b>Desafios</b></div><div>Por conta disso, fico com a impressão de que o Hello é um novo orkut (o Orkut sempre detestou que o Google lançou a ferramenta com o seu nome), mas com um foco mais direcionado para a questão de encontrar outras pessoas e conhecer aqueles que têm interesses semelhantes aos seus. Embora quase todos os sites de rede social tenham flertado com essa proposta, nenhum conseguiu efetivamente concretizá-la direito equilibrando interação (que é a base do uso da ferramenta), conteúdo e interesses, formando "comunidades" e não apenas redes. Os valores constituídos foram sendo modificados: O Twitter, por exemplo, virou uma rede de conversação e informação(interação); o Facebook virou um espaço social (mas para socializar com quem você conhece, principalmente)(interação); o Instagram é conteúdo e interação etc. Mas aquelas ferramentas que conseguiram focar nos interesses comuns (Pinterest, por exemplo) acabaram perdendo no quesito interação (ou seja, são pouco "sociais"). <b>Fico com a impressão, pela descrição do Hello, que ele terá como foco ser um espaço de comunidade virtual, mais do que de outras redes de pessoas pouco conhecidas.</b>&nbsp;A comunidade é baseada na confiança, na interação e no interesse coletivo, além do compartilhamento. E construir esses valores em escala, hoje, é um grande desafio.&nbsp;</div><div><br /></div><div>Primeiro porque hoje há muito mais medo da&nbsp;<b>exposição online</b> (principalmente por culpa do Facebook) e as pessoas são mais cuidadosas nisso, reduzindo a interação a nichos mais privados (por exemplo, Whatsapp). Há uma preocupação para com a privacidade que não existia antes, que tende a fazer com que as pessoas se escondam mais para interagir. No tempo do orkut, a privacidade foi uma preocupação secundária, que só apareceu com força no seu declínio. Ou seja, será que o Hello vai conseguir inspirar as pessoas a compartilharem mais? Para isso, é preciso confiança no ambiente e confiança no grupo (ou seja, conseguir tornar a experiência no site positiva, retirando trolls e com uma política para o comportamento desviante, o que não é fácil - vejam que o Facebook até hoje não consegue aplicar essas políticas de modo global).</div><div><br /></div><div>Outro desafio é a questão da confiança e da "verdade". A expectativa no Hello, nas palavras do Orkut é &nbsp;"<i>On Hello, I just want you to be you!</i>" Necessariamente, as pessoas criam e utilizam máscaras nos sites de rede social. Essa é uma expectativa meio contraditória, porque há uma tendência a criar versões de si mesmo que não necessariamente são "reais". <b>A questão da confiança só advém com a emergência de uma comunidade de suporte, o que é um estágio, digamos, avançado de capital social e de interação, que não pré-existe à ferramenta</b>.&nbsp;</div><div><b><br /></b></div><div><b>Há espaço para outro site de rede social?</b></div><div>Depende do valor que essa ferramenta vai acrescentar para as pessoas em termos de capital social e como vai lidar com interação e interesse como motor principal. Se esses elementos forem interessantes e a apropriação representar valores que outras ferramentas não oferecem, é bem possível que roube usuários e tempo de outras ferramentas. A migração de usuários entre ferramentas diferentes já foi vista várias vezes na história dos sites de rede social. E com a migração de parte da rede, a rede inteira acaba também migrando. Veremos o que acontecerá quando o Hello for liberado para cá. Mas tenho a impressão de que, se a ferramenta conseguir focar efetivamente em "comunidades", há possibilidade.</div><div><br /></div><div><br /></div><div><br /></div><div><br /><div><div><br /></div></div></div></div></div>]]>
        
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    <title>Season Finale de Game of Thrones</title>
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    <published>2016-06-27T13:25:46Z</published>
    <updated>2016-06-27T13:48:23Z</updated>

    <summary><![CDATA[Tenho acompanhado há algum tempo a movimentação na mídia social em geral com relação a produtos culturais e de modo específico, a série Game of Thrones. Ontem foi a season finale (último episódio da temporada) e, embora não siga a série na TV, tenho acompanhado o roteiro e as reações. O que me chamou a atenção nos dados que olhei hoje de manhã foi a questão da grande participação do Brasil nas discussões no Twitter. A imagem a seguir mostra a rede de mais de 100 mil tweets de ontem a noite, que utilizaram as hashtags #gameofthrones e #got. As cores representam a língua identificada nos tweets. Em azul temos o inglês, majoritário, o que era esperado. Em vermelho, temos, entretanto, o português. Achei interessante porque é um cluster bastante separado do restante (vejam o verde, que é espanhol, que aparece em bem menor escala e muito mais conectado ao cluster - grupo - azul) e bem demarcado (o que indica que as pessoas que tuítam em português tendem a retuitar quem também tuita em português em muito maior escala do que quem tuita em inglês). Os nós nomeados são aquelas contas com mais de 50 retweets, ou seja, contas que tiveram maior audiência e influência na discussão. O tamanho do nome indica a força dessa influência (indegree).&nbsp;(Clique na imagem para ver em tamanho maior.)O segundo mapa embora bastante parecido, demarca a localização dos tweets por timezone. Fiz esse mapa para ver se havia alguma coincidência entre língua e localização (esperado). E realmente há. Vejam que, em azul, temos principalmente os tweets localizados na América do Norte (principalmente EUA) e, em vermelho, aqueles localizados na América do Sul (principalmente Brasil, mas também Argentina). Em verde, vemos a Europa e em cinza, tweets que não consegui localizar.(Clique na imagem para ver em tamanho maior.)Ainda estou olhando para esses dados (e observando os tweets, que é a parte que me interessa mais), mas acho interessante observar a relação de segunda tela com o Twitter e, de modo especial, a presença de um cluster de tweets do Brasil em português, bastante separado do cluster em inglês e bastante denso. Não sei se há essa separação porque há algo particular nos tweets em português que chama outros brasileiros a retuitarem (uma hipótese relacionada à cultura memética, por exemplo, do humor na internet por aqui) ou por questões relacionadas à própria língua (as pessoas entendem melhor o português, então dão preferência a este). Suspeito que seja um conjunto de ambos. De qualquer modo, os mapas mostram que há uma certa barreira entre os grupos, que somente é transposta com a ajuda de alguns grupos de usuários. Interessante investigar as razões disso e ver se há uma repetição deste padrão durante outros episódios da temporada.** Dados acima coletados com o NodeXL, entre as 20h do dia 26 e as 07h do dia 27. Mapas gerados com o Gephi....]]></summary>
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        <![CDATA[Tenho acompanhado há algum tempo a movimentação na mídia social em geral com relação a produtos culturais e de modo específico, a série Game of Thrones. Ontem foi a season finale (último episódio da temporada) e, embora não siga a série na TV, tenho acompanhado o roteiro e as reações. O que me chamou a atenção nos dados que olhei hoje de manhã foi a questão da grande participação do Brasil nas discussões no Twitter. A imagem a seguir mostra a rede de mais de 100 mil tweets de ontem a noite, que utilizaram as hashtags #gameofthrones e #got. As cores representam a língua identificada nos tweets. Em azul temos o inglês, majoritário, o que era esperado. Em vermelho, temos, entretanto, o português. Achei interessante porque é um cluster bastante separado do restante (vejam o verde, que é espanhol, que aparece em bem menor escala e muito mais conectado ao cluster - grupo - azul) e bem demarcado (o que indica que as pessoas que tuítam em português tendem a retuitar quem também tuita em português em muito maior escala do que quem tuita em inglês). Os nós nomeados são aquelas contas com mais de 50 retweets, ou seja, contas que tiveram maior audiência e influência na discussão. O tamanho do nome indica a força dessa influência (indegree).&nbsp;<div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlinguagem-1181.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlinguagem-1181.html','popup','width=1178,height=864,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlinguagem-thumb-600x440-1181.png" width="600" height="440" alt="gotlinguagem.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div style="text-align: center;">(Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div>O segundo mapa embora bastante parecido, demarca a localização dos tweets por timezone. Fiz esse mapa para ver se havia alguma coincidência entre língua e localização (esperado). E realmente há. Vejam que, em azul, temos principalmente os tweets localizados na América do Norte (principalmente EUA) e, em vermelho, aqueles localizados na América do Sul (principalmente Brasil, mas também Argentina). Em verde, vemos a Europa e em cinza, tweets que não consegui localizar.</div><div style="text-align: center;"><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlocalizacao2-1184.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlocalizacao2-1184.html','popup','width=1176,height=865,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/06/gotlocalizacao2-thumb-600x441-1184.png" width="600" height="441" alt="gotlocalizacao2.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div style="text-align: center;">(Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div>Ainda estou olhando para esses dados (e observando os tweets, que é a parte que me interessa mais), mas acho interessante observar a relação de segunda tela com o Twitter e, de modo especial, a presença de um cluster de tweets do Brasil em português, bastante separado do cluster em inglês e bastante denso. Não sei se há essa separação porque há algo particular nos tweets em português que chama outros brasileiros a retuitarem (uma hipótese relacionada à cultura memética, por exemplo, do humor na internet por aqui) ou por questões relacionadas à própria língua (as pessoas entendem melhor o português, então dão preferência a este). Suspeito que seja um conjunto de ambos. De qualquer modo, os mapas mostram que há uma certa barreira entre os grupos, que somente é transposta com a ajuda de alguns grupos de usuários. Interessante investigar as razões disso e ver se há uma repetição deste padrão durante outros episódios da temporada.</div><div><br /></div><div>** Dados acima coletados com o NodeXL, entre as 20h do dia 26 e as 07h do dia 27. Mapas gerados com o Gephi.</div><div><br /></div>]]>
        
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    <title>Discurso sobre Dilma no Twitter - 17/03</title>
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    <published>2016-03-17T18:38:16Z</published>
    <updated>2016-03-17T19:00:23Z</updated>

    <summary><![CDATA[Como é de se esperar, dada a situação atual do País, há polvorosa em todos os sites de rede social e a política tornou-se uma pauta relevante para todos os atores. Estamos coletando os termos "Dilma" e "Lula" para entender um pouco melhor o impacto que esses debates online têm na situação e na construção dos discursos no País. Por ora, não consegui postar no blog do MIDIARS&nbsp;esses dados preliminares de ontem, mas acho que vale a pena compartilhar aqui.&nbsp;Esses dados são um recorte de 62.215 tweets e 47.337 atores que falaram sobre o assunto apenas hoje (17/03) pela manhã. Como nos mapas anteriores, sobre "Lula", vemos polarização, mas uma polarização mais difusa. Os dois principais grupos (em rosa e preto) convergem contas pró governo federal (preto) e contra o governo federal (rosa). É importante notar que nem todos os atores dentro de cada grupo necessariamente assumem uma posição pró ou contra, mas são retuitados principalmente em conjunto com contas que se posicionam desta forma. O grupo verde claro, mais difuso, representa principalmente reverberação da mídia internacional. Os grupos coloridos, abaixo, notadamente compreendem contas com retweets humorísticos.&nbsp;No mapa a seguir podemos observar melhor os núcleos principais e as principais contas mencionadas. É possível ver a intersecção de contas humorísticas junto aos dois principais núcleos.O que acho mais relevante, entretanto, são os discursos em torno da presidenta. O mapa a seguir mostra o que está sendo dito nos tweets de modo mais geral. Grupos de conceitos mais relevantemente associados aparecem da mesma cor. O tamanho do conceito indica sua frequencia nos dados. É importante notar como esses grupos aparecem conectados, formando nuvens de sentido e associações. Mantive hashtags e palavras de ordem. É interessante observar que há conjuntos de conceitos que são típicos de apoiadores e outros, de detratores do governo federal. Mas na maioria, o discurso em torno do governo e da presidenta é agressivo e negativo. É importante também notar a forte associação entre os discursos e &nbsp;os termos "Dilma", "Lula" e "ministro".&nbsp;...]]></summary>
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        <![CDATA[Como é de se esperar, dada a situação atual do País, há polvorosa em todos os sites de rede social e a política tornou-se uma pauta relevante para todos os atores. Estamos coletando os termos "Dilma" e "Lula" para entender um pouco melhor o impacto que esses debates online têm na situação e na construção dos discursos no País. Por ora, não consegui postar no blog do <a href="http://midiars.net/">MIDIARS</a>&nbsp;esses dados preliminares de ontem, mas acho que vale a pena compartilhar aqui.&nbsp;<div><br /></div><div>Esses dados são um recorte de 62.215 tweets e 47.337 atores que falaram sobre o assunto apenas hoje (17/03) pela manhã. Como nos mapas anteriores, sobre "Lula", vemos polarização, mas uma polarização mais difusa. Os dois principais grupos (em rosa e preto) convergem contas pró governo federal (preto) e contra o governo federal (rosa). É importante notar que nem todos os atores dentro de cada grupo necessariamente assumem uma posição pró ou contra, mas são retuitados principalmente em conjunto com contas que se posicionam desta forma. O grupo verde claro, mais difuso, representa principalmente reverberação da mídia internacional. Os grupos coloridos, abaixo, notadamente compreendem contas com retweets humorísticos.&nbsp;</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703menoszoom-1172.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703menoszoom-1172.html','popup','width=1170,height=862,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703menoszoom-thumb-600x442-1172.png" width="600" height="442" alt="dilmanucleos1703menoszoom.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>No mapa a seguir podemos observar melhor os núcleos principais e as principais contas mencionadas. É possível ver a intersecção de contas humorísticas junto aos dois principais núcleos.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703-1175.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703-1175.html','popup','width=1176,height=843,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilmanucleos1703-thumb-600x430-1175.png" width="600" height="430" alt="dilmanucleos1703.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>O que acho mais relevante, entretanto, são os discursos em torno da presidenta. O mapa a seguir mostra o que está sendo dito nos tweets de modo mais geral. Grupos de conceitos mais relevantemente associados aparecem da mesma cor. O tamanho do conceito indica sua frequencia nos dados. É importante notar como esses grupos aparecem conectados, formando nuvens de sentido e associações. Mantive hashtags e palavras de ordem. É interessante observar que há conjuntos de conceitos que são típicos de apoiadores e outros, de detratores do governo federal. Mas na maioria, o discurso em torno do governo e da presidenta é agressivo e negativo. É importante também notar a forte associação entre os discursos e &nbsp;os termos "Dilma", "Lula" e "ministro".&nbsp;</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilma1703discurso-1178.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilma1703discurso-1178.html','popup','width=1157,height=821,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/dilma1703discurso-thumb-600x425-1178.png" width="600" height="425" alt="dilma1703discurso.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><br /></div><div><br /></div>]]>
        
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    <title>Atualização de ontem: Mais um pouco sobre a polarização a respeito de Lula</title>
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    <published>2016-03-11T14:38:49Z</published>
    <updated>2016-03-11T16:37:12Z</updated>

    <summary><![CDATA[Ontem, depois que eu publiquei o post sobre a polarização no Twitter, saiu a notícia de que o Ministério Público de SP teria pedido a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Como era de se esperar, os ânimos acirraram na rede com uma imensa quantidade de tweets em pouco tempo (mais de 90 mil com mais de 70 mil participantes em duas horas só na minha coleta, provavelmente bem mais no final).A rede tornou-se bem mais densa e bem mais polarizada, (Clique nas imagens para ver em tamanho maior.)O que me pareceu interessante foi que a polarização continuou, com um grupo favorável ao pedido de prisão (rosa) e outro contrário (verde). A rede a seguir representa nós que são agrupados pelos retweets e menções recebidas, ou seja, pela sua influência na discussão. O que é interessante é ver que cada grupo (contra ou a favor) tende a citar um certo conjunto de veículos e contas no Twitter, o que desenha essa polarização e também dá pistas sobre o discurso mais forte naquele grupo. No mapa a seguir, vemos esses clusters (grupos) de nós mais citados. Ë interessante observar também a presença de veículos noticiosos, de outras cores (porque não necessariamente foram tão retuitados pelos grupos, como no mapa que publiquei ontem) e da influência desses veículos nas narrativas construídas dentro de cada grupo. Podemos ver, por exemplo, que quem cita o @brasil247 está mais próximo de quem cita o @jeanwyllys_real do que de quem cita o @jornaloglobo. Este, por sua vez, tende a ser citado conjuntamente com outros veículos das organizações Globo.A maioria dos veículos noticiosos, por sinal, está em cores diferentes e ao centro dos clusters, indicando que sua função foi mais noticiosa (citados por outros grupos). Do outro lado, quem cita @o_antagonista, tende a estar mais próximo de quem cita o @blogdopim e a revista @veja, unico veículo noticioso que está mais "próximo" deste grupo.Ao mesmo tempo, há vários outros influenciadores (notadamente contas humorísticas) que estão ao redor dos grupos e em seu centro, indicando também a presença da questão do discurso da piada em torno do debate.Finalmente, no último grafo, vemos os conjuntos de conceitos mais fortemente associados (formações discursivas) nas tweets (e é importante ressaltar que o número de retweets tem grande influência na construção desse discurso. Ao centro, vemos o que foi mais associado ao Lula (em rosa), que é a notícia do pedido de prisão, e palavras como &nbsp;"golpe", "triplex", bem como o MP de SP. Em verde, vemos o segundo discurso mais prevalente (notadamente piadas sobre o pedido e a citação ao filósofo Hegel). Ao centro, em azul, o discurso sobre os protestos, associado a elementos mais "ativistas" (como retweets) ao evento.Além disso, outros conjuntos de falas também podem ser identificados, como a associação de Aécio Neves a Eduardo Cunha, discussão sobre o processo, especulações e etc.&nbsp;Esse post foi baseado num conjunto de cerca de 90 mil tweets coletados durante o início da madrugada de hoje. O tamanho dos nós indica primeiramente seu indegree (ou apenas o grau, como no caso da terceira imagem), e as cores, a modularidade (grupabilidade). As conexões indicam relações entre dois ou mais nós e sua espessura denota a importância (frequência) desta relação nos dados. Para saber mais sobre os métodos utilizados aqui, há alguns textos disponíveis na parte de "artigos" deste site, e também o livro "Análise de Redes para Midia Social" (de minha autoria, a venda pela editora Sulina)....]]></summary>
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        <![CDATA[Ontem, depois que eu publiquei o post sobre a polarização no Twitter, saiu a notícia de que o Ministério Público de SP teria pedido a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Como era de se esperar, os ânimos acirraram na rede com uma imensa quantidade de tweets em pouco tempo (mais de 90 mil com mais de 70 mil participantes em duas horas só na minha coleta, provavelmente bem mais no final).A rede tornou-se bem mais densa e bem mais polarizada, (Clique nas imagens para ver em tamanho maior.)<div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/1103tudo-1165.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/1103tudo-1165.html','popup','width=1177,height=854,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/1103tudo-thumb-600x435-1165.png" width="600" height="435" alt="1103tudo.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a><div>O que me pareceu interessante foi que a polarização continuou, com um grupo favorável ao pedido de prisão (rosa) e outro contrário (verde). A rede a seguir representa nós que são agrupados pelos <b>retweets e menções recebidas</b>, ou seja, pela sua<b> influência na discussão</b>. O que é interessante é ver que cada grupo (contra ou a favor) tende a citar um certo conjunto de veículos e contas no Twitter, o que desenha essa polarização e também <b>dá pistas sobre o discurso mais forte naquele grupo</b>. No mapa a seguir, vemos esses clusters (grupos) de nós mais citados. Ë interessante observar também a presença de veículos noticiosos, de outras cores (porque não necessariamente foram tão retuitados pelos grupos, como no mapa que publiquei ontem) e da <b>influência desses veículos nas narrativas construídas dentro de cada grupo</b>. Podemos ver, por exemplo, que quem cita o @brasil247 está mais próximo de quem cita o @jeanwyllys_real do que de quem cita o @jornaloglobo. Este, por sua vez, tende a ser citado conjuntamente com outros veículos das organizações Globo.A maioria dos veículos noticiosos, por sinal, está em cores diferentes e ao centro dos clusters, indicando que sua função foi mais noticiosa (citados por outros grupos). Do outro lado, quem cita @o_antagonista, tende a estar mais próximo de quem cita o @blogdopim e a revista @veja, unico veículo noticioso que está mais "próximo" deste grupo.</div><div><br /></div><div>Ao mesmo tempo, há vários outros influenciadores (notadamente contas humorísticas) que estão ao redor dos grupos e em seu centro, indicando também a presença da questão do discurso da piada em torno do debate.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/centroifluenciadores1103-1162.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/centroifluenciadores1103-1162.html','popup','width=1176,height=840,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/centroifluenciadores1103-thumb-600x428-1162.png" width="600" height="428" alt="centroifluenciadores1103.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>Finalmente, no último grafo, vemos os conjuntos de <b>conceitos mais fortemente associados</b> (formações discursivas) nas tweets (e é importante ressaltar que o número de retweets tem grande influência na construção desse discurso. Ao centro, vemos o que foi mais associado ao Lula (em rosa), que é a notícia do pedido de prisão, e palavras como &nbsp;"golpe", "triplex", bem como o MP de SP. Em verde, vemos o segundo discurso mais prevalente (notadamente piadas sobre o pedido e a citação ao filósofo Hegel). Ao centro, em azul, o discurso sobre os protestos, associado a elementos mais "ativistas" (como retweets) ao evento.Além disso, outros conjuntos de falas também podem ser identificados, como a associação de Aécio Neves a Eduardo Cunha, discussão sobre o processo, especulações e etc.&nbsp;</div></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/discursolula1102fr-1168.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/discursolula1102fr-1168.html','popup','width=1171,height=863,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/discursolula1102fr-thumb-600x442-1168.png" width="600" height="442" alt="discursolula1102fr.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>Esse post foi baseado num conjunto de cerca de 90 mil tweets coletados durante o início da madrugada de hoje. O tamanho dos nós indica primeiramente seu indegree (ou apenas o grau, como no caso da terceira imagem), e as cores, a modularidade (grupabilidade). As conexões indicam relações entre dois ou mais nós e sua espessura denota a importância (frequência) desta relação nos dados. Para saber mais sobre os métodos utilizados aqui, há alguns textos disponíveis na parte de "<a href="http://www.raquelrecuero.com/artigos.html">artigos</a>" deste site, e também o livro "<a href="http://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=670">Análise de Redes para Midia Social</a>" (de minha autoria, a venda pela editora Sulina).</div>]]>
        
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    <title>Polarização discursiva no Twitter: A conversação em torno de &quot;Lula&quot;</title>
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    <published>2016-03-10T16:35:13Z</published>
    <updated>2016-03-10T16:58:56Z</updated>

    <summary>Nos últimos dias, o ex-presidente e as notícias em torno de seu nome tomaram a internet. Hoje, novamente. Como o esperado, há uma grande centralização dos nós em torno de clusters contra e a favor de Lula. A figura a seguir mostra dois grupos. A rede é formada pelos retweets e mostra os influenciadores de cada grupo. Os maiores nós são aqueles que mais receberam atenção dos demais dentro do mesmo cluster. Assim, o tamanho é proporcional ao indegree (número de menções e retweets). Quanto mais citado o nó, maior o seu tamanho na rede. Os grupos, assim, mostram tendência a retuitar informações com as quais há concordância dentro do cluster. Quanto mais próximos da fronteira entre os dois grupos, mais retuitado por nós dos dois grupos o ator foi. A demarcação dos grupos foi feita por modularidade.O que acho interessante nesse quadro é justamente a polarização das notícias/informações contra e favoráveis a Lula, polarizando a rede em dois grandes grupos, cuja filiação está demarcada pelos nós mais influentes de cada grupo. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)Na figura a seguir vemos as hashtags mais usadas nos tweets sobre o ex-presidente. As hashtags, como já defendi em alguns artigos, têm um forte papel ativista e compreendem também iniciativas de influência, no sentido de surgirem dentro de grupos de apoio/contrários (o que pode ser percebido na tagcloud a seguir). Há forte articulação, assim, tanto contrária quanto a favor de Lula.A primeira imagem é um quadro referente apenas à conversação de hoje, cerca de 15 mil tweets da manhã de hoje. A segunda imagem já diz respeito a dados coletados desde o dia 04/03, quando começaram a sugrir as primeiras notícias e cerca de 250 mil tweets compreendidos entre este dia e hoje. (Importante salientar: Um mesmo tweet poderia conter mais de uma hashtag, por exemplo, portanto, estas não são representativas da quantidade de tweets, mas da quantidade de tags.)...</summary>
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        <![CDATA[Nos últimos dias, o ex-presidente e as notícias em torno de seu nome tomaram a internet. Hoje, novamente. Como o esperado, há uma grande centralização dos nós em torno de clusters contra e a favor de Lula. A figura a seguir mostra dois grupos. A rede é formada pelos retweets e mostra os influenciadores de cada grupo. Os maiores nós são aqueles que mais receberam atenção dos demais dentro do mesmo cluster. Assim, o tamanho é proporcional ao indegree (número de menções e retweets). Quanto mais citado o nó, maior o seu tamanho na rede. Os grupos, assim, mostram tendência a retuitar informações com as quais há concordância dentro do cluster. Quanto mais próximos da fronteira entre os dois grupos, mais retuitado por nós dos dois grupos o ator foi. A demarcação dos grupos foi feita por modularidade.<div><br /></div><div>O que acho interessante nesse quadro é justamente a polarização das notícias/informações contra e favoráveis a Lula, polarizando a rede em dois grandes grupos, cuja filiação está demarcada pelos nós mais influentes de cada grupo. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)<br /><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/lulaindegreemod-1156.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/lulaindegreemod-1156.html','popup','width=1181,height=849,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/lulaindegreemod-thumb-600x431-1156.png" width="600" height="431" alt="lulaindegreemod.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>Na figura a seguir vemos as hashtags mais usadas nos tweets sobre o ex-presidente. As hashtags, como já defendi em alguns artigos, têm um forte papel ativista e compreendem também iniciativas de influência, no sentido de surgirem dentro de grupos de apoio/contrários (o que pode ser percebido na tagcloud a seguir). Há forte articulação, assim, tanto contrária quanto a favor de Lula.</div></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/wordcloud-1159.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/wordcloud-1159.html','popup','width=1024,height=768,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/03/wordcloud-thumb-600x450-1159.png" width="600" height="450" alt="wordcloud.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>A primeira imagem é um quadro referente apenas à conversação de hoje, cerca de 15 mil tweets da manhã de hoje. A segunda imagem já diz respeito a dados coletados desde o dia 04/03, quando começaram a sugrir as primeiras notícias e cerca de 250 mil tweets compreendidos entre este dia e hoje. (Importante salientar: Um mesmo tweet poderia conter mais de uma hashtag, por exemplo, portanto, estas não são representativas da quantidade de tweets, mas da quantidade de tags.)</div>]]>
        
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    <title>Surtos de Dengue e Zika: Comparativos de Discursos em Português, Inglês e Espanhol</title>
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    <published>2016-02-03T13:16:51Z</published>
    <updated>2016-02-03T15:47:28Z</updated>

    <summary><![CDATA[Estamos monitorando um pouco do que tem sido publicado na midia social sobre as epidemias de dengue e zika no Brasil. Retirei dados do Twitter no período do dia 20/01 a 29/01 (dez dias) para testar algumas hipóteses, como a questão dos discursos em torno de cada uma das doenças. Ambas são transmitidas pelo mosquito aedes aegypt, que infesta todos os estados da federação. Utilizamos para esta análise a coleta automática de tweets, limpeza de dados e análises utilizando princípios de análise de conteúdo (contingência) &nbsp;e algumas métricas de análise de redes.&nbsp;Resumo:Rapidamente, para quem não vai ler textão:Há mais tweets em Inglês e Espanhol sobre o zika virus do que em Português. Proporcionalmente, há mais tweets sobre a dengue em Português e Espanhol. Em inglês a doença quase não é citada.Mesmo com os efeitos da dengue mais abrangentes com relação à população em geral, a zika aparece mais associada a síndromes e ao pânico.Parte dos tweets sobre a dengue "pega carona" no pânico da zika, como mais uma consequencia da doença.A doença é associada ao mosquito e à transmissão pelo mosquito em todas as linguas.&nbsp;Há uma tendência de aumento no número de tweets sobre zika e dengue, associados ao pânico pelos efeitos.&nbsp;O foco dos tweets em Português é o Brasil, Dentre os conceitos mais associados está o governo, a presidenta Dilma, o medo e a transmissão.Os tweets em Inglês e Espanhol são bem mais alarmistas com relação ao que está acontecendo.&nbsp;A discussão sobre o aborto aparece associada à doença em todos os datasets.&nbsp;Tweets em Espanhol focam a América Latina, a questão da gravidez e aborto, os problemas para o feto e os bebês, além de alertas de viagem para os países atingidos. Os tweets em inglês focam os problemas da doença e seus efeitos (principalmente nos bebês) e são mais focados na Europa e EUA.&nbsp;Jogos Olímpicos aparecem fortemente associados ao Rio e às doenças, dentro do clima de alerta geral, de modo mais forte em Inglês, mas também em Espanhol e Português, mostrando que pode haver algum tipo de prejuízo ao evento devido ao pânico.&nbsp;ContextoPara algum contexto, os últimos&nbsp;dados do ministério da saúde&nbsp;(semana epidemiologica 52-2015), foram registrados mais de 1,6 milhões de casos prováveis de dengue no País, principalmente na região sudeste e com pouco mais de 21 mil casos graves e pouco mais de 800 óbitos. O aumento em relação a 2014 é considerável, muitas vezes dobrado. Já a zika é uma doença nova no País, cuja maioria dos casos não se consegue registrar pela falta de sintomas e que se espalhou principalmente pela regiao nordeste. Embora seja aparentemente uma doença de menor gravidade em relação a dengue, seu alarde deu-se principalmente com a confirmação de relação entre danos neurológicos em fetos (casos de microcefalia) e seu aumento no País. Há confusão nos números dos casos de zika, falando-se entre 500 mil e 1,5 mi em 2015. Desde o meio de 2015, o Brasil registrou mais de 4 mil casos de microcefalia, nem todos associados a zika, mas com um aumento alarmante em relação à média geral.DadosEm primeiro lugar, o número total de tweets sobre a zika é muito maior do que os tweets sobre a dengue no mesmo período. Embora a dengue seja uma doença mais abrangente em termos populacionais, e aparentemente mais perigosa, é a zika que domina as conversas, com a maioria expressiva de tweets (621.670), contra da 317.430 da dengue no mesmo período. É evidente que as duas doenças estão associadas em vários tweets. Diividimos esses tweets por linguagem identificada entre Português, Espanhol e Inlgês (apenas 432.473 sobre a zika e 183.951 sobre a dengue). Na imagem a seguir, vemos a divisão por lingua entre os tweets sobre cada uma das doenças.É interessante observar que o número de tweets é muito maior em espanhol e inglês (o que poderia implicar em um interesse externo muito maior nas notícias sobre as doenças fora do Brasil do que dentro do Brasil). Também vemos que o número de tweets em Português sobre as duas doenças é mais próximo proporcionalmente, enquanto em Espanhol e Inlgês o destaque é principalmente para a zika. Observamos também que as menções à dengue, em inglês, são muito baixas em relação aos dados das outras linguas. O volume de tweets em espanhol é o mais expressivo.Mas o que tem sido dito sobre a zika?Não vou colocar todos os dados aqui, mas alguns elementos relevantes podem ser observados em cada um dos grafos. Vou focar principalmente nos dados sobre a Zika. A principal diferença entre os discursos das doenças é que o da dengue é bem mais ameno, mais "burocrático", enquanto nos tweets que falam sobre a zika apenas há um tom bastante alarmista e de pânico em muitos casos.Nos grafos, as co-ocorrências mostram conceitos que tendem a aparecer juntos (conexões) e o tamanho das palavras indica sua frequencia naquele conjunto. Os dados a seguir focam principalmente as temáticas mais frequentes, dadas pelas associações normalizadas entre os conceitos. Para ver as imagens em tamanho maior, basta clicar nelas.&nbsp;Com relação aos tweets em Português, grande destaque é dado ao espalhamento do virus, sua associação com o País, com o mosquito, com a epidemia e com a microcefalia. É importante ressaltar também duas associações fortes, entre as Olimpíadas, o Carnaval, o Brasil e o vírus, e entre o governo (principalmente a presidenta Dilma), o ministério (da saúde) e o combate ao vírus e entre a gravidez, a microcefalia e o vírus. A questão da transmissão sexual também é abordada. &nbsp;Apesar dessas associações, a maior parte do que é dito circula em torno de adjetivos relacionados ao medo, ao alerta e à esperança por uma vacina. Também nota-se forte associação entre a zika, a dengue e a chikunguya, outra doença causada pelo aedes. &nbsp;Na imagem a seguir vemos as principais associações temáticas, de onde observamos de forma mais forte os eventos do Carnaval e das Olimpíadas também associados ao temor pelo espalhamento da doença. A temática do aborto também aparece na discussão junto à gravidez e mulheres.Em espanhol, o tom é bem mais alarmista que em Português. Além de falar em "muertes" e "malformaciones", os termos usados focam em "urgência", "alerta", "perigo" e etc. Diferentemente dos tweets em Português, que focam praticamente apenas o Brasil, os tweets em espanhol associam a doença à america latina em geral (note-se os variados países citados), notadamente Argentina, Colombia, Venezuela e Bolívia. No quadro, também vemos os alertas direcionados aos viajantes (que também não aparecem nos tweets em Português), focados na gravidez e na má formação fetal. &nbsp;A discussão sobre o aborto também aparece neste mapa e notamos uma forte associação entre o vírus e as Olimpíadas e o Rio de Janeiro. Também vemos a dengue e a chikunguya associadas ao debate. Nos tweets em espanhol, também, o combate aparece principalmente através do uso de mosquitos transgênicos (e também há a menção ao contágio sexual).Os tweets em inglês são ainda mais alarmistas que os em Português e Espanhol. A doença é fortemente associada aos mosquitos, à América Latina (e ao clima tropical e ao Brasil), à saúde, bem como relacionada aos problemas na gravidez para mulheres e aos problemas neurológicos (cerebrais) nos bebês. A discussão sobre o aborto também é levantada. Palavras como "threat" (ameaça), "alarming" (alarmante), "explosively" (explosivo), "risk"( risco) , "panic" (panico) e etc. aparecem bastante, dando o tom geral dos tweets. Novamente, como no conjunto de dados em espanhol, vemos alerta aos viajantes e uma forte associação entre as Olimpíadas, o Rio e a necessidade de prevenção. Nesse conjunto de tweets também aparece, mas de forma discreta, a dengue e a síndrome de Guillan-Barré, um tipo de paralisia associada à infecção pelo zika.&nbsp;É interessante observar que há muito mais atenção da comunidade internacional nos tweets do que da própria população do Twitter no Brasil. Além disso, essa atenção é direcionada principalmente à zika, e em bem menor medida, &nbsp;à dengue. Entre as associações mais fortes está o virus à América Latina e às Olimpíadas, além dos diversos alertas de viagem aos países atingidos (e consequentemente ao Brasil). Em todos os tweets há um tom alarmista, mas ele é pior em inglês. Outro ponto relevante é o destaque para as ações de prevenção e a esperança pela vacina. No tweets em Português, também vemos a associação da doença com o Carnaval e a palavra "Deus" associada. &nbsp;Os tweets em inglês, são mais alarmistas, focados na emergência de saúde mundial e no espalhamento da epidemia e suas consequencias. Alertas diversos para viagens e para as Olimpíadas e um forte foco na questão da microcefalia também aparecem aqui de modo diferente. &nbsp;Em espanhol, os tweets já focam principalmente a América Latina, embora a regularidade da associação com viagem e com as Olimpíadas seja igual aos dados em inglês....]]></summary>
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        <category term="análise de redes sociais" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
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        <![CDATA[Estamos monitorando um pouco do que tem sido publicado na midia social sobre as epidemias de dengue e zika no Brasil. Retirei dados do Twitter no período do dia 20/01 a 29/01 (dez dias) para testar algumas hipóteses, como a questão dos discursos em torno de cada uma das doenças. Ambas são transmitidas pelo mosquito aedes aegypt, que infesta todos os estados da federação. Utilizamos para esta análise a coleta automática de tweets, limpeza de dados e análises utilizando princípios de análise de conteúdo (contingência) &nbsp;e algumas métricas de análise de redes.&nbsp;<div><br /></div><div><b>Resumo:</b></div><div>Rapidamente, para quem não vai ler textão:</div><div><ul><li>Há <b>mais tweets em Inglês e Espanhol sobre o zika virus do que em Português</b>. Proporcionalmente, há mais tweets sobre a dengue em Português e Espanhol. Em inglês a doença quase não é citada.Mesmo com os efeitos da dengue mais abrangentes com relação à população em geral, a zika aparece mais associada a síndromes e ao pânico.</li><li>Parte dos tweets sobre a dengue "pega carona" no pânico da zika, como mais uma consequencia da doença.</li><li>A doença é associada ao mosquito e à transmissão pelo mosquito em todas as linguas.&nbsp;</li><li>Há uma<b> tendência de aumento no número de tweets </b>sobre zika e dengue, associados ao pânico pelos efeitos.&nbsp;</li><li>O foco dos tweets em Português é o<b> Brasil</b>, Dentre os conceitos mais associados está <b>o governo, a presidenta Dilma, o medo e a transmissão</b>.</li><li>Os tweets em Inglês e Espanhol são bem <b>mais alarmistas </b>com relação ao que está acontecendo.&nbsp;</li><li>A <b>discussão sobre o aborto</b> aparece associada à doença em todos os datasets.&nbsp;</li><li>Tweets em Espanhol focam a América Latina, a questão da gravidez e aborto, os problemas para o feto e os bebês, além de alertas de viagem para os países atingidos. Os tweets em inglês focam os problemas da doença e seus efeitos (principalmente nos bebês) e são mais focados na Europa e EUA.&nbsp;</li><li>J<b>ogos Olímpicos aparecem fortemente associados ao Rio e às doenças, dentro do clima de alerta geral,</b> de modo mais forte em Inglês, mas também em Espanhol e Português, mostrando que pode haver algum tipo de prejuízo ao evento devido ao pânico.&nbsp;</li></ul></div><div><div><br /></div><div><b>Contexto</b></div><div>Para algum contexto, os últimos&nbsp;<a href="http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/janeiro/15/svs2016-be003-dengue-se52.pdf">dados do ministério da saúde</a>&nbsp;(semana epidemiologica 52-2015), foram registrados mais de 1,6 milhões de casos prováveis de dengue no País, principalmente na região sudeste e com pouco mais de 21 mil casos graves e pouco mais de 800 óbitos. O aumento em relação a 2014 é considerável, muitas vezes dobrado. Já a zika é uma doença nova no País, cuja maioria dos casos não se consegue registrar pela falta de sintomas e que se espalhou principalmente pela regiao nordeste. Embora seja aparentemente uma doença de menor gravidade em relação a dengue, seu alarde deu-se principalmente com a confirmação de relação entre danos neurológicos em fetos (casos de <a href="http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/janeiro/11/2015-053-para-substituir-na-p--gina.pdf">microcefalia</a>) e seu aumento no País. Há confusão nos números dos casos de zika, <a href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160129_numero_conflito_zika_lab">falando-se entre 500 mil e 1,5 mi em 2015</a>. Desde o meio de 2015, o Brasil registrou mais de 4 mil casos de microcefalia, nem todos associados a zika, mas com um aumento alarmante em relação à média geral.<div><br /></div><div><b>Dados</b></div></div><div>Em primeiro lugar, o número total de tweets sobre a zika é muito maior do que os tweets sobre a dengue no mesmo período. Embora a dengue seja uma doença mais abrangente em termos populacionais, e aparentemente mais perigosa, é a zika que domina as conversas, com a maioria expressiva de tweets (621.670), contra da 317.430 da dengue no mesmo período. É evidente que as duas doenças estão associadas em vários tweets. Diividimos esses tweets por linguagem identificada entre Português, Espanhol e Inlgês (apenas 432.473 sobre a zika e 183.951 sobre a dengue). Na imagem a seguir, vemos a divisão por lingua entre os tweets sobre cada uma das doenças.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetstotaisperiodopordoenca-1135.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetstotaisperiodopordoenca-1135.html','popup','width=480,height=289,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetstotaisperiodopordoenca-thumb-600x361-1135.png" width="600" height="361" alt="tweetstotaisperiodopordoenca.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>É interessante observar que o número de tweets é muito maior em espanhol e inglês (o que poderia implicar em um interesse externo muito maior nas notícias sobre as doenças fora do Brasil do que dentro do Brasil). Também vemos que o número de tweets em Português sobre as duas doenças é mais próximo proporcionalmente, enquanto em Espanhol e Inlgês o destaque é principalmente para a zika. Observamos também que as menções à dengue, em inglês, são muito baixas em relação aos dados das outras linguas. O volume de tweets em espanhol é o mais expressivo.</div><div><br /></div><div><b><br /></b></div><div><b>Mas o que tem sido dito sobre a zika?</b></div><div><br /></div><div>Não vou colocar todos os dados aqui, mas alguns elementos relevantes podem ser observados em cada um dos grafos. Vou focar principalmente nos dados sobre a Zika. A principal diferença entre os discursos das doenças é que o da dengue é bem mais ameno, mais "burocrático", enquanto nos tweets que falam sobre a zika apenas há um tom bastante alarmista e de pânico em muitos casos.</div><div><br /></div><div><i>Nos grafos, as co-ocorrências mostram conceitos que tendem a aparecer juntos (conexões) e o tamanho das palavras indica sua frequencia naquele conjunto. Os dados a seguir focam principalmente as temáticas mais frequentes, dadas pelas associações normalizadas entre os conceitos. Para ver as imagens em tamanho maior, basta clicar nelas.&nbsp;</i></div><div><br /></div><div>Com relação aos tweets em Português, grande destaque é dado ao espalhamento do virus, sua associação com o País, com o mosquito, com a epidemia e com a microcefalia. É importante ressaltar também duas associações fortes, entre as Olimpíadas, o Carnaval, o Brasil e o vírus, e entre o governo (principalmente a presidenta Dilma), o ministério (da saúde) e o combate ao vírus e entre a gravidez, a microcefalia e o vírus. A questão da transmissão sexual também é abordada. &nbsp;Apesar dessas associações, a maior parte do que é dito circula em torno de adjetivos relacionados ao medo, ao alerta e à esperança por uma vacina. Também nota-se forte associação entre a zika, a dengue e a chikunguya, outra doença causada pelo aedes. &nbsp;Na imagem a seguir vemos as principais associações temáticas, de onde observamos de forma mais forte os eventos do Carnaval e das Olimpíadas também associados ao temor pelo espalhamento da doença. A temática do aborto também aparece na discussão junto à gravidez e mulheres.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetmodPT-1144.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetmodPT-1144.html','popup','width=1120,height=834,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetmodPT-thumb-600x446-1144.png" width="600" height="446" alt="tweetmodPT.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>Em espanhol, o tom é bem mais alarmista que em Português. Além de falar em "muertes" e "malformaciones", os termos usados focam em "urgência", "alerta", "perigo" e etc. Diferentemente dos tweets em Português, que focam praticamente apenas o Brasil, os tweets em espanhol associam a doença à america latina em geral (note-se os variados países citados), notadamente Argentina, Colombia, Venezuela e Bolívia. No quadro, também vemos os alertas direcionados aos viajantes (que também não aparecem nos tweets em Português), focados na gravidez e na má formação fetal. &nbsp;A discussão sobre o aborto também aparece neste mapa e notamos uma forte associação entre o vírus e as Olimpíadas e o Rio de Janeiro. Também vemos a dengue e a chikunguya associadas ao debate. Nos tweets em espanhol, também, o combate aparece principalmente através do uso de mosquitos transgênicos (e também há a menção ao contágio sexual).</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodESP-1150.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodESP-1150.html','popup','width=1147,height=867,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodESP-thumb-600x453-1150.png" width="600" height="453" alt="tweetsmodESP.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><br /></div><div><br /></div><div><br /></div><div>Os tweets em inglês são ainda mais alarmistas que os em Português e Espanhol. A doença é fortemente associada aos mosquitos, à América Latina (e ao clima tropical e ao Brasil), à saúde, bem como relacionada aos problemas na gravidez para mulheres e aos problemas neurológicos (cerebrais) nos bebês. A discussão sobre o aborto também é levantada. Palavras como "threat" (ameaça), "alarming" (alarmante), "explosively" (explosivo), "risk"( risco) , "panic" (panico) e etc. aparecem bastante, dando o tom geral dos tweets. Novamente, como no conjunto de dados em espanhol, vemos alerta aos viajantes e uma forte associação entre as Olimpíadas, o Rio e a necessidade de prevenção. Nesse conjunto de tweets também aparece, mas de forma discreta, a dengue e a síndrome de Guillan-Barré, um tipo de paralisia associada à infecção pelo zika.&nbsp;</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodENG-1153.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodENG-1153.html','popup','width=1101,height=853,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2016/02/tweetsmodENG-thumb-600x464-1153.png" width="600" height="464" alt="tweetsmodENG.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><br /></div><div>É interessante observar que há muito mais atenção da comunidade internacional nos tweets do que da própria população do Twitter no Brasil. Além disso, essa atenção é direcionada principalmente à zika, e em bem menor medida, &nbsp;à dengue. Entre as associações mais fortes está o virus à América Latina e às Olimpíadas, além dos diversos alertas de viagem aos países atingidos (e consequentemente ao Brasil). Em todos os tweets há um tom alarmista, mas ele é pior em inglês. Outro ponto relevante é o destaque para as ações de prevenção e a esperança pela vacina. No tweets em Português, também vemos a associação da doença com o Carnaval e a palavra "Deus" associada. &nbsp;Os tweets em inglês, são mais alarmistas, focados na emergência de saúde mundial e no espalhamento da epidemia e suas consequencias. Alertas diversos para viagens e para as Olimpíadas e um forte foco na questão da microcefalia também aparecem aqui de modo diferente. &nbsp;Em espanhol, os tweets já focam principalmente a América Latina, embora a regularidade da associação com viagem e com as Olimpíadas seja igual aos dados em inglês.</div></div>]]>
        
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    <title>Sobre o Ódio da Mídia Social</title>
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    <published>2015-11-24T09:24:57Z</published>
    <updated>2015-11-24T10:18:40Z</updated>

    <summary><![CDATA[Tenho falado com alguma frequencia sobre a questão da proliferação do discurso de ódio na mídia social. Pesquisamos o ódio e a violência (entendida aqui como violência discursiva) no MIDIARS desde 2008 e, embora não tenhamos uma resposta a respeito dos motivos pelos quais a midia social (em geral) tornou-se mais agressiva, trabalhamos com algumas hipóteses que vou dividir aqui com vocês.A Conversação na Mídia SocialEm primeiro lugar, precisamos compreender que a mídia social é apropriada como análoga da conversação, embora, na maior parte das vezes, seja escrita. As pessoas utilizam esses canais de modo informal, de forma rápida (dificilmente alguém fica horas considerando o que vai dizer, como numa carta, a interação é rápida, é preciso pressa) e pessoal. As conversações, entretanto, detém um processo complexo de constante negociação, onde tudo aquilo que é dito é avaliado pelo feedback dos demais e realinhado conforme a recepção. Assim, por exemplo, se você está conversando no espaço offline com algum grupo, você está constantemente alinhando aquilo que você diz pelo feedback que você recebe. Imagine que você está conversando com um colega de trabalho que você não tem muita intimidade e, pelo andar do assunto, você arrisca uma pequena crítica a outro colega ("Mas o Fulano anda meio estranho..."). O colega que conversa com você responde algo não esperado ("Estranho? Não, acho que ele está bem normal."). Ao invés de continuar a crítica, em geral, você tende a suavizá-la ("Ah, achei meio quieto só") &nbsp;ou refutá-la ("Deve ter sido impressão minha então"). Isso porque o objetivo da interação raramente é o conflito, em geral, é a concordância, é a manutenção/aprofundamento do laço social (Gosto muito da noção de "face" do Goffman, que foca muito bem os propósitos da interação, focados na manutenção da face - concordância- e não na ameaça a ela - discordância).. As pessoas (de modo geral) não conversam para fazer inimigos, mas ampliar suas conexões sociais. Só que isso não acontece na mídia social, onde a conversação é assíncrona, os turnos não são subsequentes e a organização é muito mais caótica.Interação com uma telaNa maior parte das vezes, quem "fala" na midia social, fala com uma tela. Isso significa que os turnos da conversa não são sequenciais (ou seja, você não tem feedback imediato, como na conversação "offline"), e com isso, não se consegue adequar a interação como na conversação offline. O que as pessoas fazem então é "despejar" tudo aquilo que diriam numa conversa onde há concordância, imaginando uma audiência potencial com a qual ela provavelmente já interagiu, que concorda com ela. A tela não apresenta feedback e, por isso, é difícil modular aquilo que se diz.Audiência InvisívelImaginemos assim, que você convive em um reduto, no trabalho, que tem uma determinada posição política. Na hora do café, todos os colegas discutem animadamente a situação do País, e todos concordam com uma posição determinada, contam piadas daqueles que pensam de modo contrário e trocam informações sobre o assunto. Quando você vai ao Facebook, por exemplo, e vai falar sobre o assunto, a tendência é que se imagine esta audiência e se tome a mesma como audiência geral e vai acabar publicando coisas com as quais você entende que há apoio do seu grupo. Costumo dizer que é como se falássamos para um teatro lotado, onde apenas vemos a primeira fila, que parece estar concordando conosco. O problema é que aquilo que se diz está sendo publicado e, portanto, será visto por outras pessoas (o resto do teatro). Assim, no mesmo exemplo, podemos imaginar colegas de outro setor ou um time gerencial que faz o mesmo que os seus colegas e você, mas que tem outra posição política oposta. Quando você publica algo contrário a isso e sem a opção de feedback (ou seja, possibilidade de suavizar a crítica), embora agrade a seu grupo vai ameaçar a face deste outro, que também é sua audiência. Talvez não tenha sido nem a intenção ofender a essas pessoas, acaba acontecendo. (Essa é uma idéia da danah boyd, no texto dos "públicos mediados".)Confusão dos Espaços SociaisOutro problema é a confusão dos espaços sociais. Na sua vida, cada espaço social configura um contexto específico onde determinadas coisas podem ou não ser ditas. Por exemplo, no almoço de família, o assunto "relações amorosas" pode ser proibido, mas junto aos amigos, ele é liberado. Tem coisas que podem ser ditas no bar, mas que não podem ser trazidas ao ambiente de trabalho. Na vida offline, enxergamos essas fronteiras com clareza e nos adequamos a elas. Nos canais de mídia social, ao contrário, esses espaços são confundidos. Temos família, colegas de trabalho (por vezes o chefe), amigos e etc. Agora imaginemos que você está insatisfeito com alguma ocorrência no trabalho. Você poderia queixar-se aos colegas ou amigos ou familia, mas certamente não iria ao chefe diretamente. Na midia social, entretanto, não há essa separação. Todos estão lá. Tudo é dito.Colapso dos ContextosTudo isso faz com que os contextos da conversação na midia social sejam complexos e difíceis de delimitar durante a interação.&nbsp;E sem o feedback, as pessoas acabam dizendo coisas que ofendem a outros o que faz com que a agressividade escale. Com a dificuldade de adequar o que é dito rapidamente, há ofensas permanentes e muita gente acaba se desligando de outras pessoas e isolando-se de outros grupos. A agressividade gera mais agressividade. (Essa também é uma idéia da danah boyd, no mesmo texto.)Maior Visibilidade de Discursos presentes na SociedadeAlém dessas questões individuais, a publicação de falas faz com que determinados discursos presentes na sociedade sejam mais visíveis (racismo, misoginia, homofobia, violência e etc.). Assim, elementos de preconceito que são mais modulados na interação face a face aparecem mais. E há dois lados para esses elementos. Se por um lado, eles são mais desafiados pela audiência invisível na mídia social (você conta uma piada preconceituosa que sempre falou aos amigos, mas na internet as pessoas caem em cima), eles também encontram concordância (outras pessoas saem em sua defesa). Como o argumento é ad hominem, ou seja, critica-se o locutor e não o discurso ("vc é burro pq disse A"), a tendência é a polarização (como vários trabalhos sobre política têm demonstrado) e não o diálogo para desconstruir o preconceito. Deste modo, a discussão acaba polarizada, com dois grupos que se agridem.Robôs que proliferam o ÓdioFinalmente, temos também um grande número de bots e contas falsas que insistentemente reproduzem determinados discursos agressivos (e muitos também falsos), o que também contribui para a disseminação da agressão e da desinformação e não o diálogo.&nbsp;Ou seja, as pessoas não são "mais agressivas" no espaço online. Elas simplesmente estão entrando em um ambiente onde a agressão está presente na conversação e escala. Sentindo-se agredidas, elas tendem a agredir o que só aumenta o caos. Isso gera uma insatisfação com ferramentas mais amplas (como o Facebook e o Twitter) e motiva também uma corrida a ferramentas mais "fechadas", onde se saiba exatamente quem é o grupo com quem se fala (como os grupos no Whatsapp, por exemplo). Além disso, também levam as pessoas a limitar seus posts, limitar a visibilidade e buscar separar os grupos que recebem suas mensagens. Essa separação hoje já é cotidiana no Facebook ("unfollow") e constrói redutos informativos, apagando os discursos contrários, o que também não é necessariamente bom para a sociedade. O contato com o contraditório é importante, porque faz pensar e mostra que não há um único ponto de vista sobre alguma coisa. Minha esperança na mídia social era isso, mas o que temos visto é o contrário (separação dos grupos e apagamento dos discursos). Também vemos o crescimento de grupos ativistas, que buscam espalhar determinados discursos (já falei um pouco no último post desses elementos), que buscam amplificar essas idéias, o que tem, por vezes, sido bem sucedido....]]></summary>
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        <name>raquel</name>
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        <![CDATA[<a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/hate-1130.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/hate-1130.html','popup','width=553,height=580,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/hate-thumb-250x262-1130.png" width="250" height="262" alt="hate.png" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a>Tenho falado com alguma frequencia sobre a questão da proliferação do discurso de ódio na mídia social. Pesquisamos o ódio e a violência (entendida aqui como violência discursiva) no MIDIARS desde 2008 e, embora não tenhamos uma resposta a respeito dos motivos pelos quais a midia social (em geral) tornou-se mais agressiva, trabalhamos com algumas hipóteses que vou dividir aqui com vocês.<div><br /></div><div><b>A Conversação na Mídia Social</b><br /><div>Em primeiro lugar, precisamos compreender que a mídia social é apropriada como <b>análoga da conversação</b>, embora, na maior parte das vezes, seja escrita. As pessoas utilizam esses canais de modo informal, de forma rápida (dificilmente alguém fica horas considerando o que vai dizer, como numa carta, a interação é rápida, é preciso pressa) e pessoal. As conversações, entretanto, detém um processo complexo de constante negociação, onde tudo aquilo que é dito é avaliado pelo feedback dos demais e realinhado conforme a recepção. Assim, por exemplo, se você está conversando no espaço offline com algum grupo, você está constantemente alinhando aquilo que você diz pelo feedback que você recebe. Imagine que você está conversando com um colega de trabalho que você não tem muita intimidade e, pelo andar do assunto, você arrisca uma pequena crítica a outro colega ("Mas o Fulano anda meio estranho..."). O colega que conversa com você responde algo não esperado ("Estranho? Não, acho que ele está bem normal."). Ao invés de continuar a crítica, em geral, você tende a suavizá-la ("Ah, achei meio quieto só") &nbsp;ou refutá-la ("Deve ter sido impressão minha então"). Isso porque o objetivo da interação raramente é o conflito, em geral, é a concordância, é a manutenção/aprofundamento do laço social (Gosto muito da noção de "face" do Goffman, que foca muito bem os propósitos da interação, focados na manutenção da face - concordância- e não na ameaça a ela - discordância).. As pessoas (de modo geral) não conversam para fazer inimigos, mas ampliar suas conexões sociais. <b>Só que isso não acontece na mídia social, onde a conversação é assíncrona, os turnos não são subsequentes e a organização é muito mais caótica.</b></div><div><br /></div><div><div><b>Interação com uma tela</b></div><div>Na maior parte das vezes, quem "fala" na midia social, fala com uma tela. Isso significa que os turnos da conversa não são sequenciais (ou seja, você não tem feedback imediato, como na conversação "offline"), e com isso, não se consegue adequar a interação como na conversação offline. O que as pessoas fazem então é "despejar" tudo aquilo que diriam numa conversa onde há concordância, imaginando uma audiência potencial com a qual ela provavelmente já interagiu, que concorda com ela. A tela não apresenta feedback e, por isso, é difícil modular aquilo que se diz.</div><div><br /></div><div><b>Audiência Invisível</b></div><div>Imaginemos assim, que você convive em um reduto, no trabalho, que tem uma determinada posição política. Na hora do café, todos os colegas discutem animadamente a situação do País, e todos concordam com uma posição determinada, contam piadas daqueles que pensam de modo contrário e trocam informações sobre o assunto. Quando você vai ao Facebook, por exemplo, e vai falar sobre o assunto, a tendência é que se imagine esta audiência e se tome a mesma como audiência geral e vai acabar publicando coisas com as quais você entende que há apoio do seu grupo. Costumo dizer que <b>é como se falássamos para um teatro lotado, onde apenas vemos a primeira fila, que parece estar concordando conosco.</b> O problema é que aquilo que se diz está sendo <b>publicado </b>e, portanto, será visto por outras pessoas (o resto do teatro). Assim, no mesmo exemplo, podemos imaginar colegas de outro setor ou um time gerencial que faz o mesmo que os seus colegas e você, mas que tem outra posição política oposta. Quando você publica algo contrário a isso e sem a opção de feedback (ou seja, possibilidade de suavizar a crítica), embora agrade a seu grupo vai ameaçar a face deste outro, que também é sua audiência. Talvez não tenha sido nem a intenção ofender a essas pessoas, acaba acontecendo. (Essa é uma idéia da danah boyd, no texto dos "públicos mediados".)</div><div><br /></div><div><b>Confusão dos Espaços Sociais</b></div></div><div>Outro problema é a confusão dos espaços sociais. Na sua vida, <b>cada espaço social configura um contexto específico onde determinadas coisas podem ou não ser ditas</b>. Por exemplo, no almoço de família, o assunto "relações amorosas" pode ser proibido, mas junto aos amigos, ele é liberado. Tem coisas que podem ser ditas no bar, mas que não podem ser trazidas ao ambiente de trabalho. Na vida offline, enxergamos essas fronteiras com clareza e nos adequamos a elas. Nos canais de mídia social, ao contrário, esses espaços são confundidos. Temos família, colegas de trabalho (por vezes o chefe), amigos e etc. Agora imaginemos que você está insatisfeito com alguma ocorrência no trabalho. Você poderia queixar-se aos colegas ou amigos ou familia, mas certamente não iria ao chefe diretamente. <b>Na midia social, entretanto, não há essa separação. </b>Todos estão lá. Tudo é dito.</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2013/01/Dislike-Social-Media3-457.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2013/01/Dislike-Social-Media3-457.html','popup','width=575,height=270,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2013/01/Dislike-Social-Media3-thumb-300x140-457.jpg" width="300" height="140" alt="Dislike-Social-Media3.jpg" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></a></div><div><b>Colapso dos Contextos</b></div><div>Tudo isso faz com que os <b>contextos da conversação na midia social sejam complexos e difíceis de delimitar durante a interação.</b>&nbsp;E sem o feedback, as pessoas acabam dizendo coisas que ofendem a outros o que faz com que a agressividade escale. Com a dificuldade de adequar o que é dito rapidamente, há ofensas permanentes e muita gente acaba se desligando de outras pessoas e isolando-se de outros grupos. A agressividade gera mais agressividade. (Essa também é uma idéia da danah boyd, no mesmo texto.)</div><div><br /></div><div><b>Maior Visibilidade de Discursos presentes na Sociedade</b></div><div>Além dessas questões individuais, a <b>publicação de falas faz com que determinados discursos presentes na sociedade sejam mais visíveis (racismo, misoginia, homofobia, violência e etc.)</b>. Assim, elementos de preconceito que são mais modulados na interação face a face aparecem mais. E há dois lados para esses elementos. Se por um lado, eles são mais desafiados pela audiência invisível na mídia social (você conta uma piada preconceituosa que sempre falou aos amigos, mas na internet as pessoas caem em cima), eles também encontram concordância (outras pessoas saem em sua defesa). Como o argumento é ad hominem, ou seja, <b>critica-se o locutor e não o discurso</b> ("vc é burro pq disse A"), a tendência é a polarização (como vários trabalhos sobre política têm demonstrado) e não o diálogo para desconstruir o preconceito. Deste modo, a discussão acaba polarizada, com dois grupos que se agridem.</div><div><br /></div><div><b>Robôs que proliferam o Ódio</b></div><div>Finalmente, temos também um grande número de bots e contas falsas que <b>insistentemente reproduzem determinados discursos agressivos </b>(e muitos também falsos), o que também contribui para a disseminação da agressão e da desinformação e não o diálogo.&nbsp;</div><div><br /></div><div>Ou seja, as pessoas não são "mais agressivas" no espaço online. Elas simplesmente estão entrando em um ambiente onde a<b> agressão está presente na conversação e escala</b>. Sentindo-se agredidas, elas tendem a agredir o que só aumenta o caos. Isso gera uma insatisfação com ferramentas mais amplas (como o Facebook e o Twitter) e motiva também <b>uma corrida a ferramentas mais "fechadas", onde se saiba exatamente quem é o grupo com quem se fala</b> (como os grupos no Whatsapp, por exemplo). Além disso, também levam as pessoas a limitar seus posts, limitar a visibilidade e buscar separar os grupos que recebem suas mensagens. Essa separação hoje já é cotidiana no Facebook ("unfollow") e constrói redutos informativos, <b>apagando os discursos contrários</b>, o que também não é necessariamente bom para a sociedade. <b>O contato com o contraditório é importante, porque faz pensar e mostra que não há um único ponto de vista sobre alguma coisa. </b>Minha esperança na mídia social era isso, mas o que temos visto é o contrário (separação dos grupos e apagamento dos discursos). Também vemos o crescimento de grupos ativistas, que buscam espalhar determinados discursos (já falei um pouco no último post desses elementos), que buscam amplificar essas idéias, o que tem, por vezes, sido bem sucedido.</div></div>]]>
        
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    <title>Disputas discursivas no Twitter: O Dia da Consciência Negra</title>
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    <published>2015-11-23T10:01:16Z</published>
    <updated>2015-11-23T10:54:44Z</updated>

    <summary><![CDATA[Há algum tempo, fiz um trabalho de análise de redes focando os discursos sobre o dia da consciência negra no Twitter. Resolvi repetir esse trabalho no dia 20, três anos depois de um estudo semelhante (veja aqui o artigo), para ver o que é possível observar no mesmo Twitter. Uma das primeiras coisas que achei importante registrar é a caracterização cada vez maior do Twitter como um espaço de ativismo. O Henrique Antoun e o Fabio Malini já falavam disso há anos, mas tenho visto nos últimos tempos, que o uso do Twitter como uma ferramenta de espalhamento de mensagens, conscientização (não entendo isso como conscientização por algo que vc concorde) e mobilização em torno de um determinado assunto é cada vez maior. Com isso, grupos diversos acabam reunindo-se e promovendo "tuitaços", e "subindo" hashtags e isso acaba dominando boa parte da conversa na ferramenta, durante um determinado período. Para tentar driblar esses grupos e pegar uma idéia de discurso mais generalizada, fiz a busca por vários termos, focando os resultados a seguir no "consciência negra" não como tag, mas como palavras separadas. Embora eu tenha coletado bem mais coisa, aqui vou comentar rapidamente só 17456 tweets coletados no final do dia 20, através do NodeXL. Como vocês sabem, o Node tem dificuldade de trabalhar com um número maior do que 10 mil nós, por isso, optei por fazer os grafos no Gephi. Foram 16.339 nós.&nbsp;O primeiro mapa, a seguir, mostra as relações entre os nós e os tweets. Os tamanho dos nós refere-se ao número de retweets e menções. São aqueles nós que mais influenciaram a conversação com seus tweets. Vemos vários nós humorísticos, mas que também trouxeram mensagens de bastante conscientização. Alguns tweeters humorísticos dão o tom de várias falas, mas também há a presença forte de coletivos e ativistas. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)Na imagem a seguir, vemos aqueles nós cujos tweets repercutiram mais em diferentes grupos e não apenas nas suas audiências (vejam vários nós com características mais políticas e ativistas), o que também contribui para o "tom" da discussão. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)&nbsp;DiscursosNo mapa a seguir, vemos os principais conceitos associados aos tweets sobre a data. O tamanho do conceito refere-se a sua frequencia e as conexões, às suas ocorrências conjuntas. Evidentemente, o mapa é dominado pelo grupo "dia consciência negra". É interessante observar também a presença de "racismo", "igualdade", "luta", "raça" e outros termos bastante relevantes no grupo vermelho, o mais focado em mensagens ativistas da data. O grupo em tom mais claro compreende tweets mais gerais, focados em assuntos diversos, como a comemoração, zumbi, feriado e etc. (Clique na imagem para ver em tamanho maior).No mapa a seguir, vemos as co-ocorrências mais importantes no grupo geral. Vejam como fica mais clara a escolha de palavras ("direitos", "igualdade", "racismo", "luta", "raça" e "homenagem" &nbsp;- ao invés de "comemoração") no grupo vermelho, que caracterizei como discurso ativista, versus o grupo mais claro, que faz a discussão, mas onde há outros discursos também presentes. O principal deles é a famosa misquote (quote que não existe) atribuída ao Morgan Freeman, onde ele supostamente diria que seria preciso "parar de se preocupar com a consciência branca, amarela etc. etc". e se preocupar com a "consciência humana", que é uma adaptação de uma outra frase em outra entrevista que teria sido tirada de contexto (veja aqui). Mesmo assim, tweets do tipo "pra que dia da consciência negra?", "consciência negra? consciencia tranquila", estão bastante presentes. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)O que podemos observar, então?Com relação ao meu trabalho anterior, continuamos vendo a presença de diferentes discursos sobre a data, entre eles, aquele do feriado e da comemoração. Mas é interessante também observar que cresce a presença dos conceitos "negros" e "negra" associadas à luta, respeito e direitos, o que não se via antes. Conceitos positivos como "orgulho", "cor" e hashtags de ativismo como "#lugardonegro" também aparecem com força, indicando um aumento da visibilidade do discurso da luta pela igualdade que apareceu tão apagado no trabalho anterior. Parte dessa centralização da discussão deu-se também por conta das notícias da marcha das mulheres negras, que precederam a data e de ações afirmativas que foram também noticiadas no período. Isso é uma mudança importante na arena da esfera pública da mídia social, trazendo evidências cada vez maiores da politização e de seu espaço para ativismo na discussão de temas relevantes (e também muitas vezes "apagados" da mídia tradicional). Apesar disso, vemos que também há o discurso de apagamento presente (que questiona a data ou que diminui sua relevância). O que é interessante, entretanto, é que em 2012 esse era o discurso prevalante. Neste 2015 não foi mais.&nbsp;...]]></summary>
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        <![CDATA[Há algum tempo, fiz um trabalho de análise de redes focando os discursos sobre o dia da consciência negra no Twitter. Resolvi repetir esse trabalho no dia 20, três anos depois de um <a href="http://www.raquelrecuero.com/arquivos/2013/11/dia-da-consciencia-negra---reflexos-discursivos.html">estudo semelhante</a> (veja <a href="http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/4334">aqui o artigo</a>), para ver o que é possível observar no mesmo Twitter. Uma das primeiras coisas que achei importante registrar é a <b>caracterização cada vez maior do Twitter como um espaço de ativismo. </b>O Henrique Antoun e o Fabio Malini já falavam disso há anos, mas tenho visto nos últimos tempos, que o uso do Twitter como uma ferramenta de espalhamento de mensagens, conscientização (não entendo isso como conscientização por algo que vc concorde) e mobilização em torno de um determinado assunto é cada vez maior. Com isso, grupos diversos acabam reunindo-se e promovendo "tuitaços", e "subindo" hashtags e isso acaba dominando boa parte da conversa na ferramenta, durante um determinado período. Para tentar driblar esses grupos e pegar uma idéia de discurso mais generalizada, fiz a busca por vários termos, focando os resultados a seguir no "consciência negra" não como tag, mas como palavras separadas. Embora eu tenha coletado bem mais coisa, aqui vou comentar rapidamente só 17456 tweets coletados no final do dia 20, através do NodeXL. Como vocês sabem, o Node tem dificuldade de trabalhar com um número maior do que 10 mil nós, por isso, optei por fazer os grafos no Gephi. Foram 16.339 nós.&nbsp;<div><br /></div><div>O primeiro mapa, a seguir, mostra as relações entre os nós e os tweets. Os tamanho dos nós refere-se ao número de retweets e menções. São aqueles nós que mais influenciaram a conversação com seus tweets. Vemos vários nós humorísticos, mas que também trouxeram mensagens de bastante conscientização. Alguns tweeters humorísticos dão o tom de várias falas, mas também há a presença forte de coletivos e ativistas. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosindegreemod-1127.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosindegreemod-1127.html','popup','width=1143,height=859,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosindegreemod-thumb-600x450-1127.png" width="600" height="450" alt="nosindegreemod.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><br /></div><div>Na imagem a seguir, vemos aqueles nós cujos tweets repercutiram mais em diferentes grupos e não apenas nas suas audiências (vejam vários nós com características mais políticas e ativistas), o que também contribui para o "tom" da discussão. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)&nbsp;</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosbetweenpng-1124.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosbetweenpng-1124.html','popup','width=1084,height=848,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/nosbetweenpng-thumb-600x469-1124.png" width="600" height="469" alt="nosbetweenpng.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><b>Discursos</b></div><div><br /></div><div>No mapa a seguir, vemos os principais conceitos associados aos tweets sobre a data. O tamanho do conceito refere-se a sua frequencia e as conexões, às suas ocorrências conjuntas. Evidentemente, o mapa é dominado pelo grupo "dia consciência negra". É interessante observar também a presença de "racismo", "igualdade", "luta", "raça" e outros termos bastante relevantes no grupo vermelho, o mais focado em mensagens ativistas da data. O grupo em tom mais claro compreende tweets mais gerais, focados em assuntos diversos, como a comemoração, zumbi, feriado e etc. (Clique na imagem para ver em tamanho maior).</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidadeindegree-1118.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidadeindegree-1118.html','popup','width=1228,height=829,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidadeindegree-thumb-600x405-1118.png" width="600" height="405" alt="tudomodularidadeindegree.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>No mapa a seguir, vemos as co-ocorrências mais importantes no grupo geral. Vejam como fica mais clara a escolha de palavras ("direitos", "igualdade", "racismo", "luta", "raça" e "homenagem" &nbsp;- ao invés de "comemoração") no grupo vermelho, que caracterizei como discurso ativista, versus o grupo mais claro, que faz a discussão, mas onde há outros discursos também presentes. O principal deles é a <a href="http://www.zakkeith.com/articles,blogs,forums/Freeman-misquote-becomes-milestone-statement-for-African-Americans.htm">famosa misquote</a> (quote que não existe) atribuída ao Morgan Freeman, onde ele supostamente diria que seria preciso "parar de se preocupar com a consciência branca, amarela etc. etc". e se preocupar com a "consciência humana", que é uma adaptação de uma outra frase em outra entrevista que teria sido tirada de contexto (<a href="http://www.snopes.com/politics/quotes/blackhistory.asp">veja aqui</a>). Mesmo assim, tweets do tipo "pra que dia da consciência negra?", "consciência negra? consciencia tranquila", estão bastante presentes. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidademaiorq22-1121.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidademaiorq22-1121.html','popup','width=729,height=586,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/tudomodularidademaiorq22-thumb-600x482-1121.png" width="600" height="482" alt="tudomodularidademaiorq22.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div><b>O que podemos observar, então?</b></div><div><br /></div><div>Com relação ao meu trabalho anterior, continuamos vendo a presença de diferentes discursos sobre a data, entre eles, aquele do feriado e da comemoração. Mas é interessante também observar que c<b>resce a presença dos conceitos "negros" e "negra" associadas à luta, respeito e direitos, o que não se via antes. </b>Conceitos positivos como "orgulho", "cor" e hashtags de ativismo como "#lugardonegro" também aparecem com força, indicando um <b>aumento da visibilidade do discurso da luta pela igualdade que apareceu tão apagado no trabalho anterior</b>. Parte dessa centralização da discussão deu-se também por conta das notícias da marcha das mulheres negras, que precederam a data e de ações afirmativas que foram também noticiadas no período. Isso é uma <b>mudança importante na arena da esfera pública da mídia social,</b> trazendo evidências cada vez maiores da <b>politização e de seu espaço para ativismo na discussão de temas relevantes </b>(e também muitas vezes "apagados" da mídia tradicional). Apesar disso, vemos que também há o discurso de apagamento presente (que questiona a data ou que diminui sua relevância). O que é interessante, entretanto, é que em 2012 esse era o discurso prevalante. Neste 2015 não foi mais.&nbsp;</div>]]>
        
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    <title>Crianças e o Youtube: Algumas observações</title>
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    <published>2015-11-03T09:11:46Z</published>
    <updated>2015-11-04T11:33:31Z</updated>

    <summary><![CDATA[Estou envolvida em um trabalho do ESPM Media Lab&nbsp;(liderado pela Luciana Correa) que busca monitorar os canais do YouTube mais usados por crianças. Achei interessantíssimo o tema primeiro porque a maioria das pessoas que têm analisado o uso da internet não se deu conta do crescimento da rede no público infantil e também, porque o letramento digital dessas crianças, por causa dos smartphones, acontece cada vez mais cedo (os pais costumam usar desenhos no Youtube para entreter os pequenos, abrindo a porta de entrada da ferramenta para eles). Refletindo sobre essas questões e buscando dados nos últimos dias, tracei algumas linhas.O fenômeno MinecraftA primeira coisa é a popularidade dos canais para crianças. Recentemente, o Diamond Minecart, do britânico DanTDM, foi o canal com maior audiência da ferramenta, ultrapassando canais como o da Taylor Swift e o PewDiePie (famoso gamer), com mais de 400 milhões de views no mês.&nbsp;O canal, para quem não conhece, é focado no Minecraft, com vídeos de reviews dos diversos modes do jogo, personagens criados por Dan e animações dos joguinhos. Mas o mais importante não é isso. É o fato de que o TDM é um canal "familyfriend", ou seja, um canal com um conteúdo mais infantil. Enquanto experimenta os modes, por exemplo, Dan costuma ter a companhia de seus vários lobos de estimação ou do Dr. Trayaurus, seu... ahm... villager de estimação. O caso é que a audiência desses canais está cada vez mais jovem, o que Dan parece ter intuído. Além dele, outros canais focados no jogo e animações com seus personagens estão entre os mais populares. Vemos um fenômeno parecido no Brasil. Canais como AuthenticGames e RezendeEvil estão entre aqueles mais populares do Youtube no Brasil. São também canais focados em Minecraft, só que com um tom muito mais adolescente, embora sua popularidade também esteja crescendo junto às crianças. O conteúdo, entretanto, nem sempre é adequado.Mas não só de Minecraft vivem as crianças no YouTube. Canais de unboxing (apresentação de brinquedos) e brincadeiras também são extremamente populares.&nbsp;Jovens YoutubbersCom o crescimento dos diferentes canais, outro fenômeno está crescendo junto ao público infantil: A produção de conteúdo. Ao ver seus canais favoritos, as crianças não apenas querem usar o conhecimento adquirido nos jogos (Minecraft, por exemplo, é um dos jogos mais populares entre crianças no mundo e foi adquirido pela Microsoft&nbsp;ano passado), mas igualmente produzir seus próprios canais. A produção de conteúdo com smartphones e algum acesso à internet é cada vez mais acessível e cada vez maior entre os adolescentes (entretanto, em outras ferramentas). A tendência é que chegue agora para as crianças.Questões CentraisO crescimento da audiência infantil do YouTube levou também ao aumento da preocupação do acesso a canais pelos pais, especialmente a conteúdo não próprio. Com isso, o Google anunciou o YouTube Kids, uma espécie de "portal de entrada" para as crianças na ferramenta, que promete dar aos pais maior controle ao que as crianças acessam (que ainda não tem no Brasil). Mas o acesso a conteúdo impróprio não é o único problema. Além do acesso a conteúdo, outras questões fundamentais dizem respeito à privacidade (O crescimento de canais protagonizados por crianças, por exemplo, pode colocar em risco sua privacidade? Quais efeitos esses canais podem ter no futuro dessas crianças? Como a memória da internet pode afetar, com essas produções, a vida futura?), questões financeiras e jurídicas (Muitos destes canais são explorados pelos pais e produzem milhões de dólares anualmente, que as crianças produtoras não recebem diretamente. Como ficam essas questões?) e, ainda, questões educacionais (Qual será o papel da escola para crianças que já aprenderam a ler para fazer buscas no YouTube, que já estão acostumadas a acessar e produzir conteúdo altamente hipermidiático?). Outra questão que tem sido levantada é o targetting de crianças como público alvo de anúncios na ferramenta, anúncios que muitas vezes não são desejados pelos pais. Muitas dessas preocupações já foram expostas em relatórios internacionais (gosto muito do Digital Media and Learning que, inclusive, com webinars sobre como as escolas podem usar o Minecraft como parte do currículo como modo de estimular experimentos e conteúdos, além de outras questões amplas), bem como passaram a ser discutidas em várias esferas, principalmente nos EUA e na Europa. Mas ainda são pouco discutidas por aqi. Creio que é um fenômeno que precisamos olhar com mais cuidado....]]></summary>
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        <![CDATA[<a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/minecraftkids-1115.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/minecraftkids-1115.html','popup','width=550,height=413,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/11/minecraftkids-thumb-200x150-1115.jpg" width="200" height="150" alt="minecraftkids.jpg" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a>Estou envolvida em um trabalho do <a href="http://www2.espm.br/medialab">ESPM Media Lab</a>&nbsp;(liderado pela Luciana Correa) que busca monitorar <b>os canais do YouTube mais usados por crianças</b>. Achei interessantíssimo o tema primeiro porque a maioria das pessoas que têm analisado o uso da internet não se deu conta do crescimento da rede no público infantil e também, porque o letramento digital dessas crianças, por causa dos <i>smartphones,</i> acontece cada vez mais cedo (os pais costumam usar desenhos no Youtube para entreter os pequenos, abrindo a porta de entrada da ferramenta para eles). Refletindo sobre essas questões e buscando dados nos últimos dias, tracei algumas linhas.<div><br /></div><div><b>O fenômeno Minecraft</b></div><div><br /></div><div>A primeira coisa é a popularidade dos canais para crianças. Recentemente, o<a href="https://www.youtube.com/user/TheDiamondMinecart"> Diamond Minecart</a>, do britânico DanTDM, foi o canal com <a href="http://www.theguardian.com/technology/2015/aug/31/the-diamond-minecart-pewdiepie-youtube-minecraft">maior audiência da ferramenta</a>, ultrapassando canais como o da Taylor Swift e o PewDiePie (famoso gamer), com mais de 400 milhões de views no mês.&nbsp;O canal, para quem não conhece, é focado no Minecraft, com vídeos de reviews dos diversos modes do jogo, personagens criados por Dan e animações dos joguinhos. Mas o mais importante não é isso. É o fato de que o <b>TDM é um canal "familyfriend", ou seja, um canal com um conteúdo mais infantil</b>. Enquanto experimenta os modes, por exemplo, Dan costuma ter a companhia de seus vários lobos de estimação ou do Dr. Trayaurus, seu... ahm... villager de estimação. O caso é que a audiência desses canais está cada vez mais jovem, o que Dan parece ter intuído. Além dele, outros canais focados no jogo e animações com seus personagens estão entre os mais populares. Vemos um fenômeno parecido no Brasil. Canais como AuthenticGames e RezendeEvil estão entre aqueles mais populares do Youtube no Brasil. São também canais focados em Minecraft, só que com um tom muito mais adolescente, embora sua popularidade também esteja crescendo junto às crianças. O conteúdo, entretanto, nem sempre é adequado.<div><div><br /></div><div>Mas não só de Minecraft vivem as crianças no YouTube. Canais de unboxing (apresentação de brinquedos) e brincadeiras também são extremamente populares.&nbsp;</div><div><br /></div><div><b>Jovens Youtubbers</b></div><div><br /></div><div>Com o crescimento dos diferentes canais, outro fenômeno está crescendo junto ao público infantil: A produção de conteúdo. Ao ver seus canais favoritos, as crianças não apenas querem usar o conhecimento adquirido nos jogos (<a href="http://www.wsj.com/articles/microsoft-agrees-to-acquire-creator-of-minecraft-1410786190">Minecraft, por exemplo, é um dos jogos mais populares entre crianças no mundo e foi adquirido pela Microsoft</a>&nbsp;ano passado), mas igualmente produzir seus próprios canais. A produção de conteúdo com smartphones e algum acesso à internet é cada vez mais acessível e cada vez maior entre os adolescentes (entretanto, em outras ferramentas). A tendência é que chegue agora para as crianças.</div><div><br /></div><div><b>Questões Centrais</b></div><div><br /></div><div>O crescimento da audiência infantil do YouTube levou também ao aumento da preocupação do acesso a canais pelos pais, especialmente a conteúdo não próprio. Com isso,<a href="http://www.techtimes.com/articles/91418/20151005/youtube-kids-will-give-parents-more-control-but-no-system-is-perfect.htm"> o Google anunciou o YouTube Kids</a>, uma espécie de "portal de entrada" para as crianças na ferramenta, que promete dar aos pais maior controle ao que as crianças acessam (que ainda não tem no Brasil). Mas o acesso a conteúdo impróprio não é o único problema. Além do acesso a conteúdo, outras questões fundamentais dizem respeito à privacidade (O crescimento de canais protagonizados por crianças, por exemplo, pode colocar em risco sua privacidade? Quais efeitos esses canais podem ter no futuro dessas crianças? Como a memória da internet pode afetar, com essas produções, a vida futura?), questões financeiras e jurídicas (M<a href="http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2997797/Parents-earn-1-million-year-making-YouTube-videos-children-playing-toys.html">uitos destes canais são explorados pelos pais e produzem milhões de dólares anualmente, que as crianças produtoras não recebem diretamente</a>. Como ficam essas questões?) e, ainda, questões educacionais (Qual será o papel da escola para crianças que já aprenderam a ler para fazer buscas no YouTube, que já estão acostumadas a acessar e produzir conteúdo altamente hipermidiático?). Outra questão que tem sido levantada é o targetting de crianças como público alvo de anúncios na ferramenta, anúncios que muitas vezes não são desejados pelos pais. Muitas dessas preocupações já foram expostas em relatórios internacionais (gosto muito do <a href="http://dmlhub.net/">Digital Media and Learning</a> que, inclusive, com webinars sobre como <a href="http://connectedlearning.tv/project-based-learning-minecraft">as escolas podem usar o Minecraft como parte do currículo </a>como modo de estimular experimentos e conteúdos, além de outras questões amplas), bem como passaram a ser discutidas em várias esferas, principalmente nos EUA e na Europa. Mas ainda são pouco discutidas por aqi. Creio que é um fenômeno que precisamos olhar com mais cuidado.</div><div><div><br /></div></div></div></div>]]>
        
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    <title>Lançamento do Cheddar do McDonalds </title>
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    <published>2015-10-09T16:31:18Z</published>
    <updated>2015-10-09T17:03:12Z</updated>

    <summary><![CDATA[Estudando monitoramento de mídia social com os alunos, observamos o lançamento dos novos hamburgueres e batatas com cheddar do McDonalds Brasil. Para pode usar em aula, acabei fazendo algumas coletas e observando como as pessoas comentaram o lançamento. Os dados referem-se a 11.474 tweets de 10770 usuários coletados entre os dias 07/10 e 09/10.&nbsp;O grafo a seguir mostra a hashtag #novinhocheddar, que foi patrocinada pela marca. Cada conta é uma linha que une-o a outra conta que tenha sido citada pela primeira. Ao centro de todas as citações está a conta do @McDonalds_Br. Há outros nós importantes (em tamanho levamente maior), mas que só se vê na imagem aumentada. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)O número de tweets com a hashtag foi baixo (minha expectativa seria, pelo menos, 6 ou 7 vezes esse número, dada a popularidade do assunto). O grande nó central sendo a conta da marca justifica-se pelo número de retweets da mensagem que anunciava o lançamento, que continua, junto, uma imagem dos novos hamburguers. Esse cenário é, portanto, esperado. Nota-se, entretanto, que não há outras contas que auxiliaram a dar visibilidade a mensagem, sendo unicamente repetida pelos seguidores da marca.Quando observamos o que foi dito, temos o grafo a seguir. As cores indicam grupabilidade, ou seja, palavras que tendem a aparecer juntas. As conexões indicam a relação entre dois conceitos. Quanto mais forte a relação (mais apareceram juntos), maior a espessura. O tamanho dos conceitos corresponde à sua frequencia nos dados. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)É interessante observar que há grupos diferentes de conceitos. O mais amplo, em laranja, acima, apresenta vários conceitos positivos associados ao hamburguer e à batata (refere-se ao desejo pelo produto). Já o rosa, abaixo, com "lanche" como palavra central, traz conceitos como "reclamar", "fotos", "iguais" (refere-se a pessoas que foram comer o lanche e postaram imagens reclamando que o produto na loja não é igual ao das fotos). O grupo turquesa, logo acima do rosa, traz outra discussão: a da música do comercial (onde houve críticas e elogios). Já o grupo amarelo, abaixo, refere-se ao imenso conjunto de retweets do tweet inaugural. Os demais grupos, em geral, mostram associações de conceitos positivos que foram usados nos tweets.Vemos, assim, que além do impacto do lançamento, que gera desejo e parece atingir positivamente os consumidores, também há impacto negativo da expectativa do consumidor x realidade. E é interessante observar também o que mais foi associado a este lançamento (conceitos positivos e negativos, bem como as polêmicas). Este post não faz parte da série do que dá para fazer com ARS, mas pode também ser lido nesta ótica....]]></summary>
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        <![CDATA[Estudando monitoramento de mídia social com os alunos, observamos o lançamento dos novos hamburgueres e batatas com cheddar do McDonalds Brasil. Para pode usar em aula, acabei fazendo algumas coletas e observando como as pessoas comentaram o lançamento. Os dados referem-se a 11.474 tweets de 10770 usuários coletados entre os dias 07/10 e 09/10.&nbsp;<div><br /></div><div>O grafo a seguir mostra a hashtag #novinhocheddar, que foi patrocinada pela marca. Cada conta é uma linha que une-o a outra conta que tenha sido citada pela primeira. Ao centro de todas as citações está a conta do @McDonalds_Br. Há outros nós importantes (em tamanho levamente maior), mas que só se vê na imagem aumentada. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonalds-1106.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonalds-1106.html','popup','width=1164,height=853,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonalds-thumb-600x439-1106.png" width="600" height="439" alt="cheddarmcdonalds.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>O número de tweets com a hashtag foi baixo (minha expectativa seria, pelo menos, 6 ou 7 vezes esse número, dada a popularidade do assunto). O grande nó central sendo a conta da marca justifica-se pelo número de retweets da mensagem que anunciava o lançamento, que continua, junto, uma imagem dos novos hamburguers. Esse cenário é, portanto, esperado. Nota-se, entretanto, que não há outras contas que auxiliaram a dar visibilidade a mensagem, sendo unicamente repetida pelos seguidores da marca.</div><div><br /></div><div>Quando observamos o que foi dito, temos o grafo a seguir. As cores indicam grupabilidade, ou seja, palavras que tendem a aparecer juntas. As conexões indicam a relação entre dois conceitos. Quanto mais forte a relação (mais apareceram juntos), maior a espessura. O tamanho dos conceitos corresponde à sua frequencia nos dados. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)</div><div><br /></div><div><a href="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonaldstweets-1109.html" onclick="window.open('http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonaldstweets-1109.html','popup','width=1154,height=858,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.pontomidia.com.br/raquel/assets_c/2015/10/cheddarmcdonaldstweets-thumb-600x446-1109.png" width="600" height="446" alt="cheddarmcdonaldstweets.png" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></div><div>É interessante observar que há grupos diferentes de conceitos. O mais amplo, em laranja, acima, apresenta vários conceitos positivos associados ao hamburguer e à batata (refere-se ao desejo pelo produto). Já o rosa, abaixo, com "lanche" como palavra central, traz conceitos como "reclamar", "fotos", "iguais" (refere-se a pessoas que foram comer o lanche e postaram imagens reclamando que o produto na loja não é igual ao das fotos). O grupo turquesa, logo acima do rosa, traz outra discussão: a da música do comercial (onde houve críticas e elogios). Já o grupo amarelo, abaixo, refere-se ao imenso conjunto de retweets do tweet inaugural. Os demais grupos, em geral, mostram associações de conceitos positivos que foram usados nos tweets.</div><div><br /></div><div>Vemos, assim, que além do impacto do lançamento, que gera desejo e parece atingir positivamente os consumidores, também há impacto negativo da expectativa do consumidor x realidade. E é interessante observar também o que mais foi associado a este lançamento (conceitos positivos e negativos, bem como as polêmicas). Este post não faz parte da série do que dá para fazer com ARS, mas pode também ser lido nesta ótica.</div>]]>
        
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